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Aditivos são essenciais para o concreto atingir sua ótima composição

A dosagem deve ser objeto de ensaios laboratoriais, depois confirmada em concretagem piloto para se chegar à definição dos insumos e suas quantidades

Publicado em: 10/12/2021Atualizado em: 01/02/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Aditivos para concreto
A aplicação dos aditivos pode ser realizada pela central de concreto (Foto: touch1976/Shutterstock)
Podem promover ao concreto características no estado fresco que permitam atender aos requisitos de projeto como fluidez, trabalhabilidade, tempos de pega, autoadensamento, baixa exsudação e segregação, entre outros
Geniclesio Ramos dos Santos

Os aditivos têm a função de proporcionar características especiais ao concreto. Adicionados em quantidade geralmente não superior a 5% da massa de ligante total, esses produtos químicos modificam as propriedades do concreto no estado fresco e/ou no estado endurecido.

“Podem promover ao concreto características no estado fresco que permitam atender aos requisitos de projeto como fluidez, trabalhabilidade, tempos de pega, autoadensamento, baixa exsudação e segregação, entre outros”, ensina o engenheiro Geniclesio Ramos dos Santos, diretor Técnico na GMG Engenharia e Consultoria, e professor de cursos da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Já no estado endurecido, o concreto pode ter suas resistências aumentadas devido ao uso de aditivos, a relação aglomerante x resistência reduzida e, até mesmo, a redução de uso de insumos que emitem grandes quantidades de carbono em sua produção.

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Tipos de aditivos

A norma NBR 11760-1 define 16 tipos de aditivos para concreto de cimento Portland:

• redutor de água Tipo 1/ RA1; RA1-R; RA1-A;
• redutor de água Tipo 2/ RA2; RA2-R; RA2-A;
• controlador de hidratação – CH;
• acelerador de pega – AP;
• acelerador de resistência – AR;
• acelerador de pega para concreto projetado – APP;
• compensador de retração – CR;
• redutor de retração – RR;
• incorporador de ar – IA;
• incorporador de ar para concreto leve - IA-L;
• redutor de corrosão – RC;
• modificador de viscosidade retentor de água - MV-RT;
• modificador de viscosidade anti-segregante - MV-AS;
• redutor de absorção capilar – RAC;
• redutor de permeabilidade – RP;
• aditivos para concreto vibroprensado – CVP.

De acordo com o engenheiro, os mais utilizados são os redutores de água tipo 1 e tipo 2. Os redutores do tipo 1 são também conhecidos como polifuncionais e plastificantes. Já os que compõem o tipo 2 são os superplastificantes, hiperplastificantes e mid range. “Os demais aditivos são normalmente auxiliares a esses dois primeiros. Dependendo do mercado –concreteira, pré-fabricados, obras de infraestrutura –, o uso dos redutores de água tipo 1 e tipo 2 pode chegar a 100% dos aditivos utilizados nos projetos”, informa Santos.

Dosagem

Todo e qualquer aditivo precisa ser testado preferencialmente em laboratório para ter sua dosagem ótima inicial estimada e, posteriormente, confirmada em concretagem piloto para definição dos insumos e suas quantidades. “Normalmente isso não ocorre e, muitas vezes, a quantidade e a combinação dos aditivos não são otimizadas para permitir o melhor custo-benefício”, comenta.

A aplicação dos aditivos para concreto pode ser realizada pela central de concreto no momento da mistura inicial, ou quando na chegada ao local de aplicação, ou, ainda, ser adicionado totalmente no destino. O tipo de projeto, a distância de transporte e os requisitos técnicos do concreto no estado fresco e no estado endurecido irão definir a melhor logística de aplicação dos aditivos, os tipos e suas dosagens.

Erros comuns

Infelizmente não é tão simples quanto parece utilizar um aditivo para concreto. Demanda estudos prévios para serem aplicados com a melhor performance possível
Geniclesio Ramos dos Santos

“Infelizmente não é tão simples quanto parece utilizar um aditivo para concreto. Demanda estudos prévios para serem aplicados com a melhor performance possível. Porém, em geral, os projetos não possuem esse tempo planejado para tais estudos. Além disso, na maioria dos casos, não dispõem de profissionais qualificados para definir, através de estudos, os tipos, quantidades e formas de utilização. Com isso, acabam apelando para o método da tentativa e erro, resultando em prejuízos ao concreto, seja de cunho econômico, técnico ou ambiental”, ressalta.

Os erros mais comuns são superdosagem, uso de aditivos incompatíveis com os insumos e subdosagem. Quando há superdosagem, o concreto pode levar dias ou até mesmo semanas para endurecer, podendo até mesmo comprometer sua resistência final. No caso da incompatibilidade, o aditivo ou um conjunto de aditivos pode não atingir uma performance adequada, em função da incompatibilidade com os insumos, principalmente com os aglomerantes. Já na subdosagem, o concreto pode ser produzido longe da sua composição ótima em decorrência da baixa dosagem do aditivo.

Norma técnica

Os aditivos para concreto de cimento Portland no Brasil são orientados pela ABNT NBR 11768 em suas três partes:

• Aditivos químicos para concreto de cimento Portland – Parte 1 – Requisitos;
• Aditivos químicos para concreto de cimento Portland – Parte 2 – Ensaio de desempenho;
• Aditivos químicos para concreto de cimento Portland – Parte 3 – Ensaio de uniformidade.

Colaboração técnica

Geniclesio Ramos dos Santos
Geniclesio Ramos dos Santos – Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com pós-graduação em Engenharia de Túneis. Mestrando em Materiais de Construção Civil na UFPE e pós-graduando em Química Geral e Industrial. Diretor Técnico na GMG Engenharia e Consultoria e consultor em projetos de infraestrutura e indústrias no segmento de concreto, argamassa e materiais de construção não convencionais como adesivos, revestimentos poliméricos, impermeabilizações, entre outros materiais. Também presta consultoria para indústrias químicas no Brasil e no exterior. Tem participação nos comitês de revisão e desenvolvimento de normas da ABNT.