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Aeroporto do Rio Branco pode atender 2,4 milhões de usuários por ano

Obras no Plácido de Castro dobraram a capacidade do terminal de passageiros e recuperaram a pista de pousos e decolagens. Terminal atende às aviações doméstica e internacional

Publicado em: 18/06/2018

Texto: Juliana Nakamura


Obra de expansão foi inaugurada em março de 2018 (foto: Arquivo Secom / Notícias do Acre)

Orçada em R$ 178,2 milhões, a ampliação do Aeroporto Plácido de Castro, em Rio Branco, no Acre, foi inaugurada em março de 2018 aumentando a capacidade operacional de 1,3 milhão para 2,4 milhões de usuários por ano. Localizado a 18 quilômetros do centro da capital acreana, o terminal atende às aviações doméstica e internacional, geral e militar, mantendo operações de companhias aéreas regulares, táxis aéreos e aviação geral.

ESCOPO DOS SERVIÇOS

As obras ocorreram por meio de dois contratos. O primeiro, firmado com o Consórcio Rio Branco, (EPC e Conserva) foi responsável pelos trabalhos nas pistas, pátio e áreas de movimento do aeroporto. Um segundo contrato foi firmado com a Tecon para a reforma e ampliação do terminal de passageiros.

A intervenção previu uma série de ajustes para dobrar a área das salas de embarque de desembarque doméstico, que passaram a ter 779 m² e 825 m² respectivamente. O aeroporto também ganhou novas salas de embarque e desembarque internacional, com área de 227 m² e 571 m² respectivamente. A circulação foi incrementada com a instalação de elevador, escada rolante e de nova esteira para restituição de bagagens.

Com problemas estruturais, a pista de pouso e decolagem demandou a remoção de todas as camadas do pavimento (cerca de 1,30 m de profundidade) antes da recomposição da base e aplicação de novo asfalto. O sistema de drenagem também foi substituído, incluindo a troca de todo o material de base do pavimento no eixo da pista em uma largura de 12 metros. “Para isso, usamos pedra rachão, que aumenta o suporte e não expande quando em contato com água”, conta o engenheiro Adélcio Guimarães Filho, superintendente de engenharia da Infraero.

O engenheiro explica que não adiantaria melhorar o suporte se a água continuasse a entrar em contato com as camadas de terraplenagem. O solo da região é muito expansivo e quando entra em contato com água pode ampliar-se até 12%. Por isso o projeto previu a construção de drenos longitudinais profundos margeando todas as pistas e pátio, além da utilização de mantas, britas e tubos perfurados para coletar água em excesso e transportá-la para o sistema de macrodrenagem executado com valetas trapezoidais de mais de um metro de profundidade.

OBRAS COM AEROPORTO EM FUNCIONAMENTO

Um dos maiores desafios em realizar obras em pistas de aeroportos em funcionamento é conciliar a realização dos serviços com as operações complexas desse tipo de infraestrutura. Em Rio Branco, uma das primeiras medidas tomadas foi a alterar a malha viária, levando todos os voos comerciais para o período noturno para viabilizar a realização das obras na pista durante o dia.

Um complicador no aeroporto acreano foi o importante tráfego de táxis aéreos, responsáveis pelo transporte de mantimentos, valores, medicamentos e pessoas entre Rio Branco e municípios não acessados por rodovias. “Como essas aeronaves muitas vezes trabalham apenas com operação visual, não foi possível transferir esse tráfego para o período noturno. O planejamento teve de prever a interdição de apenas metade da pista de pouso durante o dia”, revela Guimarães Filho.

ARQUITETURA REGIONAL

A reforma e ampliação do aeroporto Plácido de Castro tomou como base o projeto elaborado e doado pela arquiteta e primeira-dama do estado, Marlúcia Cândida. Segundo ela, o trabalho buscou assegurar conforto aos usuários reforçando a identidade regional. Daí o forro de madeira ondulado, com ondas que remetem às águas dos rios locais, e os pilares metálicos externos que suportam a cobertura e fazem referência às árvores da floresta. Para a montagem dessa estrutura, aliás, optou-se por comprar os tubos metálicos e realizar a montagem/soldagem antecipadamente. Içadas por caminhão munck e parafusadas no local, cada árvore é apoiada em estacas e um bloco de fundação.

EQUIPAMENTOS PESADOS

Além do caminhão munck, várias máquinas e equipamentos foram mobilizados para a ampliação do aeroporto de Rio Branco. Para viabilizar os serviços realizados na pista foram usados escavadeiras, caçambas, rolos compactadores e pavimentadoras, bem como uma usina para produzir massa asfáltica. Já na reforma e ampliação do terminal, entraram em cena guindastes para elevar estruturas e equipamentos pesados, a exemplo dos chillers do sistema de ar-condicionado, içados até a cobertura.

Colaboração técnica

Adélcio Guimarães Filho – Engenheiro-civil, é superintendente de engenharia da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária)