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Revisão da norma NBR 5413 aprimora iluminação

Uniformidade e versatilidade da luz, controle de ofuscamento, índice de reprodução de cor e economia de energia são alguns dos principais critérios

Redação AECweb / e-Construmarket

Toda atividade interna dos edifícios exige condições de iluminação, estabelecidas por vários critérios, muito mais complexos do que a simples quantidade de luz. A revisão da atual NBR 5413 abrange boa parte destes requisitos e critérios. “A nova norma, que se tornará a NBR ISO 8995, está referendada em termos de padrão de qualidade pelas normas internacionais”, diz o arquiteto e consultor Nelson Solano Vianna, diretor da Geros Arquitetura. Ele lembra que os projetistas precisam ficar atentos à nova norma, pois esta fixará novos parâmetros de projeto.

Uniformidade de luz

Depois da quantidade de luz em um determinado plano, horizontal ou vertical, a uniformidade de luz é o segundo critério, que abrange tanto as atividades laborativas, como as demais. “As atividades do trabalho, como é o caso dos galpões industriais, exigem uma uniformidade muito boa de luz. É preciso que a quantidade seja bem distribuída, caso contrário, haverá regiões bem iluminadas e outras escuras. Isto acaba criando um contraste visual elevado, exigindo que as pessoas se adaptem o tempo inteiro ao claro e escuro”, explica Solano. Já as atividades não laborativas dispensam essa uniformidade, pois a relação entre claro e escuro, luz e sombra, é extremamente aconchegante, intimista e propícia para atividades de descanso. “Trata-se, portanto, a luz de maneira diferente, de acordo com o perfil da atividade”, ensina.

Controle de ofuscamento

Os projetos luminotécnicos das indústrias devem ficar atentos ao terceiro critério – antes ausente da norma – que é o do controle de ofuscamento. “Em uma fábrica, o ofuscamento pode gerar algum tipo de acidente em máquinas de corte, por exemplo”, lembra. A referência normativa é o Índice Unificado de Ofuscamento (UGR) – parâmetro internacional para análise do controle de ofuscamento. De acordo com o perfil da indústria haverá um maior controle da intensidade de ofuscamento. Não será importante numa fábrica com atividades visuais mais grosseiras como as que produzem caixa de papelão, mas vital se ela fabrica chips de microeletrônica. “Este índice se estabelece através do grau de acuidade da atividade visual, que é a precisão necessária para realizar as tarefas, do nível de iluminância desejado e do tipo de luminária, entre outros parâmetros”, explica Nelson Solano.

Mutabilidade, flexibilidade e versatilidade da luz

O quarto critério diz respeito à mutabilidade, flexibilidade e versatilidade da luz. Ou seja, a capacidade do sistema de ajustar a iluminação de acordo com as diferentes necessidades específicas do ambiente. O Procel Edifica, principal certificação energética brasileira, exige que a iluminação artificial seja integrada com a luz natural, obrigando a instalação de circuitos independentes de acendimento das luminárias – aquelas mais próximas às janelas ficam apagadas ou dimerizadas enquanto há luz natural e, no fundo da sala, onde existe menos luz, o acionamento é feito de maneira independente. “Este é um exemplo de flexibilidade em atividades laborativas. Especificamente, no caso de indústrias, isso não é tão importante porque o ideal é a iluminação zenital”, observa.

Índice de reproduÇÃo de cor

O índice de reprodução de cor, objeto do quinto critério da norma técnica, é fundamental nos galpões industriais, dependendo do ramo de atividade, como as tecelagens, indústria gráfica e todas as alimentícias. Já em uma indústria de parafusos, por exemplo, não é preciso a exata reprodução de cores. De maneira geral, em outros ambientes, como escritórios ou salas de aula, esse requisito é desejável, mas nem sempre necessário. “O atual estágio da tecnologia da produção de fontes solucionou uma grave questão do passado. Ou seja, estão disponíveis lâmpadas que garantem uma excelente reprodução de cores e, ao mesmo tempo, são econômicas”, destaca o consultor.

Temperatura de cor

A temperatura de cor – quente, fria e neutra –, medida em graus Kelvin (K), também é exigência normativa. “As fontes de cores quentes são as de aparência amarelada das lâmpadas incandescentes, que têm grande influência sobre o sistema hormonal do homem, com efeito relaxante. São ideais para salas de estar e de leitura, e dormitório, mas não aconselhadas para ambientes fabris ou escritórios, pois os funcionários vão reduzir o ritmo durante o trabalho. Para ambientes laborativos, a melhor opção são as lâmpadas de cor fria ou neutra”, recomenda Solano.

Economia de energia

O sétimo critério é economia de energia que, hoje, deve fazer parte de todo projeto luminotécnico. “Esses sete critérios são objetivos e facilmente mensuráveis. O oitavo é subjetivo e fala da integração entre os projetos luminotécnico e de arquitetura, até porque arquitetura é luz. No caso dos projetos industriais, mais racionalizados, a integração fica mais fácil, porque as estruturas, a cobertura e as aberturas são modulares. Exige uma iluminação geral, uniformemente distribuída. Já nos projetos residenciais e nos corporativos vai pedir mais habilidade e criatividade do light designer”, afirma.

Luz zenital É ideal para galpÕes industriais

De acordo com o arquiteto, a iluminação zenital é a solução ideal para galpões industriais. “A iluminação lateral tem uma característica particular que é a não uniformidade, ou seja, muita luz perto da janela e pouca à distância. E, dependendo do projeto, a luz vinda das janelas vai criar ofuscamento e excesso de entrada de luz – um complicador em ambientes de trabalho. Já a iluminação zenital é muito uniforme e assegura maior quantidade de luz, condição ideal para grandes espaços. “Os galpões industriais têm pé-direito muito alto e grande área. Portanto, a poucos metros da fachada com o sistema lateral já não haverá luz suficiente, além dessa iluminação ser desuniforme, criando grandes contrastes. A única estratégia viável, portanto, é a iluminação zenital”, sentencia, acrescentando que, quando se trata de um espaço muito amplo, é preciso ter várias aberturas zenitais distribuídas uniformemente – sheds ou lanternins. Com essas soluções não será preciso acender as luzes durante o dia, apenas eventualmente numa bancada para iluminação complementar e pontual. “Os projetos de fábricas antigas são excelentes desse ponto de vista. Hoje, é preciso aprender um pouco com o que a arquitetura brasileira sabia fazer bem”, comenta Solano.

As luminárias utilizadas para espaços industriais respondem, também, a projetos de pé-direito muito alto como supermercados e postos de gasolina. “A luminária deve ter características fotométricas específicas, com boa distribuição de luz e rendimento, além de fontes específicas”, diz. O fato de os galpões industriais terem imensos telhados faz deles, no futuro, uma ótima opção para fonte fotovoltaica, especialmente quando a tecnologia e os preços forem mais viáveis, acredita o consultor. “Neste momento, as luminárias a LED chegaram para ficar, inclusive em ambientes industriais, com economia de energia de até 80%. Lembrando que essa tecnologia ainda está em franco desenvolvimento”, finaliza, lembrando que a nova norma de iluminação NBR ISSO 8995 está prevista para entrar em vigor ainda no primeiro semestre de 2013.

COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Nelson Solano Vianna – Arquiteto e mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Especialista e consultor na área de conforto ambiental e eficiência energética nas edificações desde 1979. Professor de vários cursos de graduação e pós-graduação em diversas universidades brasileiras, públicas e privadas, com publicações na área. Atualmente é diretor da Geros Arquitetura.

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