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Caixilhos acústicos, barreira cara e eficiente

As melhores opções estão nas esquadrias que permitem melhor vedação, especialmente as de giro

Publicado em: 25/11/2009Atualizado em: 09/11/2023

Texto: Redação AECweb



Caixilhos acústicos, barreira cara e eficiente

Redação AECweb

Entre todas as providências que colaboram para o conforto acústico nos ambientes, a adoção de caixilhos dotados de propriedades anti-ruído é, a um só tempo, a mais eficiente e onerosa. Portas e janelas acústicas reduzem entre 50% e 60% os ruídos que entram no imóvel, e representam até 12% do custo total da obra. Daí, a importância da especificação correta que envolve ensaios de laboratório e, até mesmo, a sofisticação da holografia na medição dos ruídos. Dois fabricantes especializados nesse segmento - Antonio Molina Spina, da Inovatta Brasil, e Edison Claro de Moraes, da Atenuasom – apontam como o problema deve ser tratado. Mas, antes, alertam:

Os efeitos do ruído sobre o corpo humano, segundo dados da OMS, são devastadores, com conseqüências fisiológicas e patológicas que vão desde a hipertensão até transtornos psíquicos e sexuais, passando por desordem do sono, perda de audição, úlceras gástricas e estresse crônico. Mesmo pessoas que se dizem acostumadas com o ruído, não percebem que, na verdade, essa convivência pacífica com o problema é determinada por uma gradual perda auditiva.

”Os caixilhos acústicos surgiram, timidamente, há cerca de 25 anos. A primeira solução implementada, inspirada em produto similar adotado no norte da Itália e ainda bastante utilizada no Brasil, é a sobrejanela, ou seja, um caixilho acústico sobreposto à janela existente, por dentro ou por fora", explica Molina. A tecnologia evoluiu para produtos sofisticados e com custos mais competitivos, se comparados aos praticados no passado. Mas, antes de especificar o produto desejado, é preciso que o arquiteto considere vários aspectos da questão.

Caixilhos acústicos, barreira cara e eficiente

"É fundamental obter um diagnóstico do tipo de ruído da região onde se localiza o imóvel. Isto abrange a identificação da densidade, ou volume do barulho, e espectro de frequências. Quando predomina a alta frequência, a solução pode vir de um caixilho bem projetado, com ótima vedação e um vidro simples que pega ruídos de sirene, serraria, motores de automóveis em rua plana. No caso da alta frequência, os ruídos incluem latidos de cachorro, automóveis e ônibus na subida, decolagem de avião, voz humana e bares. É importante, também, observar se a fonte do ruído é fixa ou móvel", recomenda Edison Moraes. A partir daí, o arquiteto poderá especificar as tipologias mais apropriadas do ponto de vista acústico.

TIPOLOGIAS

Isolar entre 50% e 60% do ruído que penetra no ambiente depende, principalmente, da tipologia do caixilho. As melhores opções estão nas esquadrias que permitem melhor vedação, especialmente as de giro, ou seja, as de abrir para dentro ou para fora, a maxim-ar, além dos quadros fixos. “As tipologias que inviabilizam o isolamento acústico, de um modo geral, são as janelas de correr, por apresentarem problemas com relação à vedação do trilho superior e, eventualmente, dos rolamentos”, esclarece Molina.

"A produção de uma janela anti-ruído deve envolver a tecnologia de um bom projeto, de acordo com a norma ABNT, e o conhecimento sobre as leis que regem o problema. É preciso, por exemplo, conhecer e aplicar o princípio da ‘lei da massa’, considerando que quanto mais pesado for o material empregado em uma janela, melhor será seu isolamento", ensina Antonio Molina. Nesse aspecto, Moraes ressalta que o caixilho de alumínio tem desempenho superior ao dos demais materiais em decorrência de seu peso específico maior, ou seja, massa que impede a entrada de ruído no ambiente. "Chegou o momento de quebrar o paradigma de que há materiais mais eficientes do que o alumínio. Hoje, temos ensaios que comprovam a tese", afirma.

Caixilhos acústicos, barreira cara e eficiente

Molina concorda e argumenta: “Nem todos os materiais com que se fabricam portas e janelas podem resultar num caixilho acústico. No binômio vidro + esquadria, é possível utilizar um perfil de alumínio de pequena espessura, pois ele está suportando um vidro com recursos extremamente altos. No entanto, quando a esquadria tem vários quadros e partes móveis, é preciso escolher perfis pesados, de boa espessura e resistência, com câmaras suficientes para suportar o peso do vidro. As partes tubulares exigem preenchimento, o que pode ser feito com lã de rocha para evitar a transmissão da vibração (reverberação)”.

HOLOGRAFIA

A avaliação do ruído que passa pela esquadria acústica é feita em ensaios de laboratório. A holografia é, segundo Edison Moraes, ferramenta precisa para visualizar, através da imagem, as várias freqüências que eventualmente penetram pela janela. Sistema em uso há 20 anos pela indústria automobilística para garantir conforto acústico no interior dos veículos, incorpora equipamento sofisticado aos ensaios convencionais. São 12 microfones que fazem uma varredura na janela, centímetro por centímetro. “Para se ter uma idéia, num caixilho de 1,20 m x 1,20 m, são cerca de 600 pontos de medição. O sistema holográfico interpreta as cores e identifica onde está passando mais ruído – pela gaxeta, perfil, vidro”, explica.

“Antigamente, quando ensaiava um caixilho e identificava que ainda não estava de acordo com o isolamento acústico desejado, trocava o vidro. Com a holografia, foi possível identificar os pontos de fragilidade, levando a procedimentos como o reforço dos perfis, eliminando a vibração do vidro”, diz, entusiasmado com o recurso. Segundo ele, o sistema mostra que na janela de dois planos de correr – o maior desafio da acústica - as folhas reagem de forma diferente ao som. Ou seja, o ruído bate numa folha e corre para a outra, interna.

Com a holografia, o fabricante caracteriza o produto, desde os perfis aos acessórios, vidros e vedações, de forma a trabalhar separadamente cada um deles. “O melhor benefício foi trabalhar as folhas separadamente, ao contrário do que fazia antes, quando focava o conjunto da esquadria”, revela, acrescentando que, agora, ensaia as folhas da mesma janela com vidros de espessuras diferentes para equalizar essas diferenças.

INSTALAÇÃO DE VIDROS

"A fase da instalação pode comprometer uma boa janela acústica, caso a alvenaria esteja fora de nível ou prumo, ou com pequenas fissuras. As perdas podem atingir entre 5 e 10 dB(A)", diz Molina. Segundo Moraes, uma fresta equivalente a 10% da área total da esquadria representa uma perda de até 50% da eficiência acústica do caixilho. Eliminadas as frestas, mesmo que milimétricas, é preciso ajustar a esquadria.

Bem projetadas, produzidas e instaladas, as portas e janelas com propriedades acústicas permitem um isolamento acima de 26 dB(A). “Exemplificando: na região do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com a janela aberta, entram ruídos na faixa de 65 dB(A) a 70 dB(A). Já com a janela acústica fechada, é possível reduzir para 45 dB(A) – menos do que a norma técnica exige”, diz Molina. Nos últimos anos, o vidro laminado de alta espessura - com cerca de 18 mm - vem sendo utilizado como a melhor solução nesses caixilhos. Outra opção bem aceita pelo mercado é o vidro duplo insulado, em composições diversas, desde um painel de laminado e o outro monolítico, até as duas chapas em laminado com espessuras iguais ou diferentes. E com a vantagem de colaborar com o isolamento térmico.

Caixilhos acústicos, barreira cara e eficiente

MERCADO

O poder aquisitivo dos moradores e o ruído regional são fatores determinantes para a adoção de janelas acústicas nas cidades brasileiras. Afinal, a solução pode representar até 12% do custo total da obra. Em São Paulo, por exemplo, a região recordista é a sul, especialmente os bairros do Campo Belo, Brooklin, Moema, Vila Olímpia, Itaim e Morumbi. Enquanto ali o ruído vem dos aviões e do intenso tráfego de veículos, na zona oeste da cidade – Perdizes, Vila Madalena e Pinheiros – os imóveis são invadidos pelo som dos bares e da vida noturna.

“Apesar de o mercado estar mais consciente da importância do isolamento acústico e ter crescido, a maior parcela de aquisições é feita pelo segmento residencial de reposição, ou seja, de imóveis usados”, revela Molina, lembrando que é muito comum ser chamado para isolar os vãos de apartamentos recém adquiridos, em geral, de alto padrão. “O que mostra não ser ainda uma preocupação dos construtores a instalação desse recurso na fase de construção do imóvel”, comenta. O segmento residencial desponta como o grande comprador de janelas anti-ruído, em quantidade de peças. Mas, o segmento de obras de retrofit de edifícios comerciais avança rapidamente, diante do custo/benefício de valorização do imóvel para locação ou venda, e da redução de custo com ar condicionado.

Redação AECweb


Colaboraram para esta matéria:

Antonio Molina Spina - Empresário formado em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie; em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo; e com pós-graduação pelo IBMEC. Atua no ramo de esquadrias há 22 anos e ocupa a vice-presidência do Conselho Deliberativo da AFEAL – Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio.


Edison Claro de Moraes - Empresário formado em Economia com especialização em Administração de Materiais na Fundação Getulio Vargas, e pós-graduado em Marketing pela ESPM-SP. Tem 30 anos de experiência em soluções acústicas para caixilhos.