Aumento nas tarifas de luz estimula procura por geradores

Sotreq prevê crescimento em relação a 2014 e JCB inicia vendas de grupo gerador no Brasil

Publicado em: 30/06/2015Atualizado em: 26/07/2015

Texto: Redação PE

A retração da atividade industrial e a alta nas tarifas de energia tornam díspares os negócios no setor de grupos geradores. De um lado, o parque de máquinas ocioso freou as aquisições desses equipamentos por locadoras, concessionárias e prestadoras de serviço. Por outro, a crise hídrica brasileira às vésperas de impactar o desempenho das hidrelétricas que respondem por nada menos que 70% da matriz energética, tornam iminente a necessidade das plantas de geração ou cogeração de energia.

Geralmente as construtoras optam por utilizar um grupo gerador, com intuito de obterem energia imediata e não se tornarem reféns dos impasses burocráticos necessários para o fornecimento de elevada demanda de energia em uma obra. Alguns consumidores finais também precisam manter um back-up de energia alternativa, para não dependerem totalmente da concessionária, como hospitais, estabelecimentos comerciais, hotéis, centros de convenções, indústria e o varejo no geral.

É prudente destacar que, mesmo com aumento em cerca de 50% nas contas de luz em algumas regiões, a energia fornecida pela concessionária é mais barata em relação à geração ou cogeração. Mas num projeto onde a máquina monitora a rede elétrica e detecta uma interrupção abrupta no fornecimento, acionando o grupo gerador e assumindo a carga total ou parcial do local, a segurança não tem preço.

Crescimento modesto em relação a 2014


No geral, espera-se um baixo crescimento nas vendas de grupos geradores. A dificuldade no financiamento e as taxas de juros mais altas tiveram impacto nas vendas. A Sotreq teve um aumento no número de consultas no primeiro trimestre de 2015, seja para aplicações em emergência ou para estudos de utilização de geradores em horário de ponta, no qual o uso dos equipamentos pode ser vantajoso em relação à tarifa cobrada neste período do dia (três horas por dia, com horário variando conforme a localidade).

De acordo com Sergio Padovan, gerente de vendas de Energia da Sotreq, a maior utilização de geradores é para emergência (ou stand by), onde suprem eventuais problemas no fornecimento de energia elétrica por parte das concessionárias, como interrupções inesperadas.

“Podemos afirmar que todos os segmentos da economia têm se preocupado e instalado geradores como forma de aumentar a confiabilidade de geração de energia em suas atividades, como aeroportos, hospitais, condomínios residenciais e comerciais, supermercados, shoppings centers, hotéis e indústrias dos mais variados setores”, informa Sergio Padovan.

“Ainda estamos analisando o comportamento do mercado em função das atuais circunstâncias da economia, mas o início do ano se comportou fortemente aquecido em função da preocupação com o nível dos reservatórios das usinas hidroelétricas e possibilidade de racionamento de energia”, explica Padovan.

Para 2015, a Sotreq prevê um crescimento em relação ao ano anterior, mesmo tendo conhecimento do momento econômico do país e suas dificuldades. “Energia confiável é vital para todos os segmentos e, com a retomada do crescimento econômico, acreditamos que os clientes retomarão os investimentos em grupos geradores para suas atividades. Além disso, os recentes aumentos nas tarifas de energia propiciam como alternativa a aquisição de grupos geradores também para aplicações em horário de ponta, com o retorno sobre o investimento podendo ser bastante atrativo, dependendo da avaliação caso a caso”, observa Padovan.

O diretor comercial da JCB do Brasil, Nei Hamilton, acrescenta que diante do cenário atual, com possíveis dificuldades de geração pelas usinas hidrelétricas e alto custo de energia das termoelétricas, o Ministério de Minas e Energia incentiva o uso de geradores. “A tendência é que os empresários busquem cada vez mais segurança no abastecimento de energia por meio do aluguel ou compra de fontes auxiliares”, avalia.

Aposta na venda de geradores, além da linha amarela


A JCB do Brasil recentemente passou a oferecer ao mercado uma opção de geradores. De acordo com Nei Hamilton, a intenção inicialmente é conhecer um pouco mais desse mercado sem gerar expectativas de atingir expressivos percentuais de participação. “Neste momento, estamos focados em introduzir os produtos. Temos a possibilidade de fabricá-los no Brasil, mas este não é o momento, tampouco nossa atual missão. Os geradores são importados das fábricas da Inglaterra ou da Índia”, enfatiza Hamilton.

De qualquer forma, a JCB investiu na preparação de equipe técnica e estoque de peças para garantia de serviço pós-venda. A primeira distribuidora dos geradores da marca no Brasil é a Entec, empresa localizada em Manaus (AM). Além de atender a todo o estado do Amazonas e Roraima, a Entec busca especificamente o pólo industrial da Zona Franca de Manaus, com pretensão de atingir 15% do mercado da região nos próximos três anos. “Porém os demais distribuidores também podem comercializar os geradores”, informa Hamilton.

A Sotreq fez há pouco tempo a entrega e a instalação eletromecânica de grupo gerador Caterpillar para atender às demandas de emergência no RIOgaleão – Aeroporto Internacional Tom Jobim. O grupo gerador utilizado é o modelo C175-20 com potência de 5.000 kVA, em um projeto que ainda prevê ampliação, acompanhando as melhorias do próprio aeroporto.

A Cummins produz grupos geradores de 15 a 3.125 kVA, disponíveis para todos os tipos de aplicações. Com sistemas integrados, de acordo com a empresa, os geradores incluem chaves de transferência, equipamentos de paralelismo e controles digitais, em modelos movidos a diesel e a gás, abertos ou carenados, sistemas de controle e transferência e controles digitais PowerCommand.

Colaboraram para esta matéria


Sergio Padovan
– Gerente de vendas de Energia da Sotreq

Nei Hamilton – Diretor comercial da JCB do Brasil

Cummins Power Generation