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Automação de elementos da fachada

Gabriel Peixoto, diretor da Neocontrol, explica como funciona um bom sistema de automatização de fachadas e a sua influência para a eficiência energética.

Publicado em: 28/10/2010

Texto: Redação AECweb

Entrevista: Gabriel Peixoto

Automação de elementos da fachada

Redação AECweb

Sistema orgânico, de muitas interfaces, a automação dos elementos da fachada – das janelas às persianas entre vidros duplos – ‘conversam’ com a iluminação, o ar condicionado e a presença de pessoas no ambiente. Dependendo do nível de abrangência e porte, seu custo médio corresponde a, em média, 0,8% a 1,5% do valor do imóvel, podendo chegar a 10% quando muito sofisticado e presente em todos os ambientes. A informação é de Gabriel Peixoto, professor de pós-graduação em construção sustentável e telecomunicações da PUC de Minas Gerais, e diretor da Neocontrol – empresa brasileira de sistemas para automação. Em entrevista ao AECweb, destaca que a automação otimiza em até 40% os elementos empregados para a eficiência energética do edifício.

AECweb – Qual a abrangência da automação produzida no Brasil?
Peixoto -
Fabricamos e desenvolvemos produtos de ampla aplicação na automação, dentro do conceito de segurança, estabilidade, conforto e economia. Atuam em elementos variados da edificação, como persianas entre vidros, cortinas, brises, sistemas de ar condicionado, iluminação, sistemas de reutilização de água, irrigação, sistemas de acessos, catraca eletrônica e biometria. Todos esses sistemas podem ser comandados dentro de interfaces mais amigáveis como iphone, iphod, iphed.

AECweb - Quais elementos da fachada podem ser automatizados?
Peixoto - Os recursos de fachadas envolvem a colocação de brises, persianas, sejam elas no interior de vidros duplos ou de forma convencional, internas, ou ainda cortinas rolô. Trabalhamos o acionamento desses recursos vinculados a sensores, temporizadores ou usuários. Por exemplo: a inclinação das palhetas das persianas – levantar, abertura ou fechamento - pode estar vinculada ao horário, hora do dia, ao ponto – refiro-me ao relógio ponto, horário de almoço, hora extra, enfim, informações de entrada e saída dos funcionários.

AECweb – Há, também, os sensores de temperatura?
Peixoto - Sim, os sensores de insolação ou de temperatura também geram informações para que o sistema de automação possa tomar uma decisão, como mudar o grau de inclinação da palheta, ou subir a persiana, abaixar ou, eventualmente, bloquear completamente a entrada de luz. Denominados elementos de entrada, os sensores, temporizadores e o próprio usuário são fontes de informações para uma tomada de decisão para os atuadores.

AECweb - Essa inteligência é centralizada?
Peixoto - Ela pode ser centralizada, mas sua descentralização é um elemento de robustez da automação. É melhor não depender de uma central, porque uma possível falha, por mais simples que seja, pode bloquear todo o processo. No sistema descentralizado, temos processadores e números distribuídos fisicamente na edificação. Eventual falha num atuador ou num sensor não vai prejudicar toda a estrutura, não vai impedir o levantamento de uma cortina, por exemplo, porque o sistema tem uma certa redundância.

Automação de elementos da fachada

AECweb – É possível dizer que a automação funciona de forma sistêmica?
Peixoto - Sim. O levantar de uma cortina pode estar associado a mais de um elemento em resposta à insolação, temperatura e à presença de um usuário no ambiente. A tomada de decisão depende de mais de um elemento, esse é o papel da automação. O ideal é ter o máximo de entrada, que são as informações dos sensores. Eles vão dizer que tem gente no ambiente, identificar a temperatura do ambiente e, de forma programada, saber que deveria estar mais baixa, levando à decisão. Por exemplo, se a temperatura externa for ideal, o sensor pode optar por abrir a janela e não ligar o ar condicionado, mas caso a temperatura externa estiver maior, ele pode tentar bloquear isso e ligar o ar condicionado. É importante deixar claro que existe um raciocínio no processo, é um sistema orgânico.

AECweb – O que assegura um bom sistema de automação de fachadas?
Peixoto - Será sempre através de um bom projeto de automação, em que esses elementos vão ser estudados, implantados e configurados para ter sustentabilidade. Sem um bom projeto, a automação não cumprirá o papel de colaborar com a eficiência energética. E se for concebido durante o desenvolvimento do projeto de edificação, os resultados serão muito superiores do que optar pela automação com as obras já concluídas.

AECweb – Já se tem no Brasil prédios com bom nível de automação?
Peixoto - Hoje, temos prédios bem automatizados, principalmente a parte de iluminação de auditórios e teatros vinculados a sistemas de ar-condicionado e de controle de temperatura. Há, também, bons níveis de automação entre prédios comerciais – em residências, o conceito é bastante aplicado.

AECweb – É possível falar em custo da automação das fachadas?
Peixoto - O preço da automação é proporcional ao nível da automação instalada e não ao tamanho, que é também uma variável. Dentro de um conceito médio, ou seja, pensando em automação da iluminação, sombreamento, ar condicionado, sensoriamento múltiplo para definição das atuações, o custo será de, em média, 0,8% a 1,5% do valor do imóvel. Ao sofisticar mais, colocando automação em todos os ambientes, com boas interfaces e redundâncias, o sistema pode chegar a até 10% do valor do imóvel.

Automação de elementos da fachada

AECweb - Qual a economia de energia que a automação possibilita?
Peixoto - Especialmente pensando em fachadas, a automação em si não resolve tanto. Ela precisa de elementos como a persiana entre vidros ou a cortina, do vidro duplo e dos elementos arquitetônicos para bloqueio do calor. A automação otimiza entre 30% e 40% todos esses elementos, maximizando o desempenho energético dos ambientes.

AECweb - Ainda há preconceito no mercado em relação à automação?
Peixoto - Infelizmente, sim. Trata-se de uma questão cultural histórica, resultado das primeiras aplicações no país de elementos importados dos Estados Unidos. Os produtos não eram adaptados à nossa realidade e sua performance era inadequada. Tudo isso prejudicou muito a imagem da automação no Brasil, durante uns 20 anos. Esse mercado está recuperando forças, com a melhoria dos sistemas e a produção nacional. Os equipamentos são desenvolvidos a partir dos conceitos culturais dos brasileiros e sob condições técnicas voltadas para o padrão brasileiro, mais tolerante a falta, falhas e picos de energia. Hoje, a confiança no emprego de automação é muito maior, mesmo pelas construtoras que eram mais resistentes.

Redação AECweb