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Biorremediação aproveita a ação de microrganismos para descontaminar o solo

Em comparação com processos químicos e térmicos, a solução apresenta menor custo, gasta menos energia e gera menor quantidade de resíduos

Publicado em: 13/01/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Procedimento baseia-se na biodegradação de componentes tóxicos (bluedogroom/shutterstock.com)

A biorremediação é um processo utilizado na descontaminação de solos que se destaca por gastar menos energia e gerar menor quantidade de resíduos. De acordo com Maria Filomena de Andrade Rodrigues, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o procedimento está baseado na biodegradação dos produtos tóxicos através da ação de microrganismos, bactérias e/ou fungos já existentes no solo ou, então, adicionados a ele.

A biorremediação pode ser realizada diretamente no ambiente contaminado (in situ) ou fora dele, por exemplo, em biopilhas – processo que consiste em misturar o solo contaminado com substâncias capazes de estimular a ação microbiana no processo de degradação de compostos orgânicos. Depois de misturado, o solo é empilhado e convenientemente aerado.

É necessário analisar previamente, em laboratório, se as substâncias são passíveis de serem biodegradadas por microrganismos
Maria Filomena de Andrade Rodrigues

QUANDO UTILIZAR

Para ser utilizada, a solução depende de uma série de fatores, como a presença no ambiente de adequada microbiota – conjunto dos microrganismos que habitam um ecossistema – e de fatores ambientais favoráveis para que ocorra a degradação dos materiais contaminantes.

O diagnóstico e o estudo prévio da área e do solo são muito importantes para avaliar a aplicabilidade do processo. De acordo com Rodrigues, a etapa de diagnóstico indicará se o procedimento pode ou não ser empregado. "É necessário analisar previamente, em laboratório, se as substâncias são passíveis de serem biodegradadas por microrganismos”, exemplifica, lembrando que alguns tipos de solo são mais desfavoráveis, como os argilosos. “Geralmente, os microrganismos não atuam em altas concentrações de contaminantes”, complementa.

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TERRENOS CONTAMINADOS EM SÃO PAULO

Levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indica que, em dezembro de 2014, o Estado apresentava 5.148 terrenos contaminados ou em processo de remediação. Como a falta de espaços livres nas grandes cidades é um dos grandes problemas enfrentados pelo mercado imobiliário, reabilitar esses locais para que possam receber novas edificações se torna uma alternativa bastante interessante.

VANTAGENS

Além de utilizar menos energia, a biorremediação apresenta benefícios em relação ao custo. Se a ação for realizada no próprio terreno, o investimento necessário para a descontaminação do solo será menor do que aquele necessário para a execução de processos térmicos e químicos. A vizinhança da área que passará pelo procedimento também acabará sendo positivamente afetada, dada a baixa quantidade de resíduos químicos produzida nas proximidades do local tratado.

"Apesar dessa gama de vantagens e de o método de descontaminação ser compatível com as características do solo e temperaturas do Brasil, a solução ainda é pouco empregada no país", lamenta a pesquisadora.

DESVANTAGEM

A principal desvantagem apontada por Rodrigues é o tempo necessário para execução da tarefa. A biorremediação é bem mais demorada do que os processos convencionais. “A dependência de fatores ambientais, concentração e tipo do contaminante e dos microrganismos, além das características de solo, podem alterar a velocidade de biodegradação”, diz.

Colaboração técnica

Maria Filomena de Andrade Rodrigues – Possui graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Ciências Biológicas (microbiologia) pela mesma instituição e doutorado sanduíche em Ciências Biológicas pela Universidade de Münster, na Alemanha, e pela USP. Atualmente, é pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) no Laboratório de Biotecnologia Industrial. Tem experiência na área de microbiologia, com ênfase em biotecnologia industrial, atuando principalmente nos seguintes temas: plásticos biodegradáveis, enzimas microbianas, genética de microrganismos, biorremediação e microbiologia ambiental. Desde 2005, é integrante da Comissão Interna de Biossegurança do IPT.