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Câmeras de monitoramento aumentam a segurança nos canteiros

Com transmissão em tempo real para a sociedade e os clientes, o sistema ajuda a prevenir acidentes do trabalho, evita assaltos e integra políticas de transparência das construtoras

Publicado em: 09/04/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Câmeras de monitoramento para segurança nos canteiros
Além de inibir ações criminosas, o equipamento auxilia na identificação de erros e negligiências durante a execução da obra (Foto: pixinoo/Shutterstock)

A construção civil começa a utilizar câmeras de monitoramento em seus canteiros de obras com diversas finalidades. O sistema permite observar o desenrolar das atividades, identificando erros e negligências, e gravando em vídeos para treinamento. É também ferramenta de segurança, ao evitar assaltos e incidentes. Empreiteira como a Camargo Corrêa Infra, empresa nascida no final de 2017 com a cisão feita pela holding, emprega as câmeras como instrumento de transparência de gestão.

“A empresa foi criada, entre outras razões, para liderar a mudança de padrão de integridade da construção civil, inclusive trazendo profissionais de direção de fora do setor. E também olhando para o novo momento, que exige mais produtividade e competência de execução. Queremos mostrar que não temos nada a esconder e podemos ser transparentes”, afirma Januário Dolores, presidente da Camargo Corrêa Infra.

Surgiram daí várias iniciativas e uma delas foi a instalação de câmeras nos canteiros das obras públicas, para que a sociedade pudesse acompanhar, em tempo real, onde e como o dinheiro dos impostos está sendo aplicado. O cidadão tem acesso através do site da empresa, onde também encontra todos os dados das obras, inclusive os contratos detalhados.

As câmeras mostram um plano geral das partes mais relevantes das obras. “A do BRT de Salvador, por exemplo, tem cerca de 5 km e as câmeras focam no principal ponto de atividades”, conta. As transmissões ao vivo são interessantes ao público em geral, que quer saber o que acontece atrás dos tapumes das obras públicas, e aos clientes e stakeholders, que querem conhecer o trabalho da empresa. Os funcionários, segundo Dolores, não se intimidam com as câmeras. “Ao contrário, gostam de entrar na transmissão online e mostrar para a família, com orgulho, o trabalho que estão fazendo”, diz.

Segurança do trabalho e patrimonial

Faz parte dos planos da empresa aproveitar o sistema para o monitoramento do trabalho dos funcionários no canteiro. “A construção civil mata muita gente, até porque seu padrão de segurança do trabalho é muito inferior ao da indústria de manufatura. Como a nova direção veio de empresas multinacionais, trouxemos outra mentalidade nessa área. O resultado é que desde a criação da Camargo Corrêa Infra até agora, num total de 24 milhões de horas trabalhadas, não houve nenhuma morte, e acumulamos 16 milhões de horas sem acidentes com sequelas”, ressalta, acrescentando que o fato decorre de várias ações de prevenção de acidentes.

Deveremos implantar, ainda este ano, câmeras de identificação facial, em substituição aos crachás com código de barras para identificar quem está na obra, entre funcionários e terceiros não cadastrados
Januário Dolores

Segundo ele, o pessoal interno vinculado à segurança do trabalho utiliza a transmissão online para identificar flagrante de ato ou situação inseguros. Está em estudo a utilização das câmeras com esse objetivo específico e, também, para segurança patrimonial dos canteiros. “Deveremos implantar, ainda este ano, câmeras de identificação facial, em substituição aos crachás com código de barras para identificar quem está na obra, entre funcionários e terceiros não cadastrados. Com isso, poderemos aumentar a segurança patrimonial, até porque temos obras de grande vulnerabilidade, localizadas em áreas de tráfico de drogas, brigas de facções criminosas”, explica, revelando que já houve assalto a canteiro, com roubo de computadores, celulares e dinheiro dos funcionários e da empresa.

Acesso dos clientes à obra

Inicialmente, a Amplus Construtora, de Goiás, instalava câmeras nos canteiros em resposta à solicitação dos clientes. Passados dois anos, o sistema está presente nas três obras da empresa, transmitindo as imagens em tempo real para os incorporadores. O engenheiro Paulo Victor Crivinel Sbroggio, diretor técnico e sócio da construtora, observa que os clientes, principalmente os que não têm tempo de visitar a obra, estão satisfeitos com a possibilidade de monitorarem a evolução dos serviços através de seu celular, tablet ou notebook.

As câmeras captam imagens com alta qualidade de todas as atividades de campo, desde a movimentação de terra, alvenaria, reboco externo e pintura até a pavimentação e carpintaria
Paulo Victor Cruvinel Sbroggio

“As câmeras captam imagens com alta qualidade de todas as atividades de campo, desde a movimentação de terra, alvenaria, reboco externo e pintura até a pavimentação e carpintaria”, diz. A construtora cria o login e a senha para o cliente, que baixa o aplicativo e tem total acesso às câmeras do canteiro. O custo do sistema pode ser pago pelo contratante, que, finalizada a obra recebe os equipamentos. Ou, pela Amplus, que aloca as câmeras em outro canteiro. “Na opinião dos clientes, esse não é um custo desnecessário ou um luxo. E não se trata de despesa elevada, inferior a 0,5% do valor total da obra”, diz o engenheiro.

O sistema de monitoramento por câmeras também beneficia as ações de prevenção de acidentes do trabalho e treinamento. “Utilizamos imagens gravadas para realizar treinamentos em segurança e execução de certas atividades. É muito benéfico, pois utilizamos vídeos de casos reais e da própria obra onde os funcionários estão trabalhando”, informa. Além disso, o engenheiro confirma que o canteiro fica mais seguro com a adoção das câmeras. Conta que, recentemente, um colaborador foi roubado dentro do canteiro. “Com as imagens gravadas, conseguimos detectar o que aconteceu e quem furtou”, conclui.

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Colaboração técnica

Januário Dolores
Januário Dolores – Tecnólogo mecânico pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com pós-graduação em Administração Industrial e Gestão de Projetos pela Fundação Vanzolini e MBA em Gestão Empresarial pelo instituto europeu de administração de empresas INSEAD. Tem uma trajetória profissional de mais de 41 anos pela ABB/ALSTOM/GE, na Gestão de Produção, de Projetos e de Operações. Antes de se juntar à Camargo Corrêa Infra, em julho de 2017, foi diretor-geral para a América Latina na GE Hydro. É presidente da Camargo Corrêa Infra.
Paulo Victor Cruvinel Sbroggio
Paulo Victor Cruvinel Sbroggio – É engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Goiás (2013), com especialização em Gestão de Negócios, Economia e Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral (2019). Atuou na área de engenharia das construtoras Pontal, Brookfield Incorporações e Vértice. É diretor Técnico e sócio proprietário da Amplus Construtora.