Automação residencial dependerá cada vez menos de interferência humana

Segundo especialistas, a tendência é que, nesta quarta geração da tecnologia, equipamentos comecem a ‘pensar’ ´por si e a ajustar as condições de conforto e segurança dos moradores

Publicado em: 31/01/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

A automação residencial enxerga na inteligência artificial o seu futuro. Se anteriormente o morador utilizava botões, controles remotos ou smartphones para ativar os sistemas de sua residência, a tendência é que muito em breve essa função seja realizada pelos próprios equipamentos. Os aparelhos serão capazes de preparar todo o conforto do ambiente sem a necessidade de interferência humana.

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A inteligência artificial poderá mudar a automação residencial que conhecemos hoje (foto: shutterstock / ariadna de raadt)

“O futuro é que esses equipamentos ‘pensem’ e comecem a programar cenas a partir da rotina do morador”, destaca o engenheiro Rubens Augusto Romano, titular da Automatic House, empresa de consultoria. “Os hábitos do morador que chega em casa, diariamente, às 17 horas de acionar o ar-condicionado, abaixar as cortinas e ligar o aparelho de som são registrados pelos equipamentos, que passam a repeti-los automaticamente”, exemplifica.

Mas engana-se quem imagina que a automação está ligada somente ao luxo. A tecnologia colabora, há algum tempo, com a saúde de pacientes. Por exemplo, o morador com algum tipo de doença pode usar pulseira ou camiseta que monitoram indicadores como temperatura e frequência cardíaca. Os dados são captados por sensores da casa, enviados para a ‘nuvem’ e o centro médico é informado imediatamente em caso de intercorrências.

PROJETO

Basicamente, é possível automatizar todo sistema composto por equipamentos elétricos ou eletrônicos. Em uma residência, por exemplo, entram na lista iluminação, áudio e vídeo, projetores, ar-condicionado, ventilação, cortinas, persianas, toldos, irrigação, piscinas, controle de presença através de sensores, lareira, entre outros. No entanto, para a correta integração dos sistemas, um bom projeto é essencial.

O planejamento da solução tem início com a análise das instalações elétricas da edificação e levantamento de todos os dados estruturais. “O empreendimento precisa contar com a infraestrutura necessária para a passagem dos cabos e demais elementos de controle e de potência”, comenta o engenheiro, lembrando que as redes domésticas não têm padrões nem modelo a serem seguidos, restando ao utilizador moldá-las de acordo com sua vontade.

O futuro é que esses equipamentos ‘pensem’ e comecem a programar cenas a partir da rotina do morador
Rubens Augusto Romano

OBRAS NOVAS X EXISTENTES

Existe diferença entre elaborar o projeto de automação para um empreendimento novo e outro já existente. Os sistemas sem fio são indicados para casas já habitadas, pois há menor necessidade de obras e alterações de infraestrutura, reduzindo assim o incômodo aos ocupantes da residência.

O especialista observa que, apesar da denominação, essa opção exige a instalação de infraestrutura. “É um grande erro achar que é totalmente sem fio, pois, para que faça o controle de cargas por radiofrequência, é preciso providenciar sua instalação física”, diz.
O sistema sem fio é normalmente utilizado para automação de elementos pontuais como de um home theater ou a iluminação de uma única sala. Ao tentar implementá-la numa obra de grande porte, ela poderá ter custo maior se comparado ao da cabeada.

Por outro lado, quando a solução é pensada junto da concepção de toda a edificação, a alternativa com fios é a mais indicada, por ser mais robusta e resistente. Como o empreendimento estará sendo construído do zero, é possível incorporar toda a infraestrutura necessária para a automação durante a etapa de obras.

PAPEL DO CONSULTOR

“Antes de o consumidor procurar diretamente pelo produto, a melhor solução em automação é consultar um consultor ou especialista – até porque, desconhecendo o assunto, ele vai comparar preços de materiais nada semelhantes”, recomenda Romano. Numa nova obra, reforma ou ampliação da residência, o profissional terá uma solução técnica em automação que realmente atenda às necessidades do usuário e com investimento justo.

Nós entendemos que o mercado imobiliário deve criar experiências, promover o empreendedorismo e desenvolver cidades mais inteligentes
Alexandre Lafer Frankel

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E CUSTOS

A automação é grande parceira da eficiência energética residencial. “É interessante sempre usar a tecnologia a seu favor”, diz o consultor. Operações como ligar e desligar a iluminação da casa devem estar atreladas a parâmetros que visam economia. É o caso de programar que a luz artificial só será ligada quando não houver iluminação natural, ou quando tiver pessoas na sala. Ao ser bem projetada, a automação é capaz de proporcionar ganhos significativos em eficiência.

Contar com os benefícios das soluções de automação não exige investimentos tão expressivos quando se trata de projeto de menor porte. Há, no mercado, produtos a partir de R$ 1 mil, ou até menos, quando se trata de controlar a iluminação através de aplicativo gratuito de smartphone para lâmpada que custa cerca de R$ 400. “No entanto, em projetos complexos, o céu é o limite”, fala.

O FUTURO É AGORA

De acordo com Romano, o setor de automação residencial foi fortemente afetado pela recessão econômica do país. “Mas, hoje, os investidores que estão construindo imóveis para vender percebem que, se a solução de sua escolha não tiver uma boa tecnologia, seja ela do tamanho que for, o resultado será um produto de baixa performance. Ou seja, a automação residencial passou a ser um diferencial competitivo”, comenta.

Nos últimos anos, entraram importantes players no mercado, principalmente grandes marcas mundiais de tecnologia, que passaram a oferecer produtos no segmento. “A automação passou a ser popularizada por essas empresas”, observa. É o caso das smart TVs que foram dotadas de outras funcionalidades pelos fabricantes. O aparelho agora acumula a função de centro de controle dos demais equipamentos, como rádios ou home theater.

O mesmo aconteceu com o relógio. “A partir do momento em que se tem uma rede WiFi funcionando na casa, é possível controlar vários produtos de formas diversas”, diz. A primeira geração da automação foi a dos controles remotos, porém, o grande salto veio com os smartphones e seus aplicativos. “Chegamos, agora, à quarta geração com a Internet das Coisas, em que os IPs fazem com que todos os equipamentos conversem entre si”, destaca.

“É uma evolução muito rápida e já em uso. As pessoas estão dependendo cada vez menos do integrador de sistemas de automação e fazendo sua própria programação – pessoalmente, ou através da internet, ou pela inteligência artificial dos equipamentos. Essa mudança tornou a automação mais econômica, pois depende apenas de equipamento com algumas funcionalidades”, ressalta. A própria internet acaba cumprindo o papel de interligar os aparelhos e permite que os sistemas sejam controlados à distância.

AUTOMAÇÃO NA PRÁTICA

Projeto elaborado pela Vitacon, com parceria da IBM e Intel, comprova a evolução das tecnologias de automação. Trata-se do SOUL (Smart Options for Urban Life) que consiste em um edifício capaz de entender a rotina dos seus moradores e fornecer serviços que se adequem às especificidades de cada um.

A primeira fase do projeto contará com um apartamento (laboratório) destinado a startups e parceiros que queiram testar e aplicar inovações para smart home, com base no conceito da Internet das Coisas. O empreendimento permitirá testes e instalação de sensores que meçam consumo de energia, água, gás, movimento, proximidade, temperatura, luminosidade e umidade; sistemas de notificação sem fio via Bluetooth e WiFi; dispositivos para interligar a rede central do prédio à de cada morador; entre outros.

O objetivo da etapa inicial será testar a aplicação da tecnologia no dia a dia de pessoas convivendo em um ambiente real e sentindo o impacto de se ter tudo conectado e integrado. Já na fase seguinte, as tecnologias mais maduras e integradas serão aplicadas em um edifício da Vitacon na avenida Faria Lima, em São Paulo.

“Unimos grandes corporações na geração de negócios e valor agregado. Vamos reinventar a experiência de morar através da tecnologia", explica Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon. “Nós entendemos que o mercado imobiliário deve criar experiências, promover o empreendedorismo e desenvolver cidades mais inteligentes. Estamos trabalhando para um futuro em que os prédios receberão atualizações e aplicativos exatamente como um smartphone”, completa.

Leia também: Automação agrega conforto e segurança aos projetos

Colaboração técnica

rubens
Rubens Augusto Romano – Possui graduação em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletrônica e Telecomunicações pela Faculdade de Engenharia de Sorocaba – FACENS. Iniciou sua carreira científica como pesquisador no centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Pirelli Cabos. Na empresa, ainda atuou como gerente comercial no segmento das Indústrias e no setor de petróleo. Realizou diversas palestras sobre estratégias de competitividade nas áreas de suprimentos apresentando o e-commerce como ferramenta de competitividade. É membro do GBC (Green Building Council Brasil) e ministra palestras sobre automação residencial para entidades de classe e meio acadêmico. É titular do escritório de engenharia de automação residencial Automatic House.
alexandre
Alexandre Lafer Frankel – É fundador e CEO da Vitacon, empresa do setor imobiliário que atua no desenvolvimento e construção de empreendimentos residenciais e comerciais em São Paulo. Foi eleito Cidadão Sustentável em 2013 e Jovem Empreendedor do Ano em 2014 pelo LIDE.