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Cidade do Container, primeiro LEED Platinum Fabril do Brasil

Construído na cidade de Duque de Caxias, projeto prevê aquecimento solar, telhados verdes, reuso de água dentre outras soluções

Publicado em: 28/11/2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Cidade do Container

Um parque fabril com área de 112 mil m² totalmente sustentável. Esta é a Cidade do Container, projeto da nova sede do Grupo Milanez e que poderá receber o primeiro selo LEED Platinum Fabril do Brasil. A construção será realizada em um terreno situado dentro de um CODIN – Condomínio Industrial –, ao lado da rodovia Washington Luis, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Os diferenciais do empreendimento vão desde a arquitetura e instalações até as ações que beneficiam a comunidade local, conforme explica a arquiteta Maria José de Mello, sócia-diretora da Arktos Arquitetura Sustentável, escritório responsável pelo projeto. “Estão previstas ações de eficiência energética, redução no uso e consumo de água, entre outras. A meta é alcançar a certificação máxima”, afirma.

Atualmente, os trabalhos estão na fase de trâmites legais, licenças e projetos de instalações prediais e executivo para dimensionamento financeiro. “Já estamos com o grupo de parceiros escolhidos e a construção adotará o regime de consórcio de empresas”, comenta Maria José, revelando que a questão econômica foi uma das maiores dificuldades. “A princípio, achou-se que a captação de recursos via bancos poderia ser um empecilho ou mesmo que o projeto era economicamente inviável, visto que o mercado brasileiro ainda tem uma falsa impressão sobre obras sustentáveis – alguns empresários acreditam que estas são muito mais caras e difíceis de serem executadas. Entretanto, a captação de água pluvial e o aquecimento solar, por exemplo, terão payback mais rápido do que o previsto”, ressalta.

Cidade do Container

A arquiteta conta que as ações sustentáveis adotadas no projeto passam pelo pioneirismo, empreendedorismo, tamanho, importância e certificação ainda inédita no Brasil. “Além da eficiência energética, redução no consumo de água potável através da captação de água da chuva destinada à irrigação, lavagem de pátios e reuso industrial, telhados verdes, aquecimento solar para 80 chuveiros na área de vestiários de funcionários, entre outras providências, não podemos esquecer também a inovação do projeto, que inclui responsabilidade social. Um exemplo é que a fábrica disponibilizará bicicletas para circulação interna dos operários, evitando que eles andem mais do que o necessário e contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores”, detalha.

O mercado brasileiro ainda tem uma falsa impressão sobre obras sustentáveis – alguns empresários acreditam que estas são muito mais caras e difíceis de serem executadas. Entretanto, a captação de água pluvial e o aquecimento solar, por exemplo, terão payback mais rápido do que o previsto

Contempla, também, a oferta à comunidade local de uma academia de musculação e um campo de futebol – estruturas que poderão ser utilizadas pelos funcionários do parque fabril. “O complexo vai interagir com a comunidade, transformando-o em multiplicador de ideias e interferindo diretamente na formação de opinião e cidadania dos moradores do entorno e dos funcionários”, destaca a arquiteta.

Construindo com containers

O nome do empreendimento não é por acaso, já que sediará uma empresa que fabrica containers, item que além do transporte de mercadorias também pode ser utilizado na construção civil. “Esta é uma ação que se torna cada vez mais comum. Uma das grandes vantagens deste processo é a redução do uso da madeira para a edificação dos barracões e escritórios, além da velocidade de construção, estética e conforto. Há múltiplas soluções para as mais diversas aplicações. Vale a pena reforçar também a utilização de containers beneficiados no mercado offshore, em plataformas e embarcações em geral”, diz Rafael Tavares, sócio-diretor da Arktos.

Estão previstas ações de eficiência energética, redução no uso e consumo de água, entre outras. A meta é alcançar a certificação máxima

Uma das alternativas oferecidas pelo Grupo Milanez são os containers específicos para uso habitacional. Os equipamentos são preparados para garantir conforto térmico e acústico e podem ser utilizados com diversas finalidades, já que o conceito modular permite ampla aplicação em diferentes obras e montagens. Dentre as soluções empregadas para tornar o container habitável estão o chassi constituído de tela perimetral de aço com perfis e travessas secundárias galvanizadas; paredes laterais e frontais montadas com painéis a partir de pilares, através de encaixe e fixação nas laterais por perfis aparafusados; teto em painéis de isopor; janelas do tipo maxim-air instaladas através de recorte feito no painel; com o objetivo de melhorar o isolamento térmico e acústico, há a opção de colocar uma manta de lã mineral de 25 mm de espessura entre o forro e a cobertura (telhas); piso fabricado em compensado naval, com tratamento contra fungos e pragas, revestido com manta vinílica; e instalações elétricas conforme as normas da CEI e com tensões previstas para 110/220 V.

Cidade do Container

A empresa também monta unidades modulares de acordo com o projeto. Uma vez instaladas, podem ser facilmente movimentadas. Diante da necessidade de ampliação de espaço, outras unidades podem ser agregadas às já existentes. Além disso, esses módulos podem ser empilhados em estruturas de até três pavimentos, dependendo do projeto. Há ainda a possibilidade de aproveitar a solução como galpões modulares para utilizações temporárias em curto período de tempo. Armazéns, auditórios e restaurantes para 1.000 pessoas são algumas das montagens já realizadas.

Cidade do Container

Colaboraram para esta matéria

Maria e Rafael Maria José de Mello e Rafael Tavares – Sócios da Arktos Arquitetura Sustentável e autores da primeira escola sustentável da América Latina, o Colégio Estadual Erich Walter Heine, que possui certificação LEED Silver. Vencedores do Prêmio Greenbest para Projetos de Arquitetura e Construção 2012, pelo voto da Academia do Greenvana. Finalistas entre os três primeiros projetos de obras públicas, promovido pelo GBC Brasil em outubro de 2011, ficando entre o CENPES - RJ (vencedor da Academia) e o Tribunal de Justiça Federal (Brasília) pelo voto popular prêmio Green Building Brasil, de Sustentabilidade.