Chumbadores expansivos e químicos fazem a fixação de pele de vidro em fachadas

Além de evitar o desprendimento das estruturas, essas soluções influenciam na estanqueidade e segurança do sistema. Conheça as características de cada uma

Publicado em: 04/01/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Prédio com fachada em pele de vidro (wang song/Shutterstock.com)

Existem no mercado diferentes soluções para fixação das ancoragens das fachadas em pele de vidro. Contudo, as duas opções que mais se destacam são os chumbadores expansivos e os químicos. Escolher entre uma alternativa ou outra é tarefa que cabe ao consultor, entretanto, o fabricante da esquadria ou até mesmo o cliente pode solicitar alterações no projeto. “Quando isso ocorre, o consultor analisa o pedido e autoriza a mudança caso não existam interferências no desempenho, na segurança e no atendimento às normas técnicas”, ressalta a arquiteta Maria Teresa Faria e Godoy, proprietária da Arqmate Consultoria e Projetos de Esquadrias. Para a correta decisão sobre qual sistema aplicar, o primeiro passo é conhecer as características de cada um.

PARTICULARIDADES DE CADA SOLUÇÃO

Os chumbadores expansivos funcionam exercendo pressão de expansão sobre a parede que contém o furo. Já os químicos são fixados através de processo de aderência. “Quando bem executados, os químicos apresentam desempenho melhor do que os expansivos. Isso porque a fixação ocorre por adesão e capilaridade, sem a existência de forças de expansão no concreto”, detalha a arquiteta. Os chumbadores químicos são mais seguros e proporcionam melhores resultados, mesmo quando o local de instalação está próximo à borda da laje ou em casos em que é necessário espaçamento reduzido entre ancoragens.

Quando bem executados, os chumbadores químicos apresentam desempenho melhor do que os expansivos
Maria Teresa Faria e Godoy

“As ancoragens que utilizam chumbadores químicos também suportam cargas maiores do que aquelas fixadas pelos expansivos”, fala Godoy, indicando que o mercado fabricante de chumbadores oferece diferentes tipos de produtos, cada um com sua própria especificação técnica. Comparando os dois sistemas produzidos pela mesma empresa, a fixação química pode suportar mais do que o dobro de carga de tração do chumbamento expansivo.

EVITANDO PROBLEMAS FUTUROS

O consultor deve ter em mente que a solução escolhida influenciará no desempenho da fachada. “Se não forem observados os locais e posicionamentos corretos das fixações, com o passar do tempo, os chumbamentos começam a apresentar patologias”, ressalta a arquiteta. Entre os problemas passíveis de acontecer, estão o desprendimento da estrutura e o deslocamento do esquadro. Os erros de projeto podem afetar, ainda, a estanqueidade e a segurança do sistema, em decorrência da sobrecarga dos outros pontos de fixação da fachada.

De acordo com a profissional, para conseguir as especificações ideais de uma esquadria, é analisado todo o projeto do empreendimento. “Verificamos, por exemplo, as dimensões das lajes, o tamanho do vão a ser vencido pelo caixilho e as interfaces. Se nessa análise for constatada uma laje de pequena espessura, a utilização do sistema de chumbamento químico é mais indicada, pois reduz a possibilidade de patologias no ancoramento, como o desprendimento da fixação, trincas e sobrecargas nas demais ancoragens”, detalha. Porém, se as lajes forem robustas, torna-se necessária maior velocidade na montagem da fachada, e o chumbamento expansivo acaba sendo mais indicado.

Se não forem observados os locais e posicionamentos corretos das fixações, com o passar do tempo, os chumbamentos começam a apresentar patologias
Maria Teresa Faria e Godoy

INSTALAÇÃO

A instalação da fixação é tão importante quanto seu projeto, afinal, se mal executada, pode ocasionar a queda da fachada. Aplicar os chumbadores em substratos não estruturais ou em condições inapropriadas são algumas das situações que resultam em desprendimentos.

Também é preciso levar em consideração as especificações técnicas passadas pelos fabricantes. “Todos os procedimentos e requisitos informados pelo fornecedor devem ser seguidos. Por exemplo, no caso das fixações químicas, as empresas indicam as dimensões e profundidade do furo a ser elaborado, o procedimento de limpeza desse buraco, o tipo de material que poderá ser fixado, entre outros dados”, alerta Godoy.

O tempo para aplicação da ancoragem também varia conforme o tipo de solução que será utilizada, sendo que os chumbadores expansivos podem ser instalados com a metade do tempo necessário para execução dos químicos. Além disso, podem receber carga logo após sua fixação. A demora na instalação dos chumbadores químicos é explicada, entre outros fatores, pelo tempo de cura necessário do componente químico, que deve ser respeitado antes de se iniciar o processo de colocação das esquadrias.

Quando a ancoragem da pele de vidro é realizada em edifício construído em estrutura metálica, a solução mais indicada é o parafuso de rosca mecânica, que transpassa o aço e é travado com porca e arruela de pressão. “Nesses casos, as fixações com chumbadores expansivos são mais indicadas, devido à agilidade de sua instalação, pois este tipo de sistema não necessita de limpeza de furo nem tempo de cura”, fala a profissional.

ETAPA CRÍTICA

Devido à falta de mão de obra qualificada, a instalação é classificada como o principal entrave para a boa fixação das fachadas em pele de vidro. “Atualmente, o que percebemos é a falta de conhecimento técnico do instalador”, afirma Maria Teresa Faria e Godoy.

MANUTENÇÃO

Segundo a arquiteta, não é possível estipular o prazo ideal para a realização de verificações na fachada. O mais indicado é agendar inspeções periódicas, não somente para análise das ancoragens, mas de todo o conjunto de esquadrias. “O surgimento de frestas, desaprumo e infiltrações são sinais de que a fachada necessita de manutenção”, finaliza Godoy.

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Colaborou para esta matéria

Maria Teresa Faria e Godoy – arquiteta e proprietária da Arqmate, empresa especializada em consultoria e projetos de esquadrias. Criada em 2001, e com mais de 600 obras em seu portfólio, a empresa participou do grupo de gestão para empresas de projeto na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e também vem implantando a tecnologia BIM em seus projetos. Em 2010, recebeu o Prêmio AsBEA – Categoria Projetos Especiais, com o projeto das fachadas do edifício Corporativo Jatobá Green Building.