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Como calcular insumos para fazer concreto?

Não existe ‘traço mágico’. É preciso conhecer a tecnologia dos materiais, submeter os insumos a ensaios e, no canteiro, adotar ferramentas de controle e gestão de obra

Publicado em: 13/04/2023Atualizado em: 20/04/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: UnderhilStudio/Shutterstock)

A produção do concreto é baseada na dosagem que deve atender aos requisitos do concreto projetado para a obra. “Entre os parâmetros, destacam-se as diferentes resistências (fck), plasticidades (slump), diâmetro, tipos de agregados e de cimento Portland, entre outros. Esses insumos variam de acordo com a aplicação em obra”, diz a arquiteta Carolina Borges, instrutora profissional no curso Técnico em Edificações e Mestre de Obras do Senai-SP.

Para o cálculo do traço do concreto é considerado, inicialmente, o nível de controle da obra, o que deverá majorar o fck de projeto para o fck de dosagem. Outro fator importante é o água/cimento.

“Teoricamente, quanto menor a quantidade de água, maior a resistência do concreto. Para atingir resistências altas, geralmente faz-se uso de aditivos plastificantes, que permitem a trabalhabilidade do concreto sem prejudicar a sua resistência final”, ensina.

Teoricamente, quanto menor a quantidade de água, maior a resistência do concreto. Para atingir resistências altas, geralmente faz-se uso de aditivos plastificantes, que permitem a trabalhabilidade do concreto sem prejudicar a sua resistência final
Carolina Borges 

Cálculos específicos para tipos de usos

O concreto é um material que, em seu estado plástico, tem grande facilidade de se moldar nas mais diferentes formas, o que amplia muito sua aplicação. Ele pode ser usado na infraestrutura (fundações), superestrutura (pilares, vigas e lajes) ou até em paredes estruturais de concreto.

Já as argamassas podem ser usadas no assentamento de blocos e em revestimentos argamassados (chapisco, emboço e reboco). “Para pavimentos tanto estruturais como contrapiso, é uma argamassa seca, com baixo fator água/cimento para obtenção de resistência mais alta.”

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Para cada tipo de uso, os cálculos são bastante específicos e variáveis. Assim, as argamassas, por exemplo, resultam da mistura de cimento Portland com agregados miúdos, sendo a areia natural o agregado mais comum. Já a adição de agregados graúdos, como a brita, constituirá o concreto de cimento Portland.

Segundo Borges, é notável a diferenciação da constituição das argamassas de assentamento em relação aos concretos usados para preenchimento de pilares. Mas ainda há variáveis que envolvem as diferentes receitas/traço de argamassas e concretos.

“O concreto que será usado em pavimentos e elementos de fundações tem uma plasticidade menor que um concreto que será bombeado para preenchimento de elementos estruturais, como vigas e lajes. No cálculo da dosagem do concreto também levamos em consideração o tipo de adensamento que será feito, com vibradores ou manual. E isso muda a proporção entre agregados graúdos e miúdos, por exemplo.”

O concreto que será usado em pavimentos e elementos de fundações tem uma plasticidade menor que um concreto que será bombeado para preenchimento de elementos estruturais, como vigas e lajes
Carolina Borges 

Perdas e sobras de insumos

Para prevenir perdas de insumos, o ideal é a obra adotar ferramentas de controle e gestão. Carolina Borges sugere a aplicação de 5S e Lean Construction, por exemplo, para a obtenção de uma boa quantificação de insumos, com a utilização de planilhas para cálculos na etapa de planejamento e implantação de controle na obra.

É importante planejar o que fazer com as sobras do concreto virado em obra, que pode ser empregado em elementos não estruturais, como a execução de contrapiso ou calçamento. “Quando não há planejamento, o material é desperdiçado, voltando pra caçamba”, lamenta.

Dependendo da fase em que se encontra a construção, os restos de agregados poderão ou não ser aproveitados. Na etapa de acabamento, quando já não se usa a brita, por exemplo, é possível negociar com o fornecedor ou trocar esse material por outro.

“Por outro lado, a tecnologia dos aditivos para concreto não é muito usada em concreto virado em obra e o nível de controle nesses canteiros, geralmente, não é muito grande”, diz. Daí sua recomendação de uso do concreto usinado, principalmente para garantir a obtenção de uma resistência maior (fck).

“Já nas argamassas de assentamento, usamos aditivos plastificantes”, diz, lembrando que a função desse elemento é aumentar a liga das argamassas de assentamento. E, também, os aditivos hidrofugantes para processos de impermeabilização. “O chapisco, por exemplo, pode receber aditivos adesivos.”

Erro comum nos canteiros

É sabido que o profissional responsável pela elaboração dos traços de concretos e de argamassas estuda a qualidade dos materiais em ensaios de laboratório. Dessa forma, determina o melhor traço para cada serviço.

No entanto, a crença recorrente em alguns canteiros é de que existe um “traço mágico” para o concreto. “Desconsiderando as características do ambiente da obra e os ensaios dos materiais, esses profissionais se propõem a resolver os mais variados parâmetros construtivos sem o uso do conhecimento de tecnologia de materiais e controle de obra”, alerta.

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Colaboração técnica

Carolina Borges – É Arquiteta e Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU/USP, especialista em Eficiência Energética com ênfase em Climatização pelo Senai-SP e técnica em Edificações pelo Colégio Industrial Liceu de Artes e Ofício de São Paulo. Pela FAU-USP participou de estudos em planejamento e integração espacial de rede de assentamentos urbanos inseridos na franja norte da Região Metropolitana de São Paulo. Atuou em projeto de extensão universitária em assentamentos populares, promovendo e disseminando técnicas construtivas alternativas e construções verdes para a viabilização de residências sociais, e em diversos escritórios de Arquitetura e Engenharia, desenvolvendo projetos e gerenciando obras. Participou da estruturação e implementação de curso de pós-graduação em BIM da Faculdade de Tecnologia Alpha Channel - Fatac. Atua como instrutora profissional no curso Técnico em Edificações e Mestre de Obras do Senai-SP.