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Argamassa de revestimento é usada na maioria das construções brasileiras

Fácil de produzir e de aplicar, produto deve apresentar espessura, cura e resistência de aderência à tração, conforme estabelecido na norma NBR 13749:1996

Publicado em: 06/11/2012

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

Apesar do desenvolvimento tecnológico dos sistemas construtivos, ainda não existe outro tipo de revestimento para paredes externas que concorra com a argamassa obtida com a mistura de cimento, cal, areia a aditivo. Para interiores, a preferência atual é o uso da argamassa de gesso nas grandes obras, porém, para o pequeno construtor, a tradicional ainda é a mais usada, explica o consultor em tecnologia de edificações, engenheiro Adailton Ferreira Gomes, coordenador do Projeto Tecnologia dos Materiais da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Acredito que, em um futuro próximo, os painéis pré-fabricados serão utilizados em maior escala nas fachadas dos edifícios”, prevê.

Para especificar corretamente a composição da argamassa para cada situação, o professor diz que o ideal é consultar a NBR 13749:1996 - Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas - Especificação -, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Ele alerta que não existe especificação para a argamassa industrializada e que cabe ao fabricante informar as características do produto ao construtor. Este, por sua vez, deve solicitar a um especialista que avalie o que lhe foi apresentado. “O profissional mais adequado para realizar esta avaliação é o projetista de sistema de revestimento com argamassa, que tenha conhecimento das características físicas e químicas dos materiais disponíveis no local da obra, e do desempenho das argamassas em função das ações ambientais da região”, orienta.

Cabe ao projetista estabelecer os requisitos da argamassa de acordo com a utilização prevista. Recomenda-se que sejam realizados painéis testes na obra, com a finalidade de comparar o desempenho das argamassas disponíveis. Na opinião do professor, é importante respeitar a cultura local e a maneira de trabalhar do pedreiro, que é o responsável pela obtenção da qualidade do revestimento acabado. A qualidade da argamassa preparada na obra depende dos materiais que a compõe.

Nesse caso, o arquiteto deve seguir as referências das normas técnicas, que indicam os limites e critérios a serem atendidos, verificando o prazo de validade dos produtos industrializados. Sempre que possível, é conveniente fazer testes rápidos no canteiro de obra, para verificar as características dos materiais recebidos. Segundo o professor é difícil falar em “padrão” de qualidade. “Independente do seu uso, a argamassa tem que atender à função a que se destina, ou seja, ser durável, resistir às solicitações internas e externas”, diz.

Normas tÉcnicas

A NBR 13749:1996 estabelece limites para o revestimento quanto a prumo, espessura, nivelamento e aderência, sem fixar condições para os diversos tipos de argamassa para revestimento. “Existem métodos de ensaios para caracterização da argamassa fresca e endurecida, mas ainda falta estabelecer os parâmetros que as argamassas devem seguir para atender os requisitos dos diversos sistemas de revestimento executados com ela”, afirma Gomes. Outra crítica do professor é em relação à norma NBR 13281:2005 - Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos — Requisitos. “Ela apresenta sete tabelas, dividindo o produto em classes, mas não relaciona as diversas classes com o tipo de revestimento a ser executado” diz.

O professor orienta, entretanto, que o produto preparado no canteiro também deve seguir as normas. Gomes lembra que toda argamassa de revestimento interno e externo com acabamento decorativo cerâmico, independente de seu preparo, deve apresentar resistência de aderência à tração, conforme estabelecido na norma NBR 13749:1996, assim como a espessura da camada e outros cuidados necessários durante a execução, inclusive a cura.

ComposiÇÃo

A dosagem de areia, cal, cimento e aditivos para obter a argamassa de revestimento ideal para cada situação deve ser definida por laboratório especializado, seguindo as orientações do projetista. Este deve indicar os parâmetros necessários para determinar as proporções dos materiais, conforme suas características. A argamassa para revestimento externo tem composição diferente da indicada para ambiente interno. A usada nas paredes externas deve resistir a solicitações mais rigorosas. Entretanto, Adailton Gomes diz que, muitas vezes, para facilitar a produção e o controle da argamassa no canteiro de obras, utiliza-se a mesma argamassa, tanto interna quanto externamente.

AplicaÇÃo

A argamassa pode ser aplicada manual ou mecanicamente. Em função da carência atual de mão de obra, a argamassa projetada tem sido muito empregada pelas construtoras. Gomes ressalta que para cada local deve-se utilizar uma argamassa específica e alerta que a argamassa multiuso deve ser tratada com ressalvas. “Cada tipo de argamassa deve ter seu uso bem definido. E seu processo de aplicação deve ser conhecido”, orienta.

ManutenÇÃo

Como a argamassa é um dos componentes do sistema de revestimento, ela fica condicionada ao desempenho dos outros materiais que o constituem. As tensões não absorvidas pela base, por exemplo, poderão afetá-la. A manutenção preventiva possibilita verificar o estado físico da argamassa aplicada, indicando se há necessidade de reparos. A frequência da verificação do estado físico depende do ambiente em que a edificação está inserida. Em situação normal, recomenda-se verificar o estado físico no primeiro ano, quando as deformações são mais acentuadas, e, posteriormente, a cada dois anos durante a vida útil do edifício.

CertificaÇÃo

A extração e manejo dos agregados, assim como os processos de fabricação dos aglomerantes e os cuidados com o preparo e aplicação da argamassa devem atender os requisitos da sustentabilidade. As grandes empresas estabelecem critérios para aceitação das argamassas industrializadas e credenciam os fornecedores que atendem aos seus requisitos. “A Associação Brasileira de Argamassas Industrializadas (ABAI) investe na realização de pesquisas e na qualificação das argamassas produzidas pelos seus associados e, possivelmente, terá, em breve, um critério para certificação das argamassas fabricadas por seus filiados”, informa Gomes.

É BOM SABER

Dúvidas

Segundo o engenheiro Adailton Gomes, são muitas as questões levantadas pelos profissionais responsáveis pela execução dos sistemas de revestimentos das edificações, como manutenção, vantagens e composição da argamassa. Entretanto, a mais comum se refere à especificação, aos requisitos que deve ter para que seja considerada um produto de qualidade.

Como comprar

Na aquisição dos materiais é recomendável verificar previamente a qualidade do produto a ser adquirido, conforme as exigências das normas, bem como as condições de atendimento do fornecedor. Durante a produção, deve-se atentar para a regularidade nas características do produto adquirido, considerando, inclusive, o peso dos sacos no caso de a argamassa ser fornecida nesta modalidade. A produção da argamassa (mistura, transporte e armazenamento) deve ser acompanhada por um profissional treinado, de modo a garantir a homogeneidade do produto ao longo da execução dos sistemas de revestimento.

Vantagens

A vantagem da argamassa em relação a outras opções de revestimento está no fato de ser fácil de produzir e aplicar com a mão de obra disponível. Além disso, o desempenho do produto é conhecido. Prevalecem, ainda, a questão cultural e os sistemas construtivos adotados pelas construtoras brasileiras.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Adailton de Oliveira Gomes – Engenheiro Civil, mestre em Engenharia Ambiental Urbana, professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisador e consultor em tecnologias de concreto e argamassa. Fundador e Coordenador do Projeto Tecnologia dos Materiais da Escola Politécnica da UFBA, cujas atividades incluem ensaios para caracterização e qualificação de materiais de construção, especialmente agregados, argamassa, concreto, blocos cerâmicos e de concreto, aço e fibras em geral. Coordenou a Rede Reciclar Bahia; criou e coordenou o Centro Tecnológico de Argamassa (CETA); instrutor em cursos de atualização de profissionais da Construção Civil; autor e coautor de diversos trabalhos publicados em livros, revistas e anais; foi sócio gerente da Prates Engenharia. É consultor em tecnologia de edificações de construtoras como a Norberto Odebrecht, Santa Helena, MRM entre outras. Realizou mais de 200 projetos de sistemas de revestimentos em pisos e fachadas de edifícios em Salvador, Aracaju e Maceió. Em projetos de sistemas de revestimento atua em conjunto com a engenheira Célia Neves desde 1995.