Como comprar brises

Produzidos em diversos materiais in loco ou industrializados, esses elementos de sombreamento das fachadas exigem projeto, que deve atender a um conjunto de variáveis. Saiba mais!

Publicado em: 23/10/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Imagem: Wilkopix/Shutterstock)

Em clima quente como o encontrado no Brasil, os brises têm papel fundamental na arquitetura. “São responsáveis pelo sombreamento de janelas e fachadas-cortina, muito suscetíveis à perda de desempenho devido à incidência de radiação solar. Versáteis, os brises podem servir também para o sombreamento de paredes opacas leves e de claraboias”, explica a arquiteta e mestre Larissa Luiz, sócia da Ca2 Consultores.

A utilização desse elemento pode ser tanto interna ou quanto externa. Mas, ao ser posicionado do lado fora, seu desempenho como elemento sombreador é significativamente superior. “Nessa situação, o brise barra a radiação solar antes mesmo que ela atinja o vidro, ajudando no controle de cargas térmicas e, consequentemente, no controle das temperaturas internas”, ressalta.

O brise barra a radiação solar antes mesmo que ela atinja o vidro, ajudando no controle de cargas térmicas e, consequentemente, no controle das temperaturas internas
Larissa Luiz

Dessa forma, a solução colabora para aumentar a eficiência dos sistemas de ar-condicionado e o conforto do usuário.

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Brise pede projeto

Para que os brises sejam eficazes na proteção solar, seu projeto deve ser detalhado e considerar um conjunto de variáveis. As principais são a orientação da fachada e as demandas de sombreamento, ou seja, em qual horário ele é necessário.

É preciso considerar o entorno existente, a volumetria do projeto e de elementos arquitetônicos diversos. “E, também, as necessidades do usuário no espaço interno, como tipo de uso, demanda de luz natural e horário de ocupação, além dos parâmetros de legislação urbanística local, orçamento e manutenção”, ensina Larissa.

Todos esses parâmetros devem ser analisados para que o brise seja um elemento funcional, que permita o controle da radiação nas fachadas sem que haja problemas quanto à operação, manutenção e limpeza após a instalação. E, ainda, que não prejudique a entrada de iluminação natural nos espaços internos e a ventilação natural.

Brises industrializados

Segundo Larissa Luiz, apesar desse nível de detalhamento no projeto, é possível utilizar elementos pré-fabricados disponíveis no mercado. É necessário, porém, fazer pequenos ajustes de espaçamento entre aletas, verticais ou horizontais, para maximizar o desempenho de acordo com os adequados ângulos de sombreamento.

“Para isso, é fundamental que, assim como no caso de brises personalizados, um estudo detalhado das necessidades do projeto seja feito. Cada projeto é único, princípio que deve ser considerado mesmo com elementos pré-fabricados”, recomenda.

Dependendo do material com que são produzidos, os brises podem ser mais robustos ou mais delicados. Podem ser feitos com materiais mais tradicionais, como concreto, alumínio e madeira, até os mais diferenciados, como painéis cerâmicos, telas e tramas metálicas, têxteis de alto desempenho, vidros serigrafados, bambu, chapas perfuradas e até mesmo módulos fotovoltaicos, que além de sombrear utilizam a radiação incidente para gerar energia.

Os cobogós também são elementos supereficientes para o controle da radiação solar incidente em fachadas, ajudando no sombreamento sem causar obstrução à ventilação natural dos ambientes. “Assim como no caso dos brises, o projeto deve passar por um estudo detalhado para que haja maior aproveitamento do elemento”, orienta.

Formatos

De acordo com as demandas do projeto, é possível projetar brises verticais, horizontais ou até mesmo combinados. “Além dos tradicionais, os brises podem aparecer em formato de painéis, inclusive atrelados ao paisagismo. Podem ser elementos fixos, até mesmo estruturais, e móveis, possibilitando que o usuário interaja com o elemento ou que um sistema automatizado controle a fachada”, destaca.

Automação

A integração dos brises com um sistema de automação expande as possibilidades para esse elemento tão simples, permitindo que, além de uma fachada dinâmica, haja a maximização do desempenho energético do edifício. “Isso sem prejudicar a entrada de luz natural, bem como a associação do sistema de iluminação artificial à fachada, através da dimerização dos circuitos próximos à zona perimetral”, diz Larissa.

Ela destaca que, com o avanço das ferramentas de desempenho paramétrico, os brises podem ainda ser projetados para responder, diretamente, a parâmetros de controle solar. É o caso, por exemplo, das horas de incidência solar direta, considerando o sombreamento do entorno ou a radiação cumulativa incidente. “Dessa maneira, resultará em fachadas extremamente otimizadas do ponto de vista de controle de cargas térmicas de envoltória, mesmo com volumes e formas complexas”, fala.

Outro grande benefício desse elemento é a possibilidade de, apesar dos custos envolvidos – do próprio brise, da estrutura auxiliar e do projeto e instalação –, reduzir custos relativos ao uso de vidros de controle solar e do dimensionamento e operação do sistema de ar-condicionado.

“Apesar de ser um elemento clássico da arquitetura modernista brasileira de décadas passadas, as demandas atuais do clima associadas à linguagem arquitetônica contemporânea fazem com que o brise continue atual e seja mais necessário do que nunca”, conclui.

Apesar de ser um elemento clássico da arquitetura modernista brasileira de décadas passadas, as demandas atuais do clima associadas à linguagem arquitetônica contemporânea fazem com que o brise continue atual e seja mais necessário do que nunca
Larissa Luiz

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Colaboração técnica

Larissa Luiz  – É arquiteta e mestre em Tecnologia da Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Especialista em conforto ambiental e profissional acreditada EDGE Expert pelo International Finance Corporation, é atuante na área de consultoria em conforto ambiental e urbanismo sustentável. Possui ampla experiência em análises de desempenho ambiental com foco em conforto térmico e iluminação natural. É sócia da Ca2 Consultores, liderando a área de Conforto Ambiental.