ABNT regulamenta uso de compostos poliméricos para assentamento de alvenaria

Mais produtiva, a solução reduz desperdícios e consumo de insumos em comparação à argamassa tradicional, mas apresenta desvantagem na coordenação modular dos blocos

Publicado em: 19/05/2017Atualizado em: 22/05/2017

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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A aplicação da argamassa polimérica é feita diretamente da embalagem (acervo/ Grupo FCC)

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou, em março de 2017, a NBR 16590, que trata de compostos poliméricos para assentamento de alvenaria de vedação. Dividida em duas partes, a nova norma traz requisitos e critérios para o uso dos materiais não cimentícios nessa atividade, substituindo as argamassas tradicionais.

Apesar da recente regulamentação, o assentamento de blocos de alvenaria com argamassa polimérica é uma prática adotada desde meados de 1950 na construção civil brasileira.

Ela [NBR 16590] especifica o padrão mínimo do material para garantir a qualidade, além de indicar as propriedades e informações que devem constar na embalagem do produto
Fernanda Pacheco

ARGAMASSAS POLIMÉRICAS

Os compostos poliméricos para assentamento de blocos de vedação são argamassas não cimentícias, fabricadas por meio de resinas sintéticas como epóxi, poliuretano, poliamina, cargas minerais e outros aditivos.

A solução também é chamada de argamassa fina, devido à sua espessura de aplicação reduzida. “Basicamente, é utilizada em feixes de 1 mm, assentando blocos e tijolos com pequena quantidade de material. Ainda assim, garante excelente desempenho ao sistema”, enfatiza a engenheira civil Fernanda Pacheco, professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Embora os compostos poliméricos abordados na NBR 16590 sejam restritos à alvenaria de vedação, já há estudos para aplicação em alvenaria estrutural. “Ainda são estudos laboratoriais, para que, antes de iniciar a elaboração da parte da norma, todos estejam tranquilos que o resultado será adequado”, revela o engenheiro civil Bernardo Fonseca Tutikian, coordenador geral do Instituto Tecnológico em Desempenho e Construção Civil (itt Performance).

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Diferença entre junta fina (alvenaria em primeiro plano) e junta tradicional (alvenaria em segundo plano)
Crédito: acervo/ Grupo FCC

VANTAGENS E DESVANTAGENS

A aplicação das argamassas poliméricas é feita diretamente da embalagem, eliminando o consumo de água e dispensando a mistura de insumos (areia e cimento). “As maiores vantagens são diminuição do desperdício, aumento da produtividade e maior uniformidade das paredes”, elenca Tutikian.

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A argamassa polimérica dispensa a mistura de água,
areia e cimento (acervo/ Grupo FCC)

A boa flexibilidade dessa solução permite, ainda, melhores acomodações das deformações. No entanto, devido à junta fina, é preciso tomar cuidado com alguns detalhes construtivos, como na coordenação modular da alvenaria, uma vez que os blocos são fabricados em padrões para assentamento com argamassa de 10 mm (em geral, são fabricados nas dimensões de 9x19x39 cm ou 14x19x39 cm).

CONSIDERAÇÕES DA NORMA

A primeira parte da NBR 16590 trata dos requisitos para produção da argamassa polimérica. “Ela especifica o padrão mínimo do material para garantir a qualidade, além de indicar as propriedades e informações que devem constar na embalagem do produto”, conta Pacheco.

Além disso, também há requisitos para a qualidade do sistema construtivo como um todo, com menção à norma de desempenho (NBR 15575/2013). Por sua vez, a segunda parte da norma descreve os métodos de ensaio e condições de aceitação dos lotes ensaiados.

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Alvenarias estrutural e de vedação: diferenças e vantagens

Colaboração técnica

Bernardo Fonseca Tutikian – coordenador geral do Instituto Tecnológico em Desempenho e Construção Civil (itt Performance), professor-doutor do curso de engenharia civil e dos programas de pós-graduação em engenharia civil e arquitetura e urbanismo da Unisinos.
Fernanda Pacheco – mestre em engenharia civil, atua nas pesquisas de durabilidade e desempenho mecânico do itt Performance. Atualmente, ministra as disciplinas de análise estrutural e construção civil no curso de engenharia civil da Unisinos.