Automação da iluminação contribui para eficiência energética

Conectada a sensores de presença, de luz natural, temporizadores e regulagem de níveis de iluminação, permite a utilização da luz elétrica apenas quando, onde e pelo tempo necessário, evitando desperdícios

Publicado em: 24/09/2014

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Por Graziela Silva

AutomaçãoMódulo controlador de cenas - Scenario

Tida até pouco tempo apenas como uma tendência, a automação residencial vai se firmando como solução real – e cada vez mais acessível – para facilitar e dar comodidade ao dia a dia das pessoas. Os números no mercado brasileiro são reveladores: a taxa anual de crescimento de novos projetos chega a 35%, estima a Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside), que congrega 50 fabricantes – há 15 anos, quando foi fundada, eram somente quatro. Nesse cenário, a iluminação ganha destaque, sendo responsável por mais da metade dos projetos atuais, como informa o engenheiro José Roberto Muratori, diretor-executivo da entidade.

A domótica da iluminação conquista adeptos por inúmeras razões. Acompanha, primeiramente, a valorização do projeto luminotécnico. Se antes o padrão era entregar um imóvel com poucos pontos de luz, as construtoras estão agora atentas à demanda por customização, oferecendo mais opções ao consumidor. "Em um ambiente relativamente pequeno você tem sete, oito, dez acionamentos de luz, quando antes tinha dois. E tudo isso para tornar o espaço mais apropriado às atividades que ali serão realizadas", analisa Muratori. A sala de jantar, por exemplo, é um ambiente múltiplo: serve para jantar, ver televisão, trabalhar, receber visitas. "E a iluminação deve se ajustar a todas essas atividades".

A automação aparece, então, como ferramenta para controlar as ambientações possibilitadas pela iluminação artificial e ainda integrá-la a outros sistemas, como o de iluminação natural, climatização, segurança e até com os equipamentos de áudio e vídeo. A popularização dos smartphones e outros gadgets, gerando maior intimidade com as tecnologias, ajuda a acelerar a incorporação dos conceitos. "Depois do encantamento com os recursos da iluminação o usuário descobre que pode controlar tudo por tablet ou smartphone, definindo previamente as cenas, a intensidade da luz; e ainda checar remotamente se as luzes estão acesas ou programar para que acendam em determinado período quando estiver fora, por questões de segurança", ilustra o diretor-executivo da Aureside.

AutomaçãoMódulo Sensor - iHouse / Cubbe Minibox - Neocontrol

Eduardo Mattos, da fabricante Lutron Brasil, acrescenta: “Uma vez que adequamos a iluminação conforme a necessidade, melhoramos o conforto e a produtividade. Dia a dia, os arquitetos e as construtoras recorrem mais aos recursos da automação, até porque hoje eles estão muito mais disponíveis e amigáveis”.

REQUISITOS

Depois do encantamento com os recursos da iluminação o usuário descobre que pode controlar tudo por tablet ou smartphone, definindo previamente as cenas, a intensidade da luz; e ainda checar remotamente se as luzes estão acesas ou programar para que acendam em determinado período quando estiver fora, por questões de segurança
José Roberto Muratori

Fazer com que as funcionalidades da automação estejam a um toque do usuário (ou simplesmente sejam acionadas por sensores) demanda um conjunto de equipamentos especializados, que vão operar em conjunto. Para o transporte de dados entre os diversos dispositivos, há três possibilidades. A chamada rede powerline utiliza a própria rede elétrica existente para acionar os pontos de iluminação. "É uma tecnologia com limitações, pois as instalações podem não estar estruturadas adequadamente, gerando erros na transmissão da informação", pontua Muratori. Mais comuns atualmente são as tecnologias que operam por cabeamentos dedicados e por radiofrequência.

A opção pelo cabeamento pressupõe a implantação de infraestrutura na residência ou no edifício, sendo, por isso, mais apropriada para edificações em construção. Já as tecnologias sem fio trabalham com o conceito de modularidade, dispensando obras específicas. "Esses sistemas são muito úteis para situações de retrofit, pois evitam o quebra-quebra", destaca Eduardo, da Lutron. Muitos dos lançamentos recentes na área de automação residencial têm a tecnologia wireless como base, numa aposta dos fabricantes para facilitar a adoção por novos usuários.

Os demais componentes do sistema vão depender da complexidade do projeto, assim como os custos. Entretanto, considerando as características básicas de um sistema de automação de iluminação doméstica, os especialistas relacionam a necessidade dos seguintes dispositivos: central de automação (no caso de sistemas como cabeamento dedicado), sensores, módulos (dimmer, relé, RGB etc.), replicadores de sinal e acionadores (pulsadores, interruptores ou painéis).

Cuidado especial deve ser dedicado à escolha de reatores e lâmpadas: LEDs, por exemplo, devem ser dimerizáveis. “Outras fontes de luz eventualmente podem ter alguma restrição por acendimento frequente ou limite na regulagem da luz. Há sempre a necessidade de verificar todas as características técnicas para uma boa especificação e posterior desempenho”, alerta o diretor-técnico da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), Isac Roizenblatt.

PROJETO

Tão – ou mais importante – quanto a especificação das tecnologias é contar com a consultoria de um integrador de sistemas residenciais, profissional com conhecimento técnico para projetar, implementar e dar manutenção na rede. Um dos desafios do segmento de automação é que os equipamentos de diferentes fabricantes em geral operam com linguagens diferentes – os chamados protocolos de informação. Compatibilizá-las significa garantir o bom funcionamento do conjunto. Outro resultado esperado do trabalho do profissional é o desenvolvimento de um projeto que seja ajustado ao estilo de vida dos usuários.

O ideal é pensar na automação residencial ainda na fase de projeto do edifício, já prevendo a infraestrutura necessária e analisando as funcionalidades que poderão ser adotadas pelos moradores. Na página da Aureside na internet é possível consultar a lista de integradores de sistemas domésticos certificados em alguns estados do Brasil. Os fabricantes também costumam indicar profissionais autorizados a implantar suas tecnologias.

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Uma vez que adequamos a iluminação conforme a necessidade, melhoramos o conforto e a produtividade. Dia a dia, os arquitetos e as construtoras recorrem mais aos recursos da automação, até porque hoje eles estão muito mais disponíveis e amigáveis
Eduardo Mattos

Outro aspecto que não se pode perder de vista na automação residencial é a eficiência energética. "A automação está conectada a sensores de presença, sensores de luz natural, temporizadores, regulagem (dimerização) de níveis de iluminação para os vários tipos de atividades, ou seja, a utilização da luz elétrica apenas quando, onde e pelo tempo necessário, não havendo desperdícios e economizando energia", destaca o diretor-técnico da Abilux.

“Com a dimerização por si só conseguimos a redução no consumo de energia com iluminação”, afirma Eduardo Mattos. Ele exemplifica: “Um dimmer serve para controlar a intensidade da luz. E, por meio de uma programação, você pode deixar a lâmpada dimerizada para que fique com um valor mínimo quando o ambiente não estiver em uso; e depois aumentar a intensidade quando estiver ocupado. Podemos ainda controlar a iluminação que vem de fora, programando a abertura e o fechamento das cortinas”.

CUSTOS MAIS BAIXOS

Para quem pretende aderir à automação, a boa notícia é que os custos da tecnologia começam a ficar mais atraentes. “O aumento do número de projetos em que se aplicam as tecnologias de automação em escala mundial leva a maiores volumes de produção e a uma redução de custos”. A tendência no Brasil é confirmada pelo empresário Leonardo Senna, diretor-presidente da iHouse, que deve entregar neste semestre 29 empreendimentos automatizados no país. “Os custos caíram quase 30% nos últimos anos. Nossa linha atual wireless, desde o lançamento, teve redução de custo em diversos módulos.”

Soluções no mercado

Já há no Brasil uma variedade de fabricantes nacionais e internacionais. Veja a seguir, algumas das soluções relacionadas à iluminação comercializadas pelas empresas.

COMANDO DE AMBIENTE

Automação
Comando de ambiente - Bticino

Da Bticino, marca da Legrand, o display de 3,5" touchscreen serve para gerenciar diversas funções disponíveis do sistema de automação residencial, com visualização interativa. O comando faz parte da linha My Home e permite ao usuário controlar iluminação, automação, alarme antifurto, termoregulação, difusão sonora, cenários e gerenciamento de energia. www.bticino.com.br/myhome

Dispositivo

O Minibox, da brasileira Neocontrol, permite comandar iluminação, cortinas e persianas de ambientes residenciais. Utilizando o Keypad Dimmer e/ou o Micromódulo Neocontrol – outros dispositivos da empresa –, é possível agendar e personalizar a iluminação do imóvel, criando cenas de automação, conforme a preferência do morador. Permite acessar as funcionalidades pelo smartphone. www.neocontrol.com.br

Teclado

Da linha Única Light Control, da Schneider, o produto possibilita o armazenamento de quatro cenários pré-programados, além de controlar individualmente cada um dos seis circuitos ligados a ele. Segundo o fabricante, a tecnologia proporciona redução no consumo de energia, já que a iluminação pode ser dimerizada (desde que as lâmpadas ou reatores sejam adequados). www.schneider-electric.com.br

LED

O LED Superstar Classic A60 da Osram possui uma versão dimerizável. As lâmpadas têm temperatura de cor quente ou fria, sendo apropriadas para utilizações em diversos ambientes. www.osram.com.br

Há sempre a necessidade de verificar todas as características técnicas para uma boa especificação e posterior desempenho
Isac Roizenblatt

Módulo controlador de cenas

O módulo controlador de cenas CompactWall Six possui quatro canais para cargas dimerizáveis e dois canais de relé para cargas do tipo liga/desliga, como o de alguns tipos de lâmpadas ou motores de persianas/cortinas. O equipamento é da Scenario. www.scenario.ind.br

Módulo sensor

O produto da iHouse permite monitorar a temperatura e a luminosidade ambiente. A informação de temperatura pode ser exibida no Wallpad, outro equipamento da marca, e em tablets ou smartphones. www.ihouse.com.br

Cortinas e persianas

A Lutron fabrica uma linha completa de cortinas e persianas automatizadas que integram diretamente o controle da iluminação natural e da iluminação artificial. Segundo a fabricante, os produtos têm movimentos silenciosos na abertura e no fechamento, e seu uso pode ajudar a obter pontos no credenciamento da certificação LEED. www.lutron.com

Colaboraram para esta matéria

Isac Roizenblatt
Isac Roizenblatt – Engenheiro eletricista formado pela Escola de Engenharia Mauá, mestre em energia pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em iluminação pela Technological University of Eindhoven. Atualmente trabalha como consultor em iluminação e energia e exerce o cargo de diretor-técnico da Associação Brasileira da Indústria da Iluminação (Abilux).
José Roberto Muratori
José Roberto Muratori – Engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), com especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atua há mais de doze anos na área de automação residencial e tecnologias para habitação. Foi membro fundador da Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside), sendo atualmente o diretor-executivo. Também participa da Marbie Systems, empresa de consultoria e projetos de automação residencial. É coautor do livro Automação Residencial - Conceitos e Aplicações, lançado no final de 2013.
Eduardo Matos – Profissional da Lutron Brasil
Leonardo Senna – Diretor-presidente da iHouse