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CIM colabora para a produção de novos espaços urbanos

Com conceito similar ao do BIM, tecnologia ajuda a gerar informações inteligentes que podem ser usadas na gestão de cidades

Publicado em: 27/08/2015Atualizado em: 28/08/2015

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Com conceito similar ao do BIM (Modelagem de Informação da Construção, do inglês Building Information Modeling), o CIM (Modelagem de Informação da Cidade, do inglês City Information Modeling) está voltado para a gestão e produção de novos espaços urbanos.

Apesar de ainda ser pouco conhecido pelos profissionais brasileiros, o CIM será um dos temas do TIC 2015 – VII Encontro de Tecnologia da Informação e da Comunicação na Construção, que acontece em Recife, entre os dias 4 a 6 de novembro.

De acordo com o arquiteto Carlos Eduardo Verzola Vaz, doutor do departamento de Expressão Gráfica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro da comissão científica do TIC 2015, há atualmente nas cidades uma produção e um fluxo massivo de dados, que são provenientes de infraestruturas urbanas, coletados por meio de sensoriamento remoto, produzidos pelo cidadão, por meio de dispositivos pessoais, ou a partir de sistemas de gerenciamento de edifícios. "Inúmeras abordagens e sistemas vêm sendo desenvolvidos com o objetivo de aproveitar esses dados, de modo a gerar informações inteligentes, que contribuam não apenas para a gestão da cidade, mas para a produção de novos espaços urbanos, e o CIM é um caso”, explica o profissional.

Inúmeras abordagens e sistemas vêm sendo desenvolvidos com o objetivo de aproveitar esses dados, de modo a gerar informações inteligentes, que contribuam não apenas para a gestão da cidade, mas para a produção de novos espaços urbanos, e o CIM é um caso
Carlos Eduardo Verzola Vaz

Quando se fala em gestão, é possível estabelecer uma clara relação com o conceito de cidade inteligente, em que o objetivo principal é gerar informações que possibilitem administrar os recursos e otimizar o fluxo de pessoas, o consumo de energia e água, entre outros bens. “Nas grandes metrópoles, por exemplo, há um expressivo número de câmeras monitorando diferentes aspectos da vida urbana. Até pouco tempo atrás, era responsabilidade de um indivíduo verificar as imagens produzidas em uma série de monitores. Contudo, atualmente, as tecnologias da informação permitem que esse processo seja realizado de forma automática e, a partir de apenas um sensor (a câmera), cresce a possibilidade de extração de diferentes parâmetros. Podemos agora não apenas identificar indivíduos, mas contar veículos e pessoas ou encontrar picos de uso e de densidade. Isso traz vários desdobramentos em relação a como devemos planejar novas áreas de circulação tanto para veículos quanto para pedestres”, explica.

Apesar de terem propostas semelhantes, os sistemas BIM e CIM diferem em alguns aspectos. De acordo com Vaz, uma diferença significativa que podemos encontrar entre os dois sistemas é que as famílias de objetos paramétricos no City Information Modeling não se relacionam diretamente com a escala do edifício (paredes, portas, janelas etc.), mas com a da cidade (ruas, avenidas, calçadas). "Sistemas como o CIM podem ser alimentados com dados relacionados ao local em que se quer intervir, tais como os relacionados com a topografia, população, tráfego de pessoas e veículos e parâmetros urbanísticos. A partir de um conjunto de regras são gerados modelos tridimensionais, que, assim como em um sistema BIM, pode ser alterado a partir da manipulação de diferentes variáveis.”

O edifício, na maioria das vezes, é projetado e construído como um elemento a ser adicionado à estrutura urbana. O processo se dá de forma independente e tem reflexo em seus sistemas de informação, desarticulados em relação aos sistemas do edifício vizinho
Carlos Eduardo Verzola Vaz

Um exemplo que ele dá é o do sistema CityMaker, desenvolvido pelo pesquisador José Nuno Beirão, no projeto City Induction, coordenado pelo professor José Manual Duarte, da Universidade de Lisboa, Portugal. Neste caso, o pesquisador integra sistemas geográficos de informação e sistemas generativos de projeto, com o objetivo de criar automaticamente diferentes soluções de desenho urbano. Outro sistema que também pode ser lembrado é o Esri CityEngine, desenvolvido pela Esri Research and Development, em Zurique, Suíça. Esse sistema é especializado na geração de ambientes urbanos tridimensionais, por meio de um processo de modelagem procedural. "Em ambos os casos é possível criar diferentes cenários e extrair informações dos modelos gerados”, comenta.

Vaz reforça que a gigantesca profusão de sistemas coletando dados diariamente no ambiente urbano representa, tanto para a gestão quanto para a geração de novos espaços urbanos, uma grande área a ser explorada. Principalmente em relação à articulação entre parâmetros mais estáticos e dinâmicos, e na consolidação de dados gerados em diferentes sistemas, de modo a contribuir com o planejamento do espaço físico da cidade e na gestão de recursos”, cita.

De acordo com Vaz, o uso de modelos BIM não se resume apenas ao projeto e à construção de um edifício, mas pode estar presente como elemento que auxilia na sua manutenção e operação. Neste processo, também são gerados dados e informações. Contudo, eles ficam restritos ao gerenciamento do edifício.

"Uma pergunta interessante a se fazer é como é possível relacionar diretamente BIM e CIM. O edifício, na maioria das vezes, é projetado e construído como um elemento a ser adicionado à estrutura urbana. O processo se dá de forma independente e tem reflexo em seus sistemas de informação, desarticulados em relação aos sistemas do edifício vizinho”, esclarece o profissional.

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Carlos Eduardo Verzola Vaz – possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, mestrado e doutorado em engenharia civil pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pós-doutorado pela Universidade de Melbourne, Austrália. Atualmente é professor adjunto II da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no departamento de Expressão Gráfica. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em conceituação e metodologia de projeto, atuando principalmente nos seguintes temas: a lógica no processo de projeto e estratégias computacionais aplicadas para a geração, simulação e fabricação em arquitetura e urbanismo. Desenvolve pesquisas relacionadas à utilização de tecnologias computacionais aplicadas ao ensino e projeto de arquitetura paisagística e análise pós-ocupação de espaços livres.