Com iluminação zenital, arquiteto tem mais flexibilidade para projetar

Entrada de luz natural pela cobertura proporciona formas múltiplas às edificações e permite clarear ambientes centrais da planta, além de reduzir o consumo de energia elétrica durante o dia

Publicado em: 06/12/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

A luz solar é um elemento abstrato que configura a espacialidade da arquitetura. Quando há um sistema de iluminação zenital, que clareia os ambientes pela cobertura, o arquiteto tem mais flexibilidade para projetar. “Se a luz entra por cima, a iluminação atinge todos os lados do ambiente, permitindo que os edifícios assumam formas múltiplas, como cilíndricas, ovais, tubulares, entre outras”, explica o arquiteto Decio Tozzi, titular do escritório Decio Tozzi Arquitetura e Urbanismo.

“É possível tratar a luz poeticamente com um objetivo maior de emocionar e valorizar a arquitetura, algo muito além de somente iluminar um ambiente”, menciona o arquiteto Bruno Bonesso Vitorino, titular do escritório AUM Arquitetos, destacando duas sumidades no assunto: os arquitetos contemporâneos Álvaro Siza e Tadao Ando.

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Vista interna, de baixo para cima, de um domos de vidro (Kanyapak Lim/ Shutterstock.com)

AMBIENTES CENTRAIS E REDUÇÃO DE CONSUMO

Além de flexibilizar a configuração espacial da arquitetura, o sistema de iluminação zenital também aparece como solução para trazer luz a um ambiente central da planta, cujas paredes não fazem fronteira com o ambiente externo. “Edifícios fabris costumam receber sheds na cobertura para permitir iluminar uma planta muito extensa, onde a luz oriunda das janelas não atinge o centro do prédio”, exemplifica Vitorino.

Também é comum encontrar sistemas de iluminação zenital em banheiros residenciais e comerciais, principalmente por esses ambientes serem pequenos e dispostos no interior da planta. “Assim, a iluminação zenital faz as vezes da janela na parede”, pontua o titular do escritório AUM.

Outra vantagem é a redução do consumo de energia elétrica do empreendimento, uma vez que esse sistema de iluminação substitui o uso de luminárias durante o dia.

FORMAS E CUIDADOS PARA PROJETAR

A distribuição de luz pela cobertura de um ambiente varia de acordo com os diferentes elementos zenitais que podem ser utilizados no projeto, como sheds, domos, claraboias, lanternins, átrios, entre outros.

Se a luz entra por cima, a iluminação atinge todos os lados do ambiente, permitindo que os edifícios assumam formas múltiplas, como cilíndricas, ovais, tubulares, entre outras
Decio Tozzi

“É possível proporcionar diversas tonalidades de luminância conforme a orientação dos elementos, além de dosar a quantidade de luz nos ambientes”, conta Tozzi, ressaltando que é necessário tomar cuidado com o excesso de luminosidade e calor, orientando as aberturas de modo a evitar a incidência direta dos raios solares.

O objetivo é garantir que o projeto de iluminação zenital proporcione uma luz difusa permanente e igualmente distribuída no ambiente. “A orientação mais indicada para as aberturas é o hemisfério sul, porque não bate raio solar direto”, instrui Tozzi.

Outra solução para a questão térmica consiste em integrar aberturas para troca de ar, proporcionando efeito chaminé à edificação. “O ar se desloca da temperatura menos elevada para a mais elevada. Como a cobertura tem uma temperatura mais elevada, as aberturas em sistemas zenitais conferem mais exaustão e aeração ao projeto”, descreve Tozzi.

ESPECIFICAÇÃO DE MATERIAIS

A especificação de materiais que irão compor o sistema de iluminação zenital é uma etapa importante, já que algumas soluções ajudam a resolver pontos críticos do projeto. “O cuidado deve se concentrar na quantidade de raios UV que entra no ambiente, pois isso pode causar desconforto aos usuários e aumentar o consumo de ar-condicionado”, relata Vitorino.

O cuidado deve se concentrar na quantidade de raios UV que entra no ambiente, pois isso pode causar desconforto aos usuários e aumentar o consumo de ar-condicionado
Bruno Bonesso Vitorino

Uma solução para esse exemplo prevê a especificação de mecanismos que permitam a entrada de luz e, ao mesmo tempo, barrem as ondas que causam o calor. “Uma opção são os vidros de baixa emissividade, que filtram os raios solares”, indica.

Como a questão técnica influencia na escolha, os materiais usados em iluminação zenital variam de acordo com a demanda do projeto, como dimensão da abertura, da transparência desejada e da quantidade de raios UV que será transmitida para o interior da edificação.

Os materiais mais comuns são vidros encaixilhados, elementos de policarbonato e acrílico. “Algumas empresas possuem sistemas prontos padronizadas enquanto outras desenvolvem sistemas personalizados para cada projeto”, acrescenta Vitorino.

MANUTENÇÃO DO SISTEMA

Como na maioria das vezes é necessário acessar a cobertura para executar a manutenção dos materiais, o serviço é mais complexo em comparação com janelas e aberturas laterais. “O desafio depende dos materiais empregados. O silicone de vedação pode ressecar com o tempo e precisará ser substituído. Dependendo da inclinação do vidro, ele pode acumular poeira e sua limpeza pode ser dificultada pela altura”, cita Vitorino.

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Colaboração técnica

Bruno Bonesso Vitorino – graduado arquiteto pela FAU-Mackenzie, pós-graduado em Patrimônio Arquitetônico pela Unicsul e mestrado pela FAU-USP. É titular do escritório AUM Arquitetos.
Decio Tozzi – graduado arquiteto pela FAU-Mackenzie e mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas pela FAU-USP. É arquiteto titular do estúdio Decio Tozzi Arquitetura e Urbanismo.