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Atualização do sistema elétrico em edificações pode trazer economia

Ações de modernização – como troca de equipamentos e reformas – são capazes de proporcionar de 15 a 20% de redução de custos com energia elétrica. Saiba mais

Publicado em: 28/11/2017Atualizado em: 08/12/2017

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

As constantes elevações nos valores das tarifas de energia representam custos ainda maiores para edificações com sistemas elétricos defasados. Afinal, esse tipo de circuito acaba consumindo mais eletricidade do que os atualizados. Para solucionar o problema, há uma série de ações a serem realizadas. “Nesses casos, é normal encontrar potenciais economias de 15 a 20% em edifícios comerciais, com retorno financeiro de três anos ou menos”, diz o engenheiro Edward Borgstein, especialista em eficiência energética e titular da Mitsidi Projetos.

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O investimento na modernização do sistema pode garantir a redução do consumo de energia (foto: shutterstock/franz12)

Entre as intervenções que podem ser executadas estão medidas de gestão da operação, sem envolver valores financeiros; ações de melhoria da manutenção ou correção de sistemas, com baixo custo; e a troca de equipamentos e reformas de edifícios, que implicam investimentos mais altos, mas que se pagarão ao longo do tempo.

OS VILÕES DO CONSUMO

Buscamos sempre executar os retrofits em conjunto com outras reformas necessárias. Chamamos esses momentos de ‘pontos de oportunidade’
Edward Borgstein

Tanto em empreendimentos residenciais, incluindo os unifamiliares, quanto nos comerciais, um dos sistemas que mais usa energia é o ar-condicionado. Esse protagonismo pode variar dependendo da tipologia da solução e do clima local, porém não deixa de ser uma tecnologia que sempre aparece entre as grandes consumidoras de eletricidade. Já nos prédios comerciais, o setor de TI, devido aos data centers, por exemplo, costuma se sobressair nesse ranking.

No entanto, nem sempre é verdade que esses sistemas precisam passar pelo processo de atualização visando a eficiência. Antes de qualquer tipo de mudança, o primeiro passo é buscar a melhor gestão da energia, através de profissional especializado. “Com essa ação, será possível identificar os sistemas e soluções mais adequados para o edifício ou portfólio de empreendimentos”, fala Borgstein.

ATUALIZANDO O SISTEMA ELÉTRICO

Gerenciamento da operação é o processo que envolve a verificação do desempenho do sistema elétrico. Caso essa ação determine a necessidade de alguma alteração no circuito, como a troca de equipamentos defeituosos, o procedimento pode ser executado sem maiores transtornos aos ocupantes da edificação.

No entanto, quando é constatada a exigência de reforma total do sistema, o projeto precisa ser pensado de maneira a causar o mínimo de impacto aos moradores. “Buscamos sempre executar os retrofits em conjunto com outras reformas necessárias. Chamamos esses momentos de ‘pontos de oportunidade’. É muito mais viável realizar a atualização do sistema de iluminação durante uma alteração do layout do edifício, por exemplo”, conta Borgstein.

ATRPALHANDO A EFICIÊNCIA

Desde o projeto até a fase de utilização, passando pela execução, falhas podem atrapalhar a conquista da máxima eficiência energética em um sistema. É interessante observar que há impactos de diversas causas — como erros de projeto, falta de comissionamento, alterações no uso do edifício e necessidade de atualização.

“Porém, a maior interferência é causada pela baixa qualidade dos procedimentos de operação e manutenção (O&M) e pela falta de processos organizados de gestão energética”, informa o engenheiro.

FREQUÊNCIA DE ATUALIZAÇÕES

Pensar no sistema elétrico de determinada edificação significa envolver diferentes tipos de tecnologias e materiais. Por se tratar de um conjunto bastante complexo, não é possível determinar a vida útil de toda a instalação.

O importante é acompanhar e monitorar constantemente o desempenho do sistema para saber quando será necessário substituir algum material ou reformar
Edward Borgstein

Por isso, as várias partes do projeto necessitam de análises exclusivas. “Um sistema central de ar-condicionado pode ter uma vida de 20 anos, enquanto a iluminação dura menos tempo”, exemplifica o especialista.

Assim, é difícil pensar em uma equação única para determinar a frequência ideal para sua atualização. “O importante é acompanhar e monitorar constantemente o desempenho do sistema para saber quando será necessário substituir algum material ou reformar”, recomenda o engenheiro.

ENERGIAS RENOVÁVEIS

Solução que também auxilia na redução de custos com as tarifas de energia é o uso de microgeração através de fontes renováveis. “O aproveitamento de painéis fotovoltaicos é o que tem o maior potencial no Brasil, devido ao clima e altos níveis de insolação. A tecnologia tem registrado rápida queda de preço, e, atualmente, está financeiramente atrativa em muitas regiões. A quantidade de instalações no Brasil cresce exponencialmente”, fala o engenheiro.

Porém, esta não é a única opção disponível. Entre as demais alternativas, destacam-se a cogeração (que permite a geração de energia térmica e elétrica), os equipamentos eólicos e as baterias para armazenamento de energia, adotadas em casos específicos.

ZERO ENERGY BUILDING

Atualmente, é viável projetar um edifício que produz a sua própria energia ao longo do ano, como os Net Zero Energy (Edifícios de Energia Zero). Recentemente, o GBC Brasil publicou certificação para esse tipo de empreendimento.

“Já em edifícios existentes, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) publica benchmarks que podem ser utilizados para avaliar e acompanhar o desempenho do prédio ao longo do ano, além de identificar seu potencial para melhoria. A entidade também produz guias para diagnóstico energético e eficiência energética em edifícios existentes, disponíveis em seu site na internet”, finaliza Borgstein.

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Colaboração técnica

Edward Borgstein – Engenheiro e mestre em energia pela University of Cambridge. É especialista em eficiência energética, com uma década de experiência liderando projetos e pesquisas inovadores para governos e grandes organizações na Europa e no Brasil. Fundador da consultoria multidisciplinar Mitsidi Projetos. Lidera projetos de energia no Conselho Brasileiro de Construção Sustentável.