5 desafios comuns na gestão da qualidade na construção civil

Profissionais da área precisam lidar com a baixa digitalização e com a necessidade de garantir comunicação e retroalimentação assertivas

Publicado em: 26/02/2021Atualizado em: 10/03/2021

Texto: Juliana Nakamura

gestão da qualidade na construção civil
Apesar de a gestão da qualidade não ser novidade, sua aplicação nem sempre é tarefa fácil (foto: Jirapong Manustrong/Shutterstock)

Fator crítico para o sucesso, a gestão da qualidade consiste em acompanhar detalhadamente cada etapa dos vários processos que envolvem uma obra, desde o planejamento até a entrega do produto, incluindo a assistência técnica. Além da satisfação do cliente e de reforçar a imagem da empresa, uma boa gestão da qualidade aumenta a produtividade e reduz desperdícios, impactando diretamente o valor e a competitividade da empresa.

Ainda que a gestão da qualidade não seja uma novidade para as construtoras, aplicá-la na prática nem sempre é tarefa fácil. Tanto é que ainda são comuns prejuízos provocados por vícios construtivos, atrasos em cronogramas, alto índice de retrabalho e custos excessivos com assistência técnica.

No decorrer do longo ciclo da construção, as oportunidades de falhas no controle da qualidade são múltiplas, tornando o trabalho do gestor ainda mais desafiador. Elencamos a seguir algumas dificuldades enfrentadas por esses profissionais em suas rotinas. Confira a seguir:

1) Equilibrar qualidade em um cenário com muitas obras

O reaquecimento do mercado imobiliário impõe desafios às construtoras. Afinal, com o aumento do número de obras, elevam-se os riscos de ocorrências de não conformidades de materiais e serviços que podem gerar patologias e comprometer o desempenho do produto final.

O aquecimento do mercado exige a reestruturação do setor de qualidade, que costuma perder capital humano e investimentos durante os períodos de crises
Elton Lacerda

“O aquecimento do mercado exige a reestruturação do setor de qualidade, que costuma perder capital humano e investimentos durante os períodos de crises”, comenta o consultor Elton Lacerda, sócio-diretor da Qualiarq. “Nesses momentos, o ideal é encarar os desafios como oportunidades de melhoria para crescimento e otimização de processos”, acrescenta Juliana Santos, engenheira de meio ambiente e qualidade do Grupo EPO.

2) Atendimento às normas complexas

Para garantir qualidade real aos empreendimentos, sistemas de certificação como o ISO 9001 e o PBQP-H são ferramentas importantes. Mas é preciso considerar que o atendimento às exigências desses selos envolve muita informação documentada, que precisa ser atualizada e disponibilizada para as pessoas certas, com confiabilidade. Muitos gestores encontram dificuldades nessa etapa, especialmente quando os processos são realizados de modo manual, demandando muito esforço e tempo. Isso enfatiza a necessidade de digitalizar o processo de gestão da qualidade.

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3) Compreender a qualidade de modo amplo

Um vício que pode atrapalhar o desempenho das equipes de gestão da qualidade é a atenção restrita aos requisitos de normas, negligenciando a qualidade do produto de forma ampla. É fato que o atendimento às normas é parte imprescindível à gestão da qualidade, mas o objetivo dos gestores deve ir além para garantir a qualidade esperada pelo cliente, e não somente atender as demandas de auditorias. Além disso, é importante que as equipes de gestão da qualidade tenham constante análise crítica para avaliar a necessidade de revisar e alterar os controles da qualidade em busca do melhor resultado.

4) Dificuldade no processo de retroalimentação

Um ponto-chave para o sucesso de qualquer sistema de gestão da qualidade é utilizar dados de assistência técnica pós-obra para retroalimentar todas as áreas da empresa, buscando aprimorar a qualidade e o desempenho das edificações construídas. As ferramentas para gestão da qualidade devem permitir a obtenção de dados para formar um painel gerencial que oriente a tomada de decisões. Contudo, muitas vezes as informações ficam dispersas, prejudicando os processos de melhoria contínua.

5) Baixa digitalização de processos

As ferramentas digitais são essenciais para o acompanhamento das atividades e o gerenciamento eficiente. Atualmente, os aplicativos permitem que a conferência dos serviços, em todas as etapas, estejam na palma da nossa mão e em tempo real
Juliana Santos

Um Sistema de Gestão da Qualidade contempla uma quantidade enorme de informações e dados que precisam ser captados, distribuídos às áreas competentes e consolidados, inclusive gerando estatísticas para auxiliar a tomada de decisão ágil e assertiva. “As ferramentas digitais são essenciais para o acompanhamento das atividades e o gerenciamento eficiente. Atualmente, os aplicativos permitem que a conferência dos serviços, em todas as etapas, estejam na palma da nossa mão e em tempo real”, diz Juliana Santos.

“Os softwares visam justamente desburocratizar o Sistema da Gestão da Qualidade, tornando-o mais leve, sem excesso de documentos e com controle eficaz dos registros gerados”, continua Lacerda. Ele destaca como contribuições positivas as fichas de verificações de serviços e materiais (FVS e FVM) digitais, assim como as plataformas de inspeções para entrega de obras e de gerenciamento de não conformidades.

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Colaboração técnica

Juliana Santos
Juliana Santos — Engenheira de meio ambiente e qualidade do Grupo EPO.
Elton Lacerda
Elton Lacerda — Arquiteto e urbanista, pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho e Engenharia Ambiental. É sócio-fundador da Qualiarq, empresa dedicada à implementação e manutenção de Sistemas de Gestão da Qualidade.