Banheiros prontos voltam ao cardápio de opções das construtoras

A solução se caracteriza pela qualidade controlada em ambiente industrial, redução de prazo de obra e de manutenção na etapa de operação do edifício. Conheça mais a seguir!

Publicado em: 16/08/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de um banheiro decorado
(Foto: Shutterstock)

No final da década de 1990, os banheiros prontos foram introduzidos no mercado brasileiro como elemento inovador da construção offsite. Com o passar do tempo, o setor fabricante encolheu e quase desapareceu. Para o engenheiro Edison Hideo Tateishi, diretor Industrial do Grupo Lafaete, a iniciativa não se consolidou naquele momento devido a uma somatória de fatores.

“Essa é uma operação com custo fixo alto, e as indústrias não estavam estruturadas para atender os elevados volumes de cada contrato”, diz, referindo-se ao fato de que obras de edifícios residenciais ou de hotéis podem atingir até 500 banheiros, o que pede uma entrega de, pelo menos, dez unidades diárias. Outra característica desse mercado são os fluxos irregulares de encomendas.

Na opinião do engenheiro Fabio Almeida de Barros, diretor de Construção e Sustentabilidade da Tegra Incorporadora, o sucesso do setor virá com o surgimento de indústrias capazes de incorporar o sistema de banheiros prontos à operação fabril de maneira complementar. “E, assim, reduzir custos indiretos de produção, fazendo com que o custo global dos módulos também caia, viabilizando sua implementação”, afirma, contando que a solução foi adotada nas obras do empreendimento residencial Gravura Perdizes, em construção na capital paulista.

Novo impulso

A CMC Módulos, empresa do Grupo Lafaete, acaba de lançar sua linha de banheiros prontos, desenvolvida ao longo de dois anos e apoiada na experiência acumulada de produção de fachadas pré-fabricadas e de casas modulares, entre outros sistemas. “Tudo o que produzimos, inclusive os banheiros, utiliza a mesma estrutura fabril e a mesma mão de obra. Dessa forma, podemos atender a demanda mais consistente e regular do mercado da construção civil”, explica Tateishi, antecipando que a empresa já tem contratos para o fornecimento do novo produto.

Ele lembra que em outros países é comum que as indústrias imponham ao mercado seus próprios sistemas construtivos. “Optamos por produzir de acordo com o sistema escolhido pelos clientes, principalmente em concreto e, também, com estrutura em aço e fechamento em light steel frame”, fala.

Os módulos são personalizados, fabricados de acordo com o projeto em dimensões, sistemas prediais e acabamentos. Os mais luxuosos são os contratados para obras de hotéis de bandeiras internacionais, segmento que se revela como o mais aderente à solução offsite em todo o mundo e estava carente de fornecedores.

Vantagens dos banheiros prontos

Para as construtoras, a redução do prazo de obras é a principal vantagem. A solução industrializada evita a aquisição de materiais técnicos para os sistemas elétrico e hidráulico e de acabamento, e a alocação de mão de obra para a execução. Ao ter menor número de pessoas atuando, se reduz o custo fixo e o risco de acidentes de trabalho.

“As soluções offsite sempre contribuem para o aumento da produtividade nos canteiros de obras. Na execução, as vantagens envolvem a redução de etapas construtivas, a economia de recursos naturais como água e energia e a diminuição da produção de resíduos. Os banheiros prontos também reduzem a necessidade de furos nas lajes e facilita as eventuais manutenções no sistema ao dispensarem intervenções nos pavimentos inferiores”, afirma Barros.

Fator relevante para a decisão da construtora é a qualidade assegurada pela produção em ambiente industrial controlado. “A indústria faz o controle rígido da qualidade dos banheiros ainda durante a produção, fora do canteiro. E toda a garantia e a responsabilidade por eventuais manutenções no sistema é assumida pelo fornecedor, o que evita retrabalhos ou incompatibilidades”, destaca Barros, lembrando a importância da parceria com fornecedores qualificados para a eficiência final da solução nas obras.

As soluções offsite sempre contribuem para o aumento da produtividade nos canteiros de obras
Fabio Almeida de Barros

Tateishi confirma que na fábrica tudo é testado, desde a elétrica e hidráulica até a impermeabilização. Consequentemente, a assistência técnica pós-obra será muito menor e estará sob a responsabilidade da indústria. “Nas obras convencionais, o banheiro é o ambiente que geralmente gera mais manutenção. Em hotéis é ainda pior, por conta do uso intensivo”, menciona.

Benefícios financeiros

Para Tateishi, a comparação de custo do banheiro executado in loco com o industrializado não deve ser nominal. Mas considerar os ganhos resultantes da economia de prazo, materiais e mão de obra. “A redução de prazo, por exemplo, permite que as unidades dos empreendimentos residenciais sejam comercializadas mais rapidamente, e que os hotéis entrem em operação, antecipando faturamento”, explica Tateishi.

É essencial, de acordo com Barros, considerar as mudanças no macrofluxo da obra, nos processos construtivos e nas previsões de desembolso. E, também, antecipar a contratação dos materiais de acabamento dos banheiros, deixando claro que a entrega deverá ser realizada diretamente na indústria fabricante, evitando desgastes e custos adicionais. “Além disso, é desejável o uso de bacia sanitária com saída horizontal, para o melhor aproveitamento dos benefícios do sistema”, completa.

A redução de prazo, por exemplo, permite que as unidades dos empreendimentos residenciais sejam comercializadas mais rapidamente, e que os hotéis entrem em operação, antecipando faturamento
Edison Hideo Tateishi

A solução começa no projeto

É mandatório que a decisão por módulos offsite seja tomada na etapa de concepção do projeto do empreendimento. O primeiro passo é proceder a análise detalhada de compatibilização do sistema com todas as disciplinas de projeto, principalmente estrutura, arquitetura e instalações. “É importante avaliar, por exemplo, se a altura útil livre nas bordas e no interior da estrutura comporta a passagem dos módulos de banheiro”, diz Barros.

O alerta é acompanhado por Tateishi que se refere à eventualidade de os pavimentos terem vigas muito altas que vão impedir o deslocamento do banheiro até o local de instalação. “Muitas vezes, o projeto deve prever uma laje plana, ou o caminho que o módulo vai percorrer livre de vigas, ou, ainda, instalar o banheiro para, depois, executar a laje.”

Outro cuidado importante, segundo Barros, é verificar se a espessura de revestimento do piso é equivalente à exigida na fabricação dos banheiros, de maneira a evitar um ressalto. “E, até mesmo, se as instalações do empreendimento são compatíveis com as instalações nos banheiros”, aponta. É preciso disponibilizar uma grua com capacidade adequada para a movimentação e a instalação dos módulos, além de espaço suficiente no canteiro para que a descarga do veículo de transporte dos banheiros seja feita diretamente com a grua.

Banheiros prontos contratados

Aspecto sensível e muitas vezes polêmico diz respeito ao transporte dos módulos entre a indústria e o canteiro. De acordo com o Tateishi, o custo do frete está contemplado no preço final, variando conforme a distância e o número de módulos transportados – quanto maiores, menos peças são levadas em cada viagem.

No entanto, o histórico de fornecimentos da CMC Módulos comprova a viabilidade da operação: “Entregamos 36 casas modulares em Maraú (BA), a 2 mil km de nossa fábrica localizada no interior de São Paulo. Tudo em caminhões”, diz, contando que estão em produção centenas de banheiros prontos contratados para uma obra residencial, na capital paulista, e um hotel no Nordeste.

“Neste momento, estamos fazendo testes em conjunto com uma das maiores construtoras do país de habitação popular, para implementação dos banheiros prontos em concreto nesse segmento de obras. O preço é bem competitivo, estamos confiantes que vai fechar a conta”, comemora. Um dos motivos é que, diferentemente das condições dos canteiros, onde é recorrente a quebra de materiais e o desperdício, na indústria tudo é adquirido na exata medida do que será utilizado.

Tegra adota a solução em empreendimento

A Tegra está implementando o sistema de banheiros prontos no empreendimento Gravura Perdizes, na zona oeste de São Paulo, com boas expectativas. Os banheiros prontos foram adotados em meio a outras soluções industrializadas no canteiro e integram um conjunto de ações ambientais, que já neutralizam 100% de suas emissões de carbono nas obras e que têm percentuais de reciclagem de resíduos acima dos 97%.

“Um estudo detalhado de viabilidade, com um conjunto de análises comparativas, foi realizado para embasar a adoção dos banheiros prontos nos 120 estúdios do empreendimento”, relata Barros, dizendo que a configuração e o sistema construtivo facilitaram o processo de compatibilização, o que eliminou custos indiretos adicionais.

As lajes do embasamento são executadas com um sistema de cubetas protendidas, sem vigas de borda, permitindo que os banheiros sejam içados e colocados em seus lugares sem que seja necessário nenhum ajuste na estrutura da edificação. “Além disso, desde a concepção, o projeto foi desenvolvido com um sistema de fachada em painéis pré-moldados de concreto arquitetônico. Portanto, a logística da obra já havia sido planejada para descarga de veículos dentro do canteiro com auxílio da grua”, finaliza.

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Colaboração técnica

 
Edison Hideo Tateshi – Engenheiro Mecânico formado pela Escola Politécnica da USP (1983) e pós-graduado em Administração Econômica e Financeira no IMES (1999). Experiência de 10 anos na indústria automobilística e 15 anos em construções modulares e industrializadas. Grande conhecimento de técnicas de produção seriada e sob encomenda. Implantação de ISO 9001, ISO 14000, OSHAS 18000, implantação de sistemas de gestão, kanbam com JIT, lean manufacturing, redução de setup, administração de gargalos e, principalmente, formador de equipes voltados a resultados, com a aplicação sistemática de técnicas de gestão. É diretor Industrial do Grupo Lafaete, responsável pelas unidades de negócio de locação e venda de construções Modular e Offsite, das operações fabris, de engenharia, logística, manutenção e montagem.
 
Fabio Almeida de Barros – Graduado em engenharia civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2000), ocupou posições de liderança nas áreas de construção durante seus 22 anos de experiência. De 2015 a 2022, atuou como diretor de Obras na Tegra Incorporadora; de 2007 a 2015, ocupou a superintendência de Engenharia na Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário; anteriormente a 2007, foi gestor na Construtora Inpar e Construtora e Incorporadora Santa Helena. É diretor de construção e sustentabilidade da Tegra Incorporadora.