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Ar condicionado, eficiência e saúde

Projetos devem abranger o controle ideal de temperatura, umidade, filtragem, difusão e renovação de ar.

Publicado em: 03/08/2011

Texto: Redação AECweb



Entrevista: Carlos Kayano

Ar condicionado, eficiência e saúde

Redação AECweb

A especificação de sistemas de climatização passa, necessariamente, pelo projeto bem conceituado e dimensionado para se obter a funcionalidade das instalações, eficiência energética e saúde para o ambiente e as pessoas. O engenheiro Carlos Kayano, presidente do Departamento Nacional de Empresas Projetistas e Consultores da ABRAVA - Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento, em entrevista ao AECweb, fala sobre as a evolução dos equipamentos e as tecnologias existentes hoje, e detalha os sistemas norte-americanos e japoneses. Para ele, o bom projeto é aquele que conceitua e dimensiona, o que abrange o controle da temperatura, umidade, filtragem, difusão e renovação de ar.

AECweb - Quais os impactos dos sistemas de ar condicionado sobre os recursos naturais?
Carlos Kayano
- Dependendo do sistema, temos que considerar o consumo de energia e, também, de água. Estão ainda em operação muitos dos equipamentos mais antigos, que usam gás refrigerante CFC (composto de clorofluorcarbono) e impactam a camada de ozônio. Mundialmente, foi suprimida a produção desse gás e, depois, dos equipamentos que o utilizam. As máquinas instaladas têm a opção de passar por reforma, adaptando-se a um gás alternativo e não agressivo. Porém, a máquina perde capacidade. E, se o edifício desejar a certificação LEED, terá que substituir todo o sistema, pois o selo não aceita tecnologias que utilizam este tipo de gás refrigerante. As máquinas novas já não usam o CFC, mas tem muitas que ainda adotam o HCFC – menos nocivo.

AECweb – O que existe de mais atual em tecnologia de ar condicionado?
Kayano -
O princípio básico de refrigeração não mudou. A evolução foi da tecnologia para o condicionamento do ar de maneira mais eficiente. Graças ao desenvolvimento dos trocadores de calor, dos compressores e dos controles, desde o equipamento de menor até o de maior porte, se tornaram mais silenciosos e eficientes. Nas residências, por exemplo, o que se tinha no passado eram os equipamentos de janela ou o condicionador grande que exigia dutos pela casa inteira, não tinha controle individual e obrigava a refrigerar toda a edificação, mesmo que o morador estivesse ocupando um só ambiente. Já há algum tempo temos os splits, e ainda, os splits múltiplos com tecnologia inverter e controle digital, uma boa evolução.

AECweb – E quanto aos equipamentos de grande porte?Kayano –
Todos os componentes dos grandes sistemas passaram por melhoria expressiva em consumo e desempenho. Antigamente, esses equipamentos utilizavam a tecnologia de condensação à água e, aí, querendo ou não, o prédio elevava seu consumo de água. Com o advento do chiller com condensadores resfriados a ar de grande capacidade, aumentou o consumo de energia, porém não se usa água. Mas, se abriu com essa tecnologia uma nova opção, especialmente para locais onde há problemas de abastecimento de água ou a água é de má qualidade, situação que compromete o funcionamento da máquina.

AECweb – Por que?
Kayano –
Solução mais barata, a maioria dos equipamentos de resfriamento de água de condensação opera em sistema aberto, ou seja, a água é resfriada pelo contato que faz com o ar. O resfriamento se dá porque, ao evaporar, a água rouba calor – o que leva ao consumo de água. Nesse processo, a sujeira da água fica no equipamento, caso ela não seja tratada, trocada, reposta. Há quem utilize água de poço para o sistema de condicionamento. Essa pode ser uma água muito ‘dura’ e o excesso de elementos químicos nela contidos vão se depositando na tubulação, até fechá-la.

AECweb – Em quais países a tecnologia está mais se desenvolvida?
Kayano –
A tecnologia mais amplamente divulgada, inclusive no Brasil, é a norte-americana. Os maiores fabricantes estão lá e o mercado daquele país é muito grande. A outra linha tecnológica é a do sistema VRF (Volume de Refrigerante Variável), típica dos países asiáticos, cuja origem é o Japão. Há, na Europa, grandes fabricantes também, mas para um mercado local. No Brasil, ainda tem uma escola grande a favor dos sistemas norte-americanos e, aos poucos, vem aderindo aos equipamentos asiáticos. Eu diria que no nosso mercado, o segmento para instalações de conforto de médio porte já está dividido, meio a meio.

AECweb – É possível falar em custo-benefício de cada uma dessas tecnologias?
Kayano –
Essa avaliação depende de cada caso. Os equipamentos asiáticos foram desenvolvidos para o conforto, são padronizados e de pequeno porte. Um edifício, portanto, pode ter um sistema composto por vários equipamentos pequenos. Por outro lado, tem o sistema de água gelada, com condicionadores e estrutura centralizados e de grande dimensionamento, e que pode atender a situações mais específicas de tratamento de ar (filtragem fina, precisão de controle, altas taxas de umidade relativa, etc). São conceitos diferentes, tanto no aspecto técnico quanto comercial. Tem, ainda, a situação dos condicionadores de pequeno porte que não têm uma filtragem muito boa e que leva a manutenção para dentro da sala.

AECweb – A construtora entrega o prédio com o sistema instalado?

Kayano –
Nos edifícios de escritórios, o construtor normalmente oferecia o sistema de ar condicionado completo, mas, dependendo do contrato, ele tinha que refazer ou adaptar às necessidades de layout do novo proprietário. Num segundo momento, mesmo com o sistema central, o construtor deixava semi pronto e esperava o novo proprietário ocupar o prédio e completar o sistema. Agora, com os equipamentos do tipo mini-split, radicalizou, ao optar por não fornecer nem mesmo a infraestrutura. Se desejar um sistema centralizado de água gelada num edifício previsto para mini-split ou VRF, esse usuário necessitará fazer uma grande reforma para conseguir instalar. Há, ainda, os empreendedores que vislumbram um potencial cliente com perfil voltado para a tecnologia da água gelada e já fazem o sistema orientado por essa percepção. Outros, querem construir para vender rápido, sem se preocupar com os custos operacionais que serão arcados pelos ocupantes. Neste caso, ou adota o sistema mais barato, ou aquele em que entrega o mínimo possível e deixa todo o resto do investimento por conta do ocupante.

AECweb – Quais são as medidas para que o ar condicionado seja adequado à saúde humana?
Kayano –
Há, pelo menos, cinco aspectos do sistema de climatização a serem conceituados e dimensionados em projeto bastante importantes para a ‘saúde’ do ambiente: controle da temperatura, umidade, filtragem, difusão e renovação de ar. Para se obter resultados satisfatórios em um projeto, é preciso levar em conta a experiência da empresa projetista e o bom atendimento com fornecimento de informações detalhadas sobre as alternativas existentes e as soluções recomendadas. É preciso procurar empresas sérias, que tenham em seu currículo serviços com aplicação, porte e complexidade semelhantes ao trabalho a ser executado, e de acordo com as normas técnicas em vigor e apresentem documentação de projeto completa e bem detalhada.

Redação AECweb


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Ar condicionado, eficiência e saúde Carlos Kayano
é engenheiro mecânico graduado pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP em 1981. Iniciou sua carreira no setor de orçamento da Aerovento, fabricante de ventiladores industriais, seguindo para a função de engenheiro de aplicações na Coldex Frigor, no desenvolvimento do mercado de compressores. Atuou como engenheiro de projetos da 3M do Brasil. Atualmente ocupa o cargo de diretor da Thermoplan e é presidente do Departamento Nacional de Empresas de Projetistas e Consultores da Abrava, já tendo ocupado o mesmo cargo na gestão de 1994 a 1996. Tem participação ativa na elaboração de Normas da ABNT, Intruções Técnicas do Corpo de Bombeiros e é membro da Ashrae desde 1996.