Como as construtoras podem ter mais sucesso com a inovação aberta? Confira dicas

Relacionamento com startups é estratégia cada vez mais explorada para acelerar a inovação corporativa. Porém, requer cuidados e transformações internas. Saiba mais:

Publicado em: 21/07/2021Atualizado em: 04/08/2021

Texto: Juliana Nakamura

Construtoras inovação aberta
As principais construtoras do país mantêm equipes de inovação (Foto: Serhii Bobyk/Shutterstock)

Embora a construção civil seja conhecida por seu apego a soluções tradicionais, nos últimos anos o ecossistema de inovação tem adquirido maior importância no setor. Conforme o Mapa de Startups realizado em 2020 pela Terracotta Ventures, há mais de 700 startups ativas no país com soluções para a indústria da construção e para o mercado imobiliário. O número indica um crescimento de 180% de construtechs e proptechs em relação ao mapeamento publicado em 2017. Ele também mostra que as empresas têm acesso a um acervo cada vez mais diverso de novas soluções para impulsionar seus negócios.

Organizações de todos os setores deveriam buscar a inovação visando a perenidade do negócio
Rafael Alpire

Hoje, as maiores construtoras brasileiras mantêm equipes internas dedicadas à inovação e/ou programas para estimular a conexão com as startups. “Organizações de todos os setores deveriam buscar a inovação visando a perenidade do negócio”, diz Rafael Alpire, especialista em gestão do conhecimento e inovação na Engeform. Segundo ele, “as mudanças estão cada vez mais aceleradas e quem não conseguir navegar nesse mar agitado, corre o risco de desaparecer do mercado em pouco tempo”.

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Modelo de inovação

Entre as empresas da construção brasileira, um modelo de inovação muito adotado é o aberto (open inovation), que se baseia na promoção de uma inovação mais colaborativa, com a empresa se conectando a partes externas (startups, institutos de pesquisa, outras empresas etc.).

“A inovação aberta permite que as soluções venham por vários meios, em ambientes de compartilhamento e cocriação, o que é bem diferente dos modelos anteriores/tradicionais, que limitavam a inovação à fronteira da instituição. Desta forma, as novas ideias circulam com mais agilidade entre o ecossistema, com parceiros, empresas de outros setores, faculdades, startups, hubs e até concorrentes”, explica Alpire, ressaltando que essas novas fontes de conhecimento possibilitam interpretação, desenvolvimento e ajustes para melhorias, alavancando a inovação.

Entre as vantagens associadas à inovação aberta estão a maior velocidade, o menor investimento e o compartilhamento de riscos. “Essa estratégia de inovação aumenta em 10 vezes o número de iniciativas novas, demora 20% do tempo de execução e é 50 vezes mais rápida do que o modelo fechado”, compara o especialista da Engeform. A construtora já utiliza em 100% de suas obras tecnologias advindas do ecossistema de inovação, obtendo ganhos como redução de custos, maior produtividade e/ou aumento de qualidade.

Principais desafios

Até atingir todos os benefícios da inovação, as empresas precisam percorrer uma jornada que é especialmente desafiadora pela necessidade de haver uma cultura interna consistente. “É preciso criar um ambiente favorável, por meio do incentivo à cultura do erro, autonomia do time, decisões descentralizadas, com conforto para ambiguidade e incerteza. Além disso, a inovação deve estar presente no cerne do planejamento estratégico da empresa”, destaca Rafael Alpire.

Esta é uma forma de engajar e potencializar o nosso capital humano, para que haja uma sensibilização para o papel de protagonistas que cada um de nós temos nessa transformação
André Lara

As práticas corporativas para eliminar gargalos nesse processo podem ir desde a criação de comitês e ações entre departamentos, até projetos para incentivar o desenvolvimento de propostas inovadoras para a melhoria contínua dos processos. A Allonda, por exemplo, promoveu recentemente entre seus colaboradores um programa interno de inovação para geração de ideias voltadas à reutilização, reciclagem, eliminação de desperdício, otimização de recursos e consumo consciente. Segundo André Lara, coordenador de sustentabilidade da companhia, o objetivo é gerar um movimento interno de mobilização dos funcionários em prol da inovação. “Esta é uma forma de engajar e potencializar o nosso capital humano, para que haja uma sensibilização para o papel de protagonistas que cada um de nós temos nessa transformação”, diz Lara.

“Quando falamos em uma jornada de inovação, o mais importante é começar, mesmo que seja com ações pequenas”, reforça Alpire. Ele dá cinco dicas para tornar esse processo mais fluído e bem-sucedido:

• Ter o apoio da alta administração da empresa;
• Possuir um propósito claro e bem definido com a inovação;
• Focar na construção de uma cultura de inovação;
• Possuir resiliência. É necessário saber aprender com os erros e acertos e seguir firme na jornada;
• Principalmente no início, promover “quick wins” com soluções de baixa complexidade. A ideia é divulgar internamente pequenas conquistas para manter o engajamento e motivar seus executores.

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Colaboração técnica

 
Rafael Alpire — Engenheiro civil, é especialista em gestão do conhecimento e inovação na Engeform.
 
André Rodrigues de Lara — Engenheiro químico, é coordenador de sustentabilidade da Allonda.