Cobertura metálica, sintonia com o sistema

Publicado em: 13/10/2008

Texto: Redação AECweb

É importante que o projetista esteja alinhado com as novas práticas no mercado. O arquiteto Fernando Pinheiro, vice presidente da AsBEA, alerta sobre a necessidade de pensar no sitema como um todo para melhorar a performance

Redação AECweb

Cobertura metálica, sintonia com o sistema

No projeto arquitetônico, a cobertura não pode ser pensada isoladamente. “Para encontrar a melhor performance é preciso estar atento aos outros elementos que compõem o sistema como: estrutura; infra-estrutura; fundação; e o fechamento do perímetro da construção com suporte de pilares que estruturam a cobertura”, diz o arquiteto Fernando Pinheiro, do escritório Lima Pinheiro Arquitetos Associados, dedicado a grandes obras industriais e institucionais, e vice-presidente da AsBEA.

Os projetos têm que atender a certas modulações, por isso é muito importante que o projetista esteja alinhado com as novas práticas no mercado. “Existe uma forte tendência de industrialização nas obras. Está cada vez mais difícil contratar mão-de-obra, portanto o conceito de obra artesanal já não é mais tão praticado nas grandes construções”, observa, dizendo que os projetos que realiza são, invariavelmente, voltados para as estruturas pré-fabricadas, industrializadas em concreto ou em estrutura metálica.

“Em alguns casos, até nas coberturas de telhas de barro, a estrutura convencional de madeira está sendo substituída por alguns sistemas industrializados ou peças pré-moldadas em concreto ou metálicas, pois alguns fornecedores oferecem estruturas que substituem o madeiramento de casas”, conta.

Sistema Telha Roloformada
Um dos sinais da industrialização nos canteiros é o sistema de telha roloformada em que a cobertura é produzida no local. O sistema vem sendo desenvolvido no Brasil já há alguns anos e vem sendo praticado por diversas empresas montadoras e fabricantes de estruturas metálicas de cobertura. “O sistema que utilizamos de telha roloformada chama-se ‘sanduíche’. A telha inferior é trapezoidal e não ultrapassa 12 m, podendo ser transportada e montada na obra. Em seguida, é aplicada uma manta de isolamento termoacústico, que pode ser em lã de vidro ou de rocha. Através de uma bobina de aço plana, o montador instala uma máquina que é muito semelhante a uma prensa, onde a telha entra plana e sai com a sua seção trapeizodal roloformatada, que depois é montada sobre o isolamento e zipada”, conta, dizendo que ela consegue vencer grandes vãos, sendo esse o diferencial. 

Para o arquiteto, a utilização dessa tecnologia permite velocidade na montagem na obra, porque o próprio caminhão carrega uma carga com volume maior já que é transportada em bobinas e a produção é feita no local. “O sistema de cobertura tem garantia de impermeabilização porque é zipado, ou seja, a telha é costurada, ficando, praticamente, estanque, podendo ser utilizado em telhados com caimento menor”, avalia, comparando: “já vi estruturas montadas com inclinação de 1,5 %. Comparando com o sistema convencional de cobertura residencial, com telha francesa, é preciso um caimento de 35%, ou a telha de barro de 25%. Outras estruturas metálicas, que não são zipadas, precisam de um caimento em torno de 10% a 15%”.

Estanqueidade
Em relação à estanqueidade das coberturas metálicas houve avanços. “Antigamente, as telhas de concreto eram montadas de face e o que dava a impermeabilização era o sistema de manta butínica. Hoje, temos o rufo e as telhas sobrepostas de concreto que conseguem resolver bem a essa questão”, observa, dizendo que a telha de concreto é, economicamente, mais viável para vãos menores, apesar de ser mais pesada se comparada à metálica. Porém, com o alto preço do aço, o sistema de pré-moldado de concreto ainda é o mais viável para as estruturas de vãos menores.

Isolamento térmico
O isolamento térmico do sistema metálico pode ser aplicado não apenas na cobertura, como também sob as telhas de concreto. “Para um país tropical como o Brasil é fundamental que as construções tenham beiral. Muitas vezes somos influenciados por sistemas da Europa, mas, lá é o inverso, para ter qualidade nas fachadas, o ideal é que não se tenha beiral, pois não tem tanta chuva e vento como aqui”, diz, acrescentando que no Brasil, o beiral deve ser bem estruturado para não ter arranque, principalmente com as estruturas metálicas, que são mais suscetíveis a fenômenos externos que as de concreto.

Peso
Tendência de mercado, a substituição da telha de fibrocimento pela metálica leva à considerações quanto à diferença de peso específico de cada uma. Dependendo do sistema, a de fibrocimento pode alcançar 20 kg/m2, enquanto que a metálica fica em 5 ou 7 kg/m2. “Estamos substituindo, em várias obras, a telha de fibrocimento pela telha metálica e realizando laudo com uma empresa especializada para termos subsídio”, adianta o arquiteto, que prossegue: “Teoricamente, retiramos a carga da cobertura, porém não quer dizer que resolvemos o problema estrutural, pois em alguns casos o peso da metálica é importante para firmar a estrutura em relação a vento e arranque. Além disso, a  substituição pela metálica pode trazer prejuízo para a estrutura da cobertura, se esta não for bem fixada ou ter o cálculo revisto,”, finaliza Fernando Pinheiro, contando que, no momento, está substituindo as telhas de fibrocimento por metálica numa obra de 97 mil m², em Sorocaba.