5 dicas para reduzir transtornos causados por temporais no canteiro

Acompanhar a previsão do tempo e ter um plano de ação para o caso de chuvas são cuidados fundamentais para reduzir os atrasos decorrentes de intempéries

Publicado em: 27/02/2020

Texto: Juliana Nakamura

como se proteger das chuvas durante a construção
Devido a baixa visibilidade durante as chuvas, é recomendado o reforço da sinalização nos pontos de riscos de acidentes (foto: sbw18/shutterstock)

Em canteiros de obras, chuvas intensas e inesperadas são sinônimo de perda de produtividade, atrasos no cronograma, retrabalho e desperdício de materiais. Por isso, na hora de planejar uma empreitada, é tão importante estar atento à previsão do tempo.

As chuvas exigem atenção redobrada com a segurança, já que podem provocar deslizamentos de terra e acidentes com descargas elétricas. Elas também podem impactar a produtividade no canteiro, ao provocar falhas no abastecimento de materiais e interromper serviços.

Programar as atividades, sobretudo as que ocorrem ao ar livre, para que elas aconteçam nos meses de estiagem é um dos primeiros passos para evitar dores de cabeça. Outros procedimentos são igualmente importantes, como mostramos a seguir. Confira:

1) Planejamento consistente

Blindar uma obra contra os problemas causados pelas chuvas requer um estudo minucioso prévio. Vale consultar as estatísticas e portais de previsões do tempo, bem como alertas de órgãos públicos, como a Defesa Civil. “Se houver previsão de chuvas intensas, as equipes podem se precaver, antecipando as atividades realizadas em locais abertos”, diz a engenheira Natália Arneiro, da construtora MBigucci.

Se houver previsão de chuvas intensas, as equipes podem se precaver, antecipando as atividades realizadas em locais abertos
Natália Arneiro

De modo geral, todos os serviços realizados em áreas externas são prejudicados pelas chuvas. Mas atividades de fundação e contenção de muros são especialmente críticas. Primeiro porque são etapas iniciais e que, quando atrasam, pressionam as etapas subsequentes. Além disso, as chuvas podem encharcar o solo, tornando-o mais propício a movimentações de terra.

Atividades em áreas já cobertas podem ter continuidade, sem maiores prejuízos ao cronograma. “O fundamental é que todos os envolvidos saibam exatamente o que fazer em caso de chuvas, incluindo quais tarefas deverão ser priorizadas ou antecipadas e quais atividades poderão continuar sem interferência das chuvas”, destaca Arneiro.

2) Proteção a materiais e a equipamentos

O armazenamento correto de materiais e de equipamentos é imprescindível para evitar perdas e prejuízos maiores. A recomendação é garantir uma cobertura adequada para tijolos, brita, areia, cimento e para outros insumos.

“Também é importante controlar o estoque de materiais rigorosamente, de maneira que sempre haja uma reserva suficiente para abastecimento do campo, caso haja uma falha na entrega do material”, destaca o engenheiro Guilherme Corrêa Rodrigues, da construtora Trisul. Ele sugere, ainda, sempre que possível, a adoção de tecnologias construtivas que proporcionem menor necessidade de abastecimento contínuo de material e que ofereçam execução mais ágil.

3) Sinalizações claras

Também é importante controlar o estoque de materiais rigorosamente, de maneira que sempre haja uma reserva suficiente para abastecimento do campo, caso haja uma falha na entrega do material
Guilherme Corrêa Rodrigues

Com chuvas, a visibilidade no canteiro de obras é naturalmente comprometida, criando um cenário propício para acidentes de trabalho. Por isso, vale reforçar a sinalização nos pontos considerados de risco, principalmente em áreas de escavação e nas que abrigam geradores de energia.

4) Cuidados no bombeamento de água

Muitas vezes é preciso recorrer ao bombeamento de água para evitar alagamentos no canteiro. “Para o correto dimensionamento da bomba, é necessário ter como base o volume médio de água a ser retirado e o caminhamento da tubulação do ponto de captação até o descarte”, explica Rodrigues. Ele conta que, por se tratar de drenagem, o descarte pode se dar junto com as águas pluviais, diretamente nas sarjetas. Porém, é necessária a filtragem prévia da água para evitar a condução de lama e de resíduos sólidos às redes públicas”, salienta o engenheiro da Trisul.

5) Em caso de chuva inesperada, é preciso agir rápido

Segundo Rodrigues, diante de uma tempestade, as primeiras ações a serem tomadas são: verificar as áreas de risco, interromper as atividades que ofereçam perigo e proteger os materiais que estão em uso. Em seguida, deve-se destinar as equipes para outro local, coberto e sem riscos, onde seja possível dar continuidade aos trabalhos.

Colaboração técnica

Guilherme Corrêa Rodrigues – Formado em engenharia civil pela UMC, atua na Trisul-SA como engenheiro de obras.
Natália Arneiro – Engenheira civil com MBA em administração para engenheiros. Atua na construtora MBigucci, com gerenciamento projetos, medições de serviços, planejamento e supervisão de obra.