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Como calcular a quantidade certa de revestimentos? Veja dicas

Áreas de desenho irregular ou uso de peças de grandes dimensões tendem a gerar maiores perdas. Nesses e em outras situações, é fundamental elaborar projeto de paginação

Publicado em: 28/10/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Como calcular a quantidade certa de revestimentos
Quanto menor a peça, mais rejunte será empregado por metro quadrado (Foto: taurusphoto/Shutterstock)

Calcular a quantidade correta de revestimentos cerâmicos, argamassa e rejunte para a obra envolve informação sobre os produtos, projeto e boas práticas de execução. O arquiteto Flavio Cunha Machado, titular da Set Arquitetura e Construções, lembra que, no mercado, predomina a comercialização dos revestimentos por metro quadrado, inclusive de pastilhas apresentadas em placas de 0,30 x 0,30 cm e acomodadas em caixas. “A exceção fica com os itens exclusivos e sofisticados vendidos por peça”, diz.

Acompanhando esse critério, a orientação é considerar a área a ser revestida e o seu desenho. É preciso contabilizar se o local tem apenas ângulos retos – em geral, um quadrado ou retângulo – ou se há curvas ou cantos fora de esquadro.

As dimensões das peças que serão instaladas entram na conta, seguindo o princípio de que há maior perda quanto maior for o tamanho da placa, como ocorre com os revestimentos de grandes formatos. Já as peças menores são mais bem aproveitadas, até mesmo em áreas assimétricas. “Portanto, é preciso aumentar a quantificação se a área for irregular e se for usar lastras”, resume o arquiteto.

Como escolher revestimentos cerâmicos e evitar patologias

Rodapé

A quantidade de material para o rodapé é calculada em metros lineares, devendo ser contabilizado todo o contorno da área para se chegar ao número total de peças. Por exemplo, se a obra está utilizando no piso peças de 0,90 x 0,90 m e vai adotá-las também para o rodapé, para cobrir uma área com 10 x 10 m, num total de 40 m lineares, serão necessárias 22 peças.

“Isso porque a placa dessa dimensão será cortada em duas, totalizando 1,80 m linear. Depois, basta reduzir cada metade para a altura projetada do rodapé – as mais usuais são de 0,10 ou 0,15 cm”, explica. A opção de cortar a placa ao meio resulta em melhor acabamento, beneficiado pela borda retilínea original da peça. Outra opção é fatiar a placa, aproveitando-a ao máximo, mas esse procedimento não tem um resultado satisfatório, pois a área de corte geralmente fica serrilhada e visível.

Projeto de paginação

A melhor prática para executar o cálculo e o serviço de assentamento com exatidão, inclusive evitando perda de material, está na elaboração de um projeto de paginação de piso. “Ter o desenho prévio da instalação do piso é muito importante, assim como considerar a saída, ou seja, onde vai começar o assentamento que deve ser dividido pelo tamanho exato da peça”, ensina.

As fábricas estão evoluindo muito rápido em cores, estampas e texturas, razão pela qual elas não mantêm os produtos em linha por muito tempo
Flavio Cunha Machado

Calcular as sobras de peças necessárias para futuras substituições é fundamental, até porque, atualmente, é muito difícil encontrar no mercado um revestimento que tenha mais de três anos. “As fábricas estão evoluindo muito rápido em cores, estampas e texturas, razão pela qual elas não mantêm os produtos em linha por muito tempo”, destaca Machado.

A margem que ele considera boa para uso futuro, até mesmo em pequenas reformas, é de 10 a 15% do total adquirido. “Se a área for muito grande, esse índice pode ser inviável, por exigir um local maior para armazenagem. Mas, se for de até 300 m² de material assentado, 10% é bem interessante”, avalia.

Argamassa colante e rejunte

Todos os fornecedores indicam a quantidade ideal de argamassa colante e rejunte para a colocação dos revestimentos. “Mas, não é uma matemática exata”, alerta. O menor consumo de material vai depender de o contrapiso estar bem nivelado e executado. Outra variável é o número de colagens exigida por cada tipo de revestimento, ou seja, se são duas – uma no piso e outra na peça – ou se será feita uma única. “Em suma, cada produto tem uma indicação do volume de argamassa a ser utilizada”, fala.

O mesmo vale para o rejunte. Quanto menor a peça, mais rejunte será empregado por metro quadrado. Alguns revestimentos pedem menos rejunte, como os retificados com juntas de apenas 1 mm. Peças de grandes formatos retificadas utilizam muito menos rejunte. “É preciso ter atenção para buscar informações de acordo com cada tipo de revestimento”, orienta.

Cada produto tem uma indicação do volume de argamassa a ser utilizada
Flavio Cunha Machado

É sempre aconselhável verificar as informações produzidas pelo fabricante dos revestimentos, argamassas e rejuntes. Machado lembra que há quem retire um piso e instale outro novo sobre contrapiso totalmente irregular, o que vai exigir grande volume de argamassa. E finaliza: “Cada caso é um caso. Por isso, o ideal é que cada um entenda o seu projeto, para levantar as quantidades adequadas”.

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Colaboração técnica

Flavio Cunha Machado
Flavio Cunha Machado — Com mais de 25 anos de experiência, iniciou sua vivência profissional aos 13 anos, em um escritório de arquitetura, período em que ingressou no curso de Edificações, na Escola Técnica Oswaldo Cruz Paes Leme. Ele chegou a manusear prancheta, caneta nanquim, papel vegetal e réguas normógrafo – detalhe que acredita ser um diferencial com relação a uma visão de escala e proporção. No comando do escritório SET Arquitetura e Construções, desenvolve projetos e executa obras nos segmentos corporativo, comercial, residencial, predial, interiores e hoteleiro.