Bem-estar e segurança são prioridades para operar equipamentos

Normas técnicas e exigências de mercado levam fabricantes a investir em ergonomia operacional e conforto para operadores

Publicado em: 17/12/2014

Texto: Redação PE

O trabalho de operadores de equipamentos da linha amarela requer atenção e concentração. Desconforto,estresse e esforços desnecessários afetam o desempenho do operador nos canteiros de obra e comprometem gravemente a segurança e a produtividade.

Sobre esse tema, existem normas regulamentadoras e normas técnicas. A NR17, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) regulamenta as condições ergonômicas e traz uma série de regras para o empregador.

Em conjunto com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NR 17 exige dos fabricantes projetos ergonômicos eficientes que atentem para itens como: proximidade de controles e pedais, diferentes ajustes das posições de operação, ruídos, luminosidade e características técnicas.

Algumas empresas estabelecem critérios próprios. Elas utilizam as NRs e NBRs como referência e só aceitam equipamentos que superem os critérios normativos com o máximo de segurança, conforto e bem-estar ao operador. Grandes construtoras e mineradoras, por exemplo, requerem equipamentos pesados que tenham cabines fechadas, confortáveis, com baixo nível de ruído, ar condicionado e diversos itens para favorecer uma operação segura, produtiva e correta.

Mercado exigente

O setor está cada vez mais rigoroso. Os operadores estão bem atentos em relação a saúde e integridade física no trabalho. Vinicius Costa Loureiro, instrutor de operação da Sotreq, comenta as atualizações no mercado que tangenciam as pautas de fabricação das empresas.

“As cabines são desenhadas para oferecer o máximo de conforto, segurança e visibilidade. Esses fatores, em conjunto com a tecnologia embarcada, aumentam o desempenho,confiança e segurança do operador, que irão resultar em altos ganhos de produtividade, eficiência e baixo custo de operação. Os clientes querem reduzir seus custos. Para isso, buscam qualificar e municiar seus operadores com o que há de mais atualizado no mercado”, explica.

Vladimir Machado, engenheiro de aplicação da Komatsu, garante que as empresas seguem as mudanças naturais da população: “Uma vez que o perfil físico do brasileiro vem mudando (altura e peso), as fabricantes também mudam, e por isso, pensam cada vez mais em desenvolver itens de conforto. Além disso, é analisada a visibilidade que o operador tem dentro da cabine, assim como o espaço interno e o isolamento acústico. De acordo com especialistas, o nível de ruídos precisa ser abaixo dos 69 decibéis para manter os operadores com foco em suas operações”.

Todo os modelos de linha amarela da Komatsu conta com cabine fechada à proteção ROPS/FOPS (proteção contra queda de objetos, tombamento e capotamento), ar condicionado, isolamento acústico, boa visibilidade e espaço interno, além de regulagem no assento com suspensão a ar e descanso de braço reguláveis. Nos tratores (D51EX-15 e D61EX-23M0) e pás carregadeiras (WA200 e WA320), por exemplo, se trabalha com transmissão hidrostática.Dessa forma, a operação ocorre sem trancos e vibrações. Isso garante melhor controle, suavidade e reduz a fadiga durante a operação.

Os equipamentos Caterpillar fornecidos pela Sotreq possuem na maioria dos modelos, itens como ar condicionado, cabine fechada ROPS/FOPS, controles eletrônicos, diversas posições de operação, assentos com suspensão a ar, volantes escamoteáveis, painéis com ajuste luminoso, áreas envidraçadas que permitem o máximo de visibilidade e controles de absorção de impactos. Ainda disponibiliza como opcionais faróis auxiliares de led e xenônio, direção hidráulica de curso reduzido, sensores de fadiga, sensores de operador ausente, entre outros.

Cuidados com a saúde

Pedro Cruvinel, fisioterapeuta especializado em ergonomia, lista para o Portal dos Equipamentos alguns fatores que são levados em conta numa avaliação ergonômica de um equipamento:

  • Verificar sempre se o equipamento possui cabine fechada com ar condicionado;
  • Na cabine, os vidros devem impedir a passagem dos raios solares
  • No assento do operador, devem ser observadas características como largura e comprimento do assento, altura em relação à superfície de apoio, distância em relação ao volante de direção e os pedais e inclinação do assento e do encosto;
  • Verificar qual a postura o operador permanece durante a maior parte da jornada de trabalho em relação às horas trabalhadas;

Segundo o fisioterapeuta, não seguir essas recomendações traz riscos à saúde de quem opera a máquina: a postura estática inadequada durante longas jornadas propicia o aparecimento de doenças osteomusculares.

Colaboraram para esta matéria

 
Vinicius Costa Loureiro – Instrutor de operação da Sotreq
 
Vladimir Machado– Engenheiro de aplicação da Komatsu
 
Pedro Cruvinel– Fisioterapeuta especializado em ergonomia