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Vidro estrutural confere transparência e resistência a fachadas

Sem a necessidade de estruturas de suporte convencionais, o material dispensa o uso de caixilhos e pode ser usado em escadarias, passagens suspensas, laterais de edificações, coberturas e pisos

Redação AECweb / e-Construmarket

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A arquitetura está intrinsecamente ligada ao jogo de luz, forma e espaço, e o vidro é um dos poucos elementos que abre espaço para mesclar essas características. Desde séculos passados, o material tem sido utilizado na busca por transparência em edificações e, consequentemente, impulsiona a evolução da tecnologia de fachadas. “É difícil imaginar a arquitetura contemporânea sem o vidro estrutural”, afirma o engenheiro Maurício Margaritelli, titular da empresa T2G | Technical Glass Group, destacando que o material se comporta como uma barreira física quando empregado na estrutura. “Ele apresenta resistência elevada, por conta da necessidade de ser temperado e laminado”, completa.

Em uma obra de piscina em vidro, onde há grande pressão sobre o material, trabalha-se com fator de segurança 4, ou seja, há uma resistência quatro vezes maior à tensão a que está submetido. Para fachada convencional, é possível pensar em fator de segurança de 60%. Já para as colunas, o mínimo tem que ser 100% e estarão submetidas à metade da força a que resiste
Maurício Margaritelli

O vidro permite a criação de estruturas plenamente transparentes, dispensando o uso de caixilhos. Com isso, possibilita o desenvolvimento de soluções para envidraçamento contínuo de fachadas, coberturas, bem como escadarias, passagens suspensas e outras áreas, sem a necessidade de estruturas convencionais. “O envidraçamento é classificado como estrutural quando substitui as estruturas de suporte padrão das fachadas em concreto e aço. Ele se comporta estruturalmente, resistindo aos esforços de vento e de peso, próprios da fachada. Essa condição é obtida através de colunas e vigas de vidro ou de cabos de aço, sempre contando com o vidro da fachada como elemento estrutural”, explica Margaritelli.

Segundo o profissional, a estrutura envidraçada é opção para variadas situações, como fechamento de laterais de edificações, coberturas e pisos. “As restrições se dão por conta da estrutura auxiliar, onde ocorre a ancoragem dos vidros. Há ressalvas de uso também devido às limitações das dimensões das chapas fornecidas pelos fabricantes”, adverte. O material pode atuar ainda como reforço estrutural para colunas e travessas, atuando como o contraventamento. “Nesses casos, a dimensão do material é determinada, entre outros fatores, pela pressão do vento atuante no local”, destaca Margaritelli, lembrando que a espessura do multilaminado desses contraventamentos é calculada a partir do tamanho do vão a ser vencido, sendo que o vidro tem de ser mais grosso conforme a altura for maior.

No Brasil, ainda não existem normas técnicas específicas para o vidro estrutural. Utilizamos a ABNT NBR 7199 – Projeto Execução e Aplicações de Vidros na Construção Civil – e a ABNT NBR 11706 – Vidros na construção civil
Maurício Margaritelli

Além de conhecer altura e tamanho do vão, o projetista deste sistema necessita de outras informações. “O profissional tem de ter acesso a dados sobre os pontos de ancoragens e da pressão do vento para ser possível definir o básico. A estrutura na qual o vidro será montado dependerá da arquitetura e da viabilidade econômica, sendo possível utilizar diversos tipos de estruturas com cabos de aço, conexões em inox, conexões transparentes, spiders, entre outros”, diz o engenheiro.

As ancoragens do sistema são confeccionadas em base metálica, podendo ser em inox ou em aço. “As juntas e conexões de vidros podem ser em inox ou trabalhadas com uso de sistema de fixação totalmente transparente, tecnologia já disponível no mercado que permite a ligação entre estruturas de vidro com leveza total, possibilitando trabalhar o material de forma livre, com liberdade para criar as mais arrojadas formas, desde pilares e vigas até colunas”, fala.

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SEGURANÇA E MANUTENÇÃO

O nível de segurança possível para uma edificação com esse sistema depende de sua altura e entorno. “Exemplificando, em uma obra de piscina em vidro, onde há grande pressão sobre o material, trabalha-se com fator de segurança 4, ou seja, há uma resistência quatro vezes maior à tensão a que está submetido. Para fachada convencional, é possível pensar em fator de segurança de 60%. Já para as colunas, o mínimo tem que ser 100% e estarão submetidas à metade da força a que resiste. Já nas vigas, o mínimo é 3, segurança que está acima das cargas estipuladas por normas técnicas”, ressalta Margaritelli.

O envidraçamento é classificado como estrutural quando substitui as estruturas de suporte padrão das fachadas em concreto e aço. O vidro se comporta estruturalmente, resistindo aos esforços de vento e de peso, próprios da fachada
Maurício Margaritelli

No Brasil, ainda não existem normas técnicas específicas para o vidro estrutural, atualmente aplicam-se as relacionadas ao cálculo do vão, a cargas, entre outros. “Utilizamos a ABNT NBR 7199 – Projeto Execução e Aplicações de Vidros na Construção Civil – e a ABNT NBR 11706 – Vidros na construção civil”, comenta.

Margaritelli considera os materiais que compõem o vidro estrutural de primeira linha, com expectativa de vida longa em aplicações normais. “Assim, um projeto e instalação adequados garantirão uma estrutura de longa duração com o mínimo de manutenção”, destaca.

Gorilla Glass

O Gorilla Glass, vidro conhecido por ser ultrafino e apresentar alto índice de resistência, chegou recentemente ao mercado da arquitetura e construção. Por ser um vidro extremamente leve e resistente, permite ao arquiteto maior liberdade de design, tanto em aplicações de interiores quanto exteriores. “Na região externa, o Gorilla Glass pode ser usado como solução leve para fachadas e coberturas gerais. Outras aplicações exteriores para laminados com o Gorilla Glass incluem janelas de vidros triplos e estruturas de paredes decorativas de vidro”, finaliza Margaritelli.

Colaborou para esta matéria

Maurício Margaritelli – Engenheiro responsável pela criação, em 2005, da empresa T2G | Technical Glass Group. Atuou como executivo da Pilkington Brasil, empresa onde ocupou várias funções técnicas e gerenciais, tendo atuado ao mesmo tempo nos cargos de gerente nacional de vendas da Cebrace e na gerência da franquia Blindex, além de ser o responsável técnico pela empresa.
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