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Coberturas ecoeficientes podem ter mantas refletivas e telhado verde

Soluções são eficazes na redução das ilhas de calor, emissão de COVs e consumo de energia elétrica

Publicado em: 05/01/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Telhado com acabamento refletivo (John Panella/shutterstock.com)

Grandes cidades possuem problemas característicos. Em questão de conforto ambiental, a retenção do calor representa uma das principais adversidades, gerando as famosas ilhas de calor. Com base nisso, a Fundação Espaço ECO desenvolveu um estudo que buscou identificar a cobertura mais ecoeficiente, comparando soluções usadas em residências. A metodologia foi baseada na avaliação de ciclo de vida dos produtos (NBR ISO 14040).

A pesquisa seguiu uma abordagem de ‘berço a túmulo’, considerando os impactos ambientais das etapas de extração de recursos naturais, desenvolvimento do produto até o transporte e instalação do mesmo.

“Em alguns casos, produtos ecoeficientes podem exigir um investimento maior. Porém, quando são consideradas fases como manutenção e operação, o custo total poderá ser menor”, justifica Juliana Silva, gerente de socioecoeficiência da organização.

O QUE É ECOEFICIÊNCIA? A ecoeficiência baseia-se em métodos sustentáveis para exploração dos recursos naturais e comercialização acessível. De acordo com a WBCSD — World Business Council for Sustainable Development, o conceito pode ser alcançado “mediante o fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida, ao mesmo tempo em que reduzem progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida”.

MANTAS REFLETIVAS

Os resultados da pesquisa da Fundação Espaço ECO apontam que as mantas refletivas (Cool Roof) apresentam o melhor equilíbrio entre desempenho econômico e ambiental para cobertura de projetos residenciais. O estudo foi feito com climatização artificial, mantendo a temperatura interna em 24°C durante 24h ao longo de 30 anos em um espaço de 63,5 m².

“Devido à sua propriedade refletiva, seu desempenho ambiental no isolamento térmico foi melhor, uma vez que o calor transmitido por radiação não é absorvido pela cobertura da casa, reduzindo assim o consumo de energia elétrica para seu resfriamento”, explica Silva.

Em alguns casos, produtos ecoeficientes podem apresentar um custo de investimento maior. Porém, quando são consideradas fases como manutenção e operação, o custo total poderá ser menor
Juliana Silva

O sistema de mantas pode ser encontrado em tipo asfáltico com revestimento aluminizado ou em membrana elástica branca. Além de refletirem a luz solar, ambas são impermeáveis.

As mantas asfálticas possuem diversas opções de primer com baixo índice de COVs — compostos orgânicos voláteis — para fixação, mas requerem atenção na especificação. “É importante selecionar o primer compatível com a manta asfáltica, pois a aderência do sistema dependerá da eficiência dos dois produtos integrados à base”, orienta Flávio de Camargo, gerente técnico da Denver Impermeabilizantes.

As mantas em membrana líquida, por sua vez, não requerem outro componente de fixação, uma vez que são aplicadas como pintura. “São feitas à base de acrílico com água e apresentam baixa emissão de COV, além de serem isentas de amoníaco e com ação fungicida”, conta Eliene Ventura, gerente técnica da Vedacit. Devido à sua alta elasticidade, a membrana também garante maior rendimento.

“Ela pode ser aplicada em diferentes tipos de coberturas expostas, como lajes de concreto pré-moldadas; marquises; coberturas inclinadas como abóbadas e sheds; calhas e canaletas de PVC, zinco e fibrocimento; telhas ecológicas e telhados de fibrocimento, barro e zinco”, cita a gerente.

Em relação ao processo de instalação, as mantas asfálticas são mais racionais, pois eliminam demãos e a necessidade de espera para secagem e cura final. Elas também podem ser aplicadas em diversos tipos de telhados. “No caso dos policarbonatos, a base deve ser lixada e imprimada com primer especial à base de cromato de zinco ou então aplicada flutuante, sendo fixada mecanicamente na parte superior e nas laterais”, acrescenta Camargo.

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Edifício com telhado vivo (yyama/shutterstock.com)

TELHADO VERDE

O telhado verde foi outra solução que entrou na análise comparativa da Fundação Espaço ECO como cobertura ecoeficiente. Segundo a instituição, esse sistema não é mais econômico do que as mantas em relação a transporte e manutenção. Em compensação, o uso de recursos naturais para desenvolvimento de telhados vivos é três vezes menor.

O sistema também reduz a carga térmica da cobertura, além de proporcionar condições atmosféricas melhores. “É possível utilizar espécies vegetais que filtram compostos fenólicos tóxicos. O substrato de cultivo e as raízes das plantas também têm um papel importante, pois regulam o pH da água da chuva-irrigação, retendo, ainda, compostos tóxicos”, argumenta Sérgio Rocha, diretor executivo do Instituo Cidade Jardim.

Para evitar geração de resíduos na obra, é necessário optar por sistemas modernos de cobertura verde. “A montagem do telhado verde com componentes pré-fabricados, que são enviados conforme o tamanho especificado, reduz a necessidade de preparações in loco e de uso intensivo de mão de obra”, revela Rocha. Também é importante recorrer a componentes reciclados para montagem dos telhados verdes, como plásticos, mangueiras e substrato natural.

A montagem do telhado verde com componentes pré-fabricados, que são enviados conforme o tamanho especificado, reduz a necessidade de preparações in loco e de uso intensivo de mão de obra
Sérgio Rocha

Para otimizar a cobertura, é possível projetar telhados verdes com argila expandida. Leve, o material não compromete a estrutura e colabora com o isolamento térmico. Além disso, ele também reduz a necessidade de irrigação e, consequentemente, o consumo de energia.

“A argila expandida absorve 10% do peso dela em água, não deixando encharcar o sistema do telhado e apodrecer as raízes. Essa água que ela absorveu vai retornar ao substrato em forma de vapor. Então é possível manter ele sempre úmido e diminuir a necessidade de irrigação”, comenta Sérgio Fernandes, representante de vedas da Cinexpan.

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Colaboraram para esta matéria

Eliene Ventura – tecnóloga civil pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC/SP). Cursos complementares em construção civil pela Faculdade de Engenharia São Paulo (FESP) e Administração pela Anhembi Morumbi. Gerente técnica da empresa Vedacit. Desenvolve trabalhos junto ao Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI) e normatização junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Flávio de Camargo – especialista e atuante no mercado de produtos químicos e impermeabilizantes há mais de 15 anos, tendo sido coordenador e secretário de diversas normas técnicas ABNT, ministrado cursos e palestras em diversas entidades e autor de trabalhos e artigos técnicos do segmento. É gerente técnico e integra a equipe de marketing da Denver Impermeabilizantes.
Juliana Silva – pós-graduada em Gestão e Tecnologias Ambientais pela Universidade de São Paulo (USP) e graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), cursa MBA na Fundação Instituto de Administração (FIA). É gerente de socioecoeficiência da Fundação Espaço ECO com atuação no desenvolvimento de consultoria e gerenciamento de projetos de análise de ciclo de vida e socioecoeficiência de produtos, bem como desempenho socioeconômico e ambiental na área agrícola.
 
Sérgio Fernandes – representante de vendas da Cinexpan.
Sérgio Rocha – um dos fundadores e diretor executivo do Instituto Cidade Jardim. Possui graduação em engenharia agronômica pela UNESP/FCA Botucatu, com mestrado em recursos genéticos vegetais/etnobotânica pela UFSC/CCA em Florianópolis. Foi indicado como 'Proeminente Conservacionist' pela Universidade de Columbia/CERC em NY por seu trabalho como pesquisador na Amazônia, tendo também colaborado como analista de projetos na Fundação AVINA e como professor/ativista do movimento de Permacultura no Brasil.