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Belos gramados demandam correta especificação e manutenção

Analisar, descompactar a adubar o solo, escolher a espécie mais adequada a cada região e fazer a poda e manutenção são cuidados indispensáveis para o sucesso de um jardim

Publicado em: 29/04/2014Atualizado em: 06/05/2014

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Gramas em empreendimentos

De acordo com Haroldo Sampaio, engenheiro agrônomo e consultor, existem no Brasil entre cinco e seis opções de grama, enquanto no exterior é possível encontrar mais de 50 variedades. “Muitos países têm a tradição do plantio por semente, mas o Brasil não. Quando se opta por plantar grama ou semente, aumenta-se em grande quantidade o número de variedades. Na Alemanha, Holanda ou Inglaterra é muito comum as pessoas irem a um garden center e encontrarem uma seção inteira cheia de caixas com diversos tipos de grama. Cada embalagem contém as instruções de como fazer o plantio e quais os tipos de grama presentes. É normal existirem duas ou três variedades ou espécies em cada caixa, pois a mistura ajuda a evitar doenças ou pragas, já que cada espécie sofre com problemas diferentes”, detalha o profissional.

No Brasil, o plantio normalmente é realizado em placas. “O produtor comercializa a grama em tapetes de 1 m², que pesam em média 25 quilos. É uma forma mais rápida de já se ter o impacto visual logo que se planta – basta preparar o solo e fazer a irrigação. Um dos problemas frequentes é o preparo errado do terreno para o plantio de grama. Procedimentos básicos como descompactação, adubação e análise de solo são simplesmente ignorados. Isso acontece em cerca de 90% dos casos”, afirma Sampaio, alertando: “O terreno deve ser preparado antes de plantar a grama. Esse é sempre o melhor momento”.

Segundo o engenheiro, a grama mais utilizada no paisagismo de empreendimentos residenciais, industriais e comerciais é a Esmeralda (Zoysia japonica). “A oferta é muito grande, já que a maioria dos produtores trabalha com essa variedade, o que gera um custo menor do m². 90% dos gramados que estão sendo formados no Brasil usam a grama Esmeralda. A exceção são as áreas sombreadas, onde são usadas a grama São Carlos e, em alguns locais, a Santo Agostinho. O empreendedor se preocupa muito, além do visual, em reduzir ao máximo os custos da construção para melhorar sua margem de lucro e quando o arquiteto, paisagista ou projetista do jardim especifica a grama Esmeralda, sabe que vai ter mais facilidade em comprar o produto pelo melhor preço”, diz.

Gramas em empreendimentos

REGIÕES X GRAMA

No Brasil, com exceção das regiões mais frias como o sul do país no período de inverno, todas as nossas gramas são adaptadas para temperaturas quentes. “Existe uma prática, pouco usada no paisagismo e muito empregada em gramados esportivos, que é plantar no início da estação mais fria as sementes de grama de inverno no meio das de verão, com a finalidade que essa vegetação se desenvolva rapidamente e forme um tapete durante um período. Mas para empreendimentos não é uma atitude muito comum por não haver pisoteio da grama e uso muito intenso desse local”, explica o consultor.

De acordo com Sampaio, a grama que é plantada no sul do país é a mesma das outras regiões do Brasil. “Não é o ideal. Fazemos uma monocultura e a grama Esmeralda tem um problema que é ser a hospedeira preferencial do fungo Rhizoctonia, existente em qualquer solo. Esse fungo aparece, principalmente, na entrada do inverno e causa muitos danos ao gramado, como manchas circulares que vão aumentando e cercando parte do jardim, podendo chegar até a dizimar uma grande área onde a vegetação terá que ser replantada. Porém, se for feito um bom manejo de água, corte e adubação as chances disso acontecer são bem menores”, comenta.

Já quando a área é muito próxima à praia, o ideal é usar a grama Santo Agostinho que tem tolerância maior em relação à salinidade. “A Esmeralda suporta certa quantidade de salinidade, mas quando é muito alta, como em locais próximos ao mar, a Santo Agostinho é mais indicada. Existem no mercado produtos para serem incorporados na terra antes do plantio da grama e que têm a função de manter a umidade, puxando a água livre de sal e cumprindo o papel de filtro para a planta. Essas substâncias também podem ser usadas para controlar a salinidade”, observa Sampaio.

ESPECIFICAÇÃO

Um dos problemas frequentes é o preparo errado do terreno para o plantio de grama. Procedimentos básicos como descompactação, adubação e análise de solo são simplesmente ignorados. Isso acontece em cerca de 90% dos casos

No momento de escolher a grama é importante saber que a insolação é primordial. “A primeira coisa é estudar se o local é ensolarado ou não, já que em plena sombra nenhuma grama consegue sobreviver. Em casos de ambientes sombreados, o ideal é usar mudas de forração que toleram sombra. Mas, em locais de meia sombra – ou seja, que o sol bate na metade do dia ou em um dia inteiro com luz filtrada – o indicado é usar a grama São Carlos e a Santo Agostinho que também sobrevivem na ausência do sol”, afirma o consultor.

Também é importante conhecer o terreno onde a vegetação será plantada. Em locais planos, o único cuidado é saber se há regiões onde a água fica empossada. “Nesse caso, é preciso fazer um declive para a água escoar ou uma drenagem sob a grama para que a raiz não fique em contato com a água”, afirma Sampaio. Já em ambientes com inclinações, é recomendado o uso da grama Paspalum Notatum, também conhecida de acordo com a região, como Batatais, Goiânia, Sertaneja e Capim Furquilha. “É uma grama nativa que existe desde o norte até o sul do Brasil. Esse tipo de vegetal forma rizomas – raiz que anda por debaixo da terra – e estolões (muda que parece uma raiz e anda entre as folhas por cima da terra). Essas duas características ajudam a grama a segurar o terreno, como se fosse uma rede, e diminuem a capacidade de escorrer tanto da terra que está entre as folhas quanto do terreno natural. Seu uso é muito recomendado em taludes”, detalha Sampaio.

De acordo com o engenheiro, é importante conhecer as características do solo onde será plantada a grama. “Atualmente, já é possível alterar e melhorar o terreno, com mudanças do PH, a adubação e a capacidade orgânica – para gramado não pode haver muito adubo orgânico, por exemplo. Assim, o solo em si – fertilidade e textura – não é empecilho para a escolha da grama. O que pode interferir é a estrutura física do terreno, como não ser formado por terra, só rocha. Nesse caso, é necessário acrescentar terra. Fora isso, existe tecnologia para que qualquer grama consiga ter um bom crescimento e desenvolvimento”, ressalta.

MANUTENÇÃO

A Esmeralda suporta certa quantidade de salinidade, mas quando é muito alta, como em locais próximos ao mar, a Santo Agostinho é mais indicada. Existem no mercado produtos para serem incorporados na terra antes do plantio da grama e que têm a função de manter a umidade, puxando a água livre de sal e cumprindo o papel de filtro para a planta. Essas substâncias também podem ser usadas para controlar a salinidade

É fundamental saber a maneira correta de cortar a grama para não causar estresse no gramado. “O ideal é tirar somente 1/3 da folha e deixar os outros 2/3. Assim, o vegetal continua recebendo sol e fazendo fotossíntese. Quando é cortado mais de 1/3, a grama fica só o talo, sem folha e com aspecto esbranquiçado, parecendo que foi ateado fogo no jardim. A grama gasta uma energia tremenda para desenvolver uma nova folha e começar o processo de fotossíntese novamente”, diz Sampaio.

De acordo com o especialista é importantíssimo que a manutenção seja condizente com o tipo de grama que está sendo comprada. “É preciso saber qual o gasto que se quer ter com a manutenção. Existem máquinas que custam R$ 100 mil, só que cortam 10 mil m² em 40 minutos. Então, se o empreendimento for grande, pode valer a pena ter um equipamento profissional, que faz o serviço somente com um operador e de forma rápida. É uma máquina que dura de 10 a 12 anos”, avalia o engenheiro.

A grama Bermuda (Cynodon dactylon), indicada para gramados esportivos, também pode ser usada em empreendimentos, desde que os responsáveis pela manutenção saibam que é preciso cortá-la a cada dois dias, o que aumenta o custo de manutenção para mantê-la bonita. “Se não for realizado o trato correto de corte, a vegetação começa a formar tufos, não fechando e possibilitando a formação de grandes áreas de mato”, comenta Sampaio. Já a grama Esmeralda necessita de, no mínimo, dois cortes por mês no verão e um corte a cada 30 dias no inverno, se o local for mais frio.

“O ideal é o empreendimento contar com sistema de irrigação. Quando se põe mão de obra para ficar molhando o gramado, o gasto é muito grande e a irregularidade também – alguns locais recebem muita água e outros pouca. Assim, o melhor é ter um sistema automatizado”, recomenda o consultor. Sobre a vida útil da grama, Sampaio comenta que não é possível determinar. “Há gramados na Inglaterra que têm mais de 150 anos. O que vale é o manejo correto, a adubação, combate a pragas, enfim como é feita a manutenção. Uma grama pode durar eternamente, desde que seja bem conduzida, adubada e cuidada”. E reforça: “Dependendo do tipo da grama, a maneira de adubá-la é diferente. No momento de comprar o produto para um empreendimento é importante saber qual é a necessidade de adubo daquele tipo de grama. Há vegetais muito exigentes em relação ao adubo e outros menos, sendo que o valor gasto para adubação pode dobrar ou até triplicar em relação a cada variedade de gramado”, finaliza.

Colaborou para esta matéria

Marcio Kamiyama
Haroldo Sampaio – Professor e engenheiro Agrônomo formado na Universidade Federal de Viçosa, em 1990. Atua como Diretor da HS JARDINAGEM. É fiscal Modal do CREA-MG e vice-presidente da AMA (Associação de Meio Ambiente) Morro do Chapéu. Ministra cursos e palestras no INAP - Instituto Nacional de Artes e Projetos -, UFLA – Universidade Federal de Lavras - CEAP DESIGN - Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Botânico das Plantas Ornamentais paisagismo, Garden Fair e CEAP - Pós Graduação em Paisagismo.