A experiência de sucesso da Gafisa com o sistema drywall

A empresa vem adotando o gesso acartonado para o fechamento das paredes internas dos seus empreendimentos, com ganhos importantes no isolamento acústico

Publicado em: 03/03/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

drywall
O sistema drywall colabora com os desempenhos acústico e térmico (foto: ungvar/Shutterstock)

Em pelo menos cinco de seus recentes empreendimentos residenciais, a Gafisa optou pelo uso do sistema drywall. São o Easy Cidade Universitária, o Moov Cerâmica, o Moov Vila Prudente, o Scena Tatuape e o Moov Brás. “A estratégia é oferecer uma parede com um excelente desempenho, para disseminar o uso do drywall”, diz o engenheiro Fabio Luis Garbossa Francisco, diretor de Engenharia e Construção, referindo-se ao conforto ambiental promovido pelo material.

Desempenho térmico

A estratégia é oferecer uma parede com um excelente desempenho, para disseminar o uso do drywall
Fabio Luis Garbossa Francisco

Pautada pelas orientações da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) no quesito desempenho térmico, a empresa adota sistemas construtivos nas fachadas que dispensam o uso de drywall ou sistema EIFS (External Insulation and Finishing) para aumentar a inércia térmica. “Os estudos mostraram que a envoltória dessas edificações atingiu o nível mínimo solicitado pela norma de desempenho ABNT NBR 15575, no método simplificado de avaliação”, explica o diretor.

As paredes das fachadas são executadas em concreto de 15 cm de espessura, com aplicação de textura na face externa. Já as internas recebem camada de argamassa skin coat com 0,5 cm. O outro sistema é em estrutura de concreto vedada com blocos de concreto, classe C, de 19 cm, revestidos com argamassa de 3,5 cm na face externa e gesso liso com 1,0 cm na face interna.

Desempenho acústico

Quando a Gafisa introduziu o drywall em seus projetos, até pelo pouco domínio que tinha do sistema, houve grande atenção para o atendimento às exigências normativas de desempenho acústico. “Inclusive, buscamos atingir um nível mais alto do que o apresentado pelas alvenarias internas, através de especificação e execução cuidadosas do drywall, que garantissem esses índices”, explica.

Por exemplo, o drywall de todas as paredes possui isolamento acústico em lã de vidro. E nas paredes de divisa das unidades autônomas são utilizadas chapas de 15 mm ou chapas com melhor desempenho acústico. Na execução, foi dedicado especial cuidado aos elementos que reduzem o desempenho acústico, como caixinhas de elétrica e a calafetação das paredes.

“Para a definição do isolamento, foram utilizadas a NBR 15575 e a NBR 15758, bem como resultados específicos da indústria, quando utilizadas as chapas de alto desempenho acústico. Estes itens foram ratificados pelos projetistas de vedações e acústica. Então, são utilizados os Rw (isolamento do elemento) para atingir o DnT,w (diferença padronizada)”, relata Francisco.

Detalhamento da especificação

Nas obras dos empreendimentos que utilizam o sistema drywall, as especificações e os índices de isolamento acústico previstos são detalhados pelo diretor:

• Para as paredes internas das unidades, onde não há exigência normativa, foram utilizadas chapas simples, com estrutura de 70 mm + lã de vidro, com potencial de isolamento de 46 dB.
• Para as paredes de divisa entre unidades, quando não há dormitórios, foram utilizadas paredes com chapeamento duplo + lã de vidro, que têm potencial de isolamento de 52 dB.
• Nas paredes que possuem divisa, onde um dos ambientes é o dormitório, a especificação mínima é chapeamento duplo com chapa de 15 mm, com lã de vidro, que tem potencial de isolamento de 53 dB. Existem variações nesta última tipologia, de acordo com o padrão do empreendimento, que pode chegar a uma parede com estrutura dupla + chapeamento duplo com lã de vidro com potencial de isolamento de 59 dB – índice que, na tabela da NBR 15575, seria o equivalente a um desempenho superior.

Impossível comparar os sistemas

Para Fabio Francisco, comparar o desempenho acústico do drywall com o propiciado pela alvenaria envolve fatores que transcendem os sistemas em si. “O desempenho medido não é somente do sistema, mas de todas as características da edificação, como formato, volume, tipo de estrutura, piso e localização na edificação”, ressalta, completando: “Para fazer esta comparação, teria que ser possível, numa mesma edificação, executar as vedações com os dois sistemas e testar cada uma delas”.

A mesma conclusão vale para a comparação de custo das duas soluções, pois a análise tem que ser mais ampla, indo do planejamento físico da obra, do desembolso financeiro e, principalmente, dos critérios de projeto adotados. “O custo é uma análise do todo”, diz.

Desafios

Trabalhar pela primeira vez com o sistema drywall representou alguns desafios para a empresa, com destaque para a logística, atualização e aprendizado para o desempenho da solução e retroalimentação dos procedimentos de execução. Sua adoção na Gafisa passou por várias fases. Em alguns empreendimentos, foi utilizado em substituição à alvenaria, mas sem a preocupação de alterações substanciais nos projetos e processos. “Talvez seja o mais utilizado no mercado, com alvenaria nas fachadas e núcleo, e drywall nas paredes internas. Naquele momento, o sistema não estava sendo utilizado com todas as suas vantagens”, conta Francisco.

Foram desenvolvidos parâmetros de projeto para arquitetura e principalmente para estrutura, de forma a extrair do drywall suas melhores caraterísticas
Fabio Luis Garbossa Francisco

Logo foi criado o processo denominado internamente GPSDry, que acarretou importantes mudanças. “Foram desenvolvidos parâmetros de projeto para arquitetura e principalmente para estrutura, de forma a extrair do drywall suas melhores caraterísticas”, relata. São projetos com estrutura de parede de concreto e todas as divisões internas em drywall, onde o sistema foi pensado para ser o chassi que orienta a execução das instalações elétrica, hidráulica e de ar-condicionado. Constituem projetos com lajes praticamente planas.

O programa foi desenvolvido entre a Gafisa, indústria e montadora, com a integração sendo realizada por um projeto de vedações. “Todos os players participam ativamente, retroalimentando o sistema. Com isso, surgiram os projetos de logística, em que a obra recebe, diretamente da indústria, a quantidade exata de material que vai utilizar no pavimento”, frisa, acrescentando que há, ainda, a logística reversa, em que a montadora é responsável pelo material não utilizado. “Todo esse trabalho só é possível porque há a integração entre as diversas áreas. Inclusive, com os fornecedores de chicotes elétricos, portas prontas e caixilhos”, conclui.

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Colaboração técnica

Fabio Luis Garbossa Francisco
(foto: Melissa Binder)
Fabio Luis Garbossa Francisco – Engenheiro civil, atuante no mercado imobiliário há 25 anos. Pós-graduado em Administração e Economia pela FGV-SP e especialista em Planejamento e Gestão de Obras, atuou em importantes empresas do setor, como Turner Birmann, Cosil e BKO. Atualmente, é diretor de Engenharia e Construção na Gafisa. Atua, também, em atividades ligadas à docência nas universidades Mackenzie e FAAP, coordenando e lecionando cursos de extensão e pós-graduação nas áreas de planejamento e gestão de obras e mercado imobiliário.