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As estratégias para enfrentar o aumento nos preços dos materiais

Antecipação de compras e contratos de longo prazo são algumas das soluções adotadas por incorporadoras para lidar com o problema. Conheça outras a seguir!

Publicado em: 20/10/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: Shutterstock)

Vários fatores se somaram desde o início da pandemia, em fevereiro de 2020, para resultar no aumento exacerbado dos preços dos materiais de construção. A desarticulação da cadeia internacional de fornecimento, o aquecimento inesperado do consumo interno e a redução da produção nos primeiros meses daquele ano foram fatores preponderantes.

O setor entrou em 2022 com a crise sanitária arrefecida, porém, o custo Brasil, especialmente a elevação dos juros e a inflação, colaborou mais uma vez para manter os preços em alta. De acordo com o IBGE, entre janeiro e agosto, o aumento foi de 9,31%.

Analisando o cenário retroativo, o engenheiro Angel Ibanez, diretor de Suprimentos e Sustentabilidade da Tegra Incorporadora, considera que, nos primeiros meses de alta dos preços, só se salvou quem tinha contratos de longo prazo. “Passamos pela falta de boa parte de itens, porque muitas fábricas fecharam. Naquele momento, ninguém sabia o que ia acontecer com o consumo”, observa.

Logo em seguida, veio a retomada da demanda tanto pelas obras das construtoras quanto da autoconstrução. Essa explosão do consumo de materiais de construção colaborou para jogar o preço para cima. “Quem não tinha contratos de longo prazo se viu diante de dois problemas: conseguir o material e, ainda, pagar o preço da prateleira”, destaca.

Quem não tinha contratos de longo prazo se viu diante de dois problemas: conseguir o material e, ainda, pagar o preço da prateleira
Angel Ibanez

Já no início de 2021, quando se acreditava que a pandemia caminhava para o fim, veio nova onda. Os juros permaneciam baixos, o auxílio emergencial teve continuidade e a demanda continuou alta. “Os contratos tinham chegado ao fim e ninguém conseguia renová-los”, diz, citando itens como aço, cimento, argamassa, madeira.

As louças e cerâmicas também apresentaram problemas seríssimos de abastecimento. “Para todos eles, conseguíamos validade de preços para, no máximo, 60 dias e, quando não, de um mês”, fala Ibanez.

Compras antecipadas

Ao longo de 2021, uma das estratégias empregadas pela Tegra para mitigar os aumentos de preços foi a mudança na forma de negociar boa parte dos insumos. “Decidimos antecipar todas as compras possíveis, mesmo dos materiais que não utilizaríamos em curto prazo nos canteiros”, conta, referindo-se a cabos de cobre, alumínio, fôrmas e portas de madeira e elevadores. Ele reforça que antecipar as compras significou comprometer recursos a frente, adequando a ação ao cronograma financeiro das obras.

Decidimos antecipar todas as compras possíveis, mesmo dos materiais que não utilizaríamos em curto prazo nos canteiros
Angel Ibanez

A medida levou ao desafio logístico de onde armazenar os itens adquiridos. Alguns fornecedores conseguiram acomodar o material em suas fábricas. Outros não, e a obra por sua vez não tinha como receber. “Adotamos, então, duas soluções. A primeira foi alugar alguns espaços para o armazenamento provisório do que foi comprado. Isso não é tradicional e pediu uma série de medidas complementares, como contratação de seguro e de segurança para os materiais, além de custos com logística”, explica.

A operação, porém, foi vantajosa. Um bom exemplo foi o que aconteceu com o preço do cobre. “Se, em janeiro de 2021, não tivéssemos comprado, quando a obra precisou em outubro, o aumento no preço foi tamanho que a diferença pagou com folga o custo adicional com o armazenamento”, fala Ibanez. Com isso, a empresa se protegeu de boa parcela dos aumentos.

O problema se arrastou em 2022, especialmente no primeiro semestre, porém de forma menos acentuada. O aumento nos preços registrado pelo IBGE até agosto coincide com o INCC do período, que reflete o dissídio de 13% dos salários dos trabalhadores do setor, repondo a inflação do ano anterior.

“Materiais como cobre, madeira e aço já não registram aumentos de preços. Já os do alumínio continuam pressionados, por estar associado à indústria de sistemas de energia renovável de turbinas eólicas e painéis fotovoltaicos. Antecipamos a compra no início deste ano e estamos fazendo outra agora”, explica.

No último trimestre de 2022, a política de compras na Tegra retomou a operação padrão, buscando contratos de longo prazo. “Mas temos que monitorar muito de perto, porque o cenário é ainda muito incerto”, alerta.

Boa parte da logística internacional de fornecimento está mais bem resolvida, porém, ainda há problemas muito sérios. É o caso da indústria de elevadores, que está sofrendo bastante com a falta de semicondutores, o que só deve se resolver no primeiro semestre do próximo ano. “É uma indústria com produção nacional, mas que depende de componentes importados”, diz.

Estratégias complementares

O diretor garante que o panorama adverso desse longo período não impactou as entregas de empreendimentos da empresa em 2021. “Trabalhamos muito para não prejudicar nossa operação. Ainda assim, este ano tivemos alguns atrasos, mas dentro da carência contratual”, conta, acrescentando que ninguém no mercado chegou a substituir produtos, até porque são devidamente especificados no memorial de vendas. “Sabemos, no entanto, que o setor sofreu muito com os custos e, especialmente, com os prazos de entrega”, observa.

É possível encontrar, ainda, produtos multiúso, que podem ser utilizados para o revestimento de paredes, bem como no assentamento de blocos de alvenaria de vedação.

Alguns fabricantes desenvolvem argamassas cimentícias brancas especialmente desenvolvidas para assentamento de blocos de vidro, e argamassas refratárias, resistentes a altas temperaturas, para assentamento de blocos e tijolos em lareiras, fornos e churrasqueiras.

A crise vivida mundialmente acelerou a busca por projetos mais eficientes e a industrialização da construção. Hoje, todo o setor tem o desafio de reduzir o número de pessoas na obra e aumentar o uso de sistemas produzidos off-site, de maneira que predomine a montagem no canteiro.

Ibanez relata que está em execução o segundo empreendimento da empresa executado com fachada pré-moldada em concreto. “Ela vem pronta, pintada, já com as esquadrias instaladas”, diz.

Pela primeira vez, a Tegra está fazendo uma obra com banheiros prontos. “Eles chegam em caminhões, sobem pela grua e são instalados nos pavimentos totalmente finalizados, com cerâmica, louça, espelho, bancada. Vêm com ponto de energia e hidráulica, bastando à equipe de obras conectar com a rede do prédio”, detalha, falando que já é padrão nas suas obras o uso de kits hidráulicos ou PEX.

A empresa também emprega a linha de sistema pré-fabricado de esgoto sanitário com saída totalmente horizontal do piso do box, bacia e pia. O benefício é que diante de eventual vazamento, no futuro, não haverá interferência no pavimento de baixo.

O sistema elétrico, também industrializado, é o chamado “polvo”, eletroduto que já vem com a fiação instalada e sob medida. “É uma caixinha instalada no teto e as mangueiras descem como se fossem os tentáculos do polvo, já com a fiação passada que vai até os pontos de tomada e interruptor”, explica.

Projetos eficientes

A opção por sistemas off-site pede projetos de arquitetura eficientes, desde a sua concepção. Ao ser certificada como Empreendedor AQUA-HQE, a Tegra desenvolve projetos com uma série de critérios que apontam para a eficiência dos projetos.

“Eles já nascem prevendo melhor conforto, ventilação, iluminação, consumo de água e energia. Ou seja, não é possível executar um projeto com fachada pré-moldada, por exemplo, sem essas premissas”, ressalta o diretor.

Contato

(11) 99654-7738

Colaboração técnica

Angel Ibanez – Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia Mauá (1997), com mestrado no IBMEC (2007) e pós-graduação em Real Estate na FIA Business School (2013). Tem ampla experiência no setor da construção e incorporação. Atuou em importantes empresas, como a Método, Gafisa, Tenda, PDG e Alphaville, nas quais liderou processos de restruturação e formação de áreas de suprimentos. Atualmente, é diretor de Suprimentos e Sustentabilidade da Tegra Incorporadora.