Certificação AQUA-HQE mede qualidade ambiental de projetos de interiores

Selo será voltado a escritórios, salas de aula, lojas, halls, áreas internas de hotéis, centros de exposição e museus

Publicado em: 09/09/2016Atualizado em: 12/09/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Interior de uma sala de aula ecológica em Bali, Indonésia (paul prescott / Shutterstock.com)

A construção civil nacional deverá receber, ainda em 2016, um novo modelo de certificação. O AQUA-HQE - Projetos de interiores chega com o objetivo de referendar as soluções ambientais nos campos da arquitetura, design, decoração e tecnologia. O selo está sendo desenvolvido pela parceria entre a Fundação Vanzolini e o Cerway, organismo internacional que coordena as ações globais do HQE - Haute Qualité Environmentale. “Trata-se do primeiro modelo de avaliação e certificação da alta qualidade ambiental para projetos de arquitetura de interiores. A novidade vem para complementar a abrangência do AQUA-HQE”, destaca o engenheiro Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo AQUA-HQE da Fundação Vanzolini.

A nova certificação será voltada para projetos de escritórios, salas de aula, lojas de varejo, halls e áreas internas de hotéis, centros de exposição, museus e grandes espaços comuns, entre outros. “O selo é aplicável aos edifícios que não sejam do segmento residencial”, resume Martins.

CRITÉRIOS

Trata-se do primeiro modelo de avaliação e certificação da alta qualidade ambiental para projetos de arquitetura de interiores
Manuel Carlos Reis Martins

O processo de avaliação dos projetos de interiores considera a relação do espaço e seu entorno, analisando a escolha integrada de produtos e o ciclo de vida dos materiais. Entre os pontos que serão aferidos, estão durabilidade, conservação, manutenção e potencial de reciclagem; mobiliário e equipamentos; sistemas e processos construtivos; gestão de energia, água e resíduos de uso e operação; manutenção; conforto higrotérmico, visual, acústico e olfativo; e qualidade sanitária dos ambientes, da água e do ar.

A elaboração, disposição e organização de layoutsque privilegiem o acesso a equipamentos de higiene e alimentação, além de acessibilidade plena aos portadores de deficiência, é outro quesito fundamental do AQUA-HQE - Projetos de interiores.

O processo avaliará as fases de pré-projeto, projeto e execução, com base em 14 objetivos de desempenho. Estes devem ser atingidos em níveis base, boas práticas e melhores práticas, ultrapassando as exigências que correspondem à regulamentação vigente ou à prática corrente.

TRABALHO CONJUNTO

Para receber a certificação, o empreendedor precisará desenvolver e executar o projeto de interiores. A construtora também terá de realizar o controle do canteiro de obras, com gestão de resíduos sólidos, energia e água, além de garantir a formalidade da cadeia produtiva. A equipe técnica responsável pelo projeto, que poderá contar com o auxílio de consultores de sustentabilidade, demonstrará por meio de um dossiê o resultado a ser alcançado em termos de desempenho.

“A Fundação Vanzolini fará a análise de admissibilidade desse documento e planejará a auditoria que vai verificar se, de fato, os desempenhos visados foram atingidos. Em caso positivo, são emitidos os certificados AQUA e HQE e concedido o direito de uso da marca de certificação”, explica Martins.

Após receber a certificação, o empreendimento não passará por verificações periódicas. O selo significa que, na data de sua emissão, o projeto foi avaliado e considerado conforme. Se forem executadas alterações no projeto inicial ou se o proprietário desejar uma revalidação, será necessária nova auditoria.

Será necessário que os profissionais conheçam os critérios da certificação para que trabalhem já visando a alcançar os melhores desempenhos
Manuel Carlos Reis Martins

Martins considera que os arquitetos e consultores brasileiros já estão preparados para elaborar projetos que atendam aos requisitos do AQUA-HQE - Projetos de interiores. “Em termos de competência técnica, não há dúvidas. Somente será necessário que os profissionais conheçam os critérios da certificação para que trabalhem já visando a alcançar os melhores desempenhos”, afirma.

PROJETOS-PILOTO

Atualmente, existem três edificações que receberam o AQUA-HQE - Projetos de interiores e auxiliaram na validação da certificação. Dois desses empreendimentos estão na França e o terceiro, no Brasil. O projeto nacional é o espaço Mundo dos Sonhos, estande da rede de lojas Mundo do Enxoval que foi instalado na mostra Casa COR 2016. Com autoria da arquiteta Mariana Crego e com consultoria ambiental do escritório Inovatech Engenharia, o case ajudou na adaptação do selo ao cenário brasileiro, indicando os itens aplicáveis e as características regionais.

Entre os itens avaliados no Mundo dos Sonhos, estão a procedência da madeira do mobiliário com selo FSC (Forest Stewardship Council); a análise da emissão de ruídos e de fontes de odor; a orientação solar para verificar tratamentos térmicos e a possibilidade de ofuscamento; e a garantia de ambiente saudável em termos de qualidade do ar. “O projeto também conta com placas fotovoltaicas para energia solar, que cobrem parte do consumo de energia para iluminação. As lâmpadas especificadas são de LED e os aparelhos de ar condicionado, do tipo Inverter. O revestimento interno modular e encaixável não irá gerar resíduos na desconstrução, e houve a instalação de medidor de energia individual”, descreve, por fim, Martins.

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Colaboração técnica

Manuel Carlos Reis Martins – Engenheiro civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), possui PhD pelo Imperial College de Londres. Tem especialização no Processo AQUA, baseado na certificação francesa HQE (Haute Qualité Environnementale) e nos sistemas de gestão. É coordenador executivo do Processo AQUA-HQE para a certificação da construção sustentável. Ocupa o cargo de coordenador técnico da certificação de sistemas de gestão ambiental ISO 14000 da Fundação Vanzolini. Responde como auditor líder de gestão em qualidade, segurança, meio ambiente, saúde do trabalho e responsabilidade social da Fundação Vanzolini. Atuou como diretor da engenharia civil e coordenador da qualidade no Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e foi diretor da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).