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Automação pode ser feita em ambientes novos ou existentes

Esse é um dos requisitos a serem considerados no projeto para a escolha do sistema, que pode ser sem fio ou cabeado. Veja mais a seguir

Publicado em: 28/09/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

automação residencial e industrial
(Foto: Gorodenkoff/Shutterstock))

A automação dos elementos que compõem as edificações, sejam elas residências, prédios corporativos ou institucionais, é do campo da engenharia elétrica aliada à Internet das Coisas. Considerando que um sistema de automação pode fazer desligamentos automáticos de lâmpadas e motores, proporcionará economia de energia.

“Os benefícios mais observados entre os usuários que desfrutam desse mundo automatizado são a praticidade, o conforto e o prazer de viver num mundo encantado”, constata o engenheiro Bolivar Resende, especialista no assunto e diretor da Luxcontrol.

A automação pode ser aplicada tanto em ambientes novos quanto preexistentes, mas exige projeto que identifique a solução mais adequada, seja sem fio ou cabeada. “No universo de aparelhos que podem estar conectados num sistema de automação, a iluminação é o item mais especial, importante e imprescindível na vida das pessoas. É, portanto, o que merece a maior preocupação num projeto de automação”, diz Resende.

Os benefícios mais observados entre os usuários que desfrutam desse mundo automatizado são a praticidade, o conforto e o prazer de viver num mundo encantado
Bolivar Resende

Automação sem fio

A iluminação é o ‘calcanhar de Aquiles’ da automação sem fio – segmento de produtos que responde por cerca de 80% do mercado. “Automação não é produto, é sistema”, alerta. Se, de um lado, as lâmpadas só funcionam com a presença de energia elétrica, de outro, os módulos sem fio representam apenas uma parte de tudo que compõe um sistema de automação.

“Sem fio é a comunicação entre os módulos eletrônicos da automação e os aparelhos conectados. Um bom exemplo é o sensor de presença que ‘conversa’ com uma lâmpada”, explica.

O questionamento que Resende sugere é como automatizar a iluminação de um ambiente existente e em pleno funcionamento, diante da existência de fiações, utilizando módulos sem fio. “A concretização dessa transformação do mundo convencional existente para o automatizado é tal como os engenheiros agrônomos fazem quando querem colher limão em um pé de laranja: fazem enxertos”, compara.

Ou seja, as instalações elétricas são alteradas, mudando o princípio de funcionamento original com a inserção de módulos eletrônicos. O procedimento geralmente é feito sem projeto elétrico e, portanto, sujeito a surpresas no início do funcionamento e dificuldades nas manutenções futuras.

“Essa solução pode funcionar numa residência padrão, mas não em uma mansão. Num ambiente corporativo, a automação sem fio de 15 lâmpadas, por exemplo, é um equívoco, pois o módulo dará conta por pouco tempo”, diz.

Particularidade importante dos módulos eletrônicos responsáveis por ligar e desligar as lâmpadas é que são fabricados com pequenas dimensões para que caibam dentro das caixinhas nas paredes. Possuem partes eletromecânicas e, em sua maioria, são construídos com materiais que não garantem uma vida longa. “E mediante arcos voltaicos (pequenas faíscas) nos contatos das chavinhas, o módulo é danificado ao longo do tempo”, destaca.

Automação cabeada

Nos sistemas cabeados, os módulos responsáveis pela automação são instalados em caixas específicas e centralizadas. “Ou seja, todos os fios partem da caixa de automação e seguem seus caminhos até chegarem nos pontos automatizados”, fala Resende. O sistema não exige módulos minúsculos, ao contrário, as peças podem ser robustas, confiáveis e de longa vida útil.

Essas características tornam a automação cabeada a mais indicada para ambientes em que a iluminação deverá funcionar ao longo de vários anos, sem nunca falhar, como em hotéis, hospitais, escolas, centros de convenções, lugares públicos, entre outros.

Sem fio ou cabeado?

“Os dois sistemas são bons, desde que sejam analisados vários fatores”, ressalta. Entre eles, se a construção é nova ou existente, tempo de vida, nível técnico do instalador, tipo de ocupação, necessidade de redundância, estabilidade do funcionamento, tamanho da obra, facilidade e frequência de manutenção.

O projeto de automação para ambientes corporativos ou residenciais existentes vai implicar reformas. “Se depois de uma ampla análise, a opção for instalar sistema sem fio, a reforma poderá ser pequena. Mas, se for para instalar um sistema cabeado, poderá sim exigir obras consideráveis”, indica Resende.

Se depois de uma ampla análise, a opção for instalar sistema sem fio, a reforma poderá ser pequena. Mas, se for para instalar um sistema cabeado, poderá sim exigir obras consideráveis
Bolivar Resende

Para automatizar sistemas, como os usuais em condomínios, e não um ou poucos pontos isolados, é preciso a participação de engenheiros, inclusive de especialidades diferentes, elaboração de projetos e de bons profissionais para executar a instalação. “O fato de a edificação ser antiga é somente mais um detalhe para ser analisado, mas com certeza esse tipo de obra poderá sim ser automatizada”, assegura.

O que há no mercado

Iluminação, persianas, condicionadores de ar e áudio e vídeo são os quatro itens da automação que preenchem 90% das necessidades dos usuários. “Com a Internet das Coisas, vários produtos isolados, principalmente os eletrodomésticos da linha branca, estão sendo fabricados com possibilidades de integração ao sistema principal de automação”, informa.

Há, ainda, sistemas que podem proporcionar muitos benefícios aos usuários, estejam eles integrados ao sistema principal ou não: sistemas de irrigação, de segurança patrimonial, de câmeras, de controle de acesso, de aspiração central, de detecção e combate a incêndio e geração de energia fotovoltaica, entre outros.

Atualmente, tanto os sistemas sem fios como os cabeados são encontrados no mercado com diversidade de marcas. “Com tantas soluções de baixo custo de marcas nacionais ou importadas, os módulos da automação sem fio são os preferidos de quem está querendo criar soluções pequenas e caseiras, quase experimentais”, comenta.

Para os sistemas cabeados, não há tantas marcas, e os produzidos fora do Brasil ainda são muito caros. “Entre os nacionais, vale destacar que a marca Luxcontrol, apesar de ser uma solução cabeada, recentemente fez sua integração com sistemas sem fio, criando assim solução híbrida”, conta.

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Colaboração técnica

Bolivar Resende – É Engenheiro Eletricista graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (1983), com especialização em automação industrial pela Universidade de Uberaba – Uniube. É diretor do Sistema de Automação Luxcontrol