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Como escolher o melhor aquecedor de piscina

A especificação do sistema de aquecimento – solar, a gás ou elétrico – deve conciliar os critérios de demanda de uso e orçamento para aquisição e despesa mensal do proprietário

Publicado em: 04/09/2017Atualizado em: 24/03/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Aquecedores de piscinas são determinantes para deixar a temperatura da água agradável o ano todo, variando entre 29 °C e 32 °C. Mais do que garantir conforto aos usuários, é uma ótima maneira de evitar que os praticantes de natação abandonem os exercícios em dias frios. Dessa forma, são destinados tanto para residências e condomínios quanto para clubes e academias.

O mercado oferece diversos tipos de sistemas de aquecimento de piscina: a gás, elétrico ou solar. Para especificar a solução mais adequada, é necessário entender como a piscina será utilizada, além de considerar a capacidade de investimento e de gasto mensal do proprietário.

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Aquecedores são usados para deixar a água da piscina quente (CoolR/ Shutterstock.com)

AQUECEDOR SOLAR

O aquecedor solar de piscina está baseado na tecnologia fotovoltaica, que capta a energia do calor do sol para aquecer tubos de cobre por onde a água circula. Mesmo utilizando uma motobomba para circular a água quente, esse sistema é o mais econômico em termos de consumo de energia elétrica, garantindo retorno do investimento inicial mais rapidamente.

“Mas o aquecimento solar não gera energia térmica todos os dias do ano, pois depende da incidência do sol”, pondera Moacir Marchi Filho, presidente do Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Dasol) e controller na empresa Mondialle.

Dessa forma, o sistema pode ser inviável para aquecer piscinas em determinadas estações climáticas ou regiões do país. “Ele deixa a desejar na primavera e outono no sul, sudeste, centro-oeste e sudoeste do Brasil, e pode ser insuficiente no inverno”, revela o engenheiro eletricista Alexander Tenório, diretor executivo-sócio da PowerEsco.

O aquecimento solar não gera energia térmica todos os dias do ano, pois depende da incidência do sol
Moacir Marchi Filho

AQUECEDOR A GÁS

O aquecedor a gás permite esquentar a água da piscina em qualquer estação do ano e localidade, e de forma mais rápida do que o sistema solar. Basta que haja combustível para fazer o sistema funcionar.

Embora seu preço de aquisição seja o mais acessível, o consumo de gás gera uma despesa mensal alta. “Uma piscina de 180 m³ com 25 m x 3,50 m x 2,0 m pode representar custo aproximado de R$ 5.500,00 por mês”, calcula o diretor executivo-sócio da PowerEsco.

AQUECEDOR ELÉTRICO

Assim como o sistema a gás, o aquecedor elétrico é capaz de esquentar as piscinas independentemente da situação. Basta que tenha energia elétrica para alimentar o aparelho, também de chamado de bomba de troca de calor.

Embora seu preço de aquisição seja o mais elevado, o aquecedor elétrico gera uma despesa mensal inferior à do consumo de gás. “Onde se gasta R$ 5.500,00 por mês com gás, pode-se gastar cerca de R$ 2.000,00 com o consumo de energia elétrica da bomba de troca de calor”, compara o engenheiro-eletricista.

COMPARATIVO DE PREÇOS

Segundo Tenório, para uma piscina de 180 m³ com 25 m x 3,50 m x 2,0 m, a instalação do sistema de aquecimento a gás é a mais barata, procedida pelo solar e, por fim, pela bomba de troca de calor.

Mas o investimento inicial deve levar em conta a despesa mensal que o sistema escolhido irá proporcionar ao empreendimento. Confira os valores aproximados citados pelo engenheiro-eletricista na tabela abaixo:

SISTEMAINVESTIMENTO INICIALDESPESA MENSAL
Aquecedor solarR$ 15.000,00Quase zero
Aquecedor a gásR$ 11.000,00R$ 5.500,00
Aquecedor elétricoR$ 40.000,00R$ 2.000,00

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COMO ESCOLHER

A especificação do aquecedor ideal para cada piscina deve levar em consideração a demanda de aquecimento das águas, a capacidade de investimento inicial do proprietário e o nível de despesa mensal desejada.

“Se a piscina é mais utilizada no verão e está no sudeste do país, o aquecimento solar é a melhor solução, já que o investimento inicial é baixo e a despesa mensal é insignificante”, analisa Tenório.

Caso a piscina esteja em regiões com menor incidência de luz solar ou apresente demanda de uso em estações frias, a melhor escolha são os aquecedores elétrico e a gás. Também é possível utilizá-los como sistemas de apoio do aquecimento solar, mas isso requer maior investimento do projeto.

“Se é possível investir um pouco mais no início, recomenda-se a bomba de calor, pois em cerca de dois anos o investimento adicional com relação ao aquecimento a gás se paga pela economia mensal. Se for necessário economizar no investimento inicial, coloca-se gás, mas sabendo que vai gastar mais todo mês”, explica Tenório.

Se é possível investir um pouco mais no início, recomenda-se a bomba de calor, pois em cerca de dois anos o investimento adicional com relação ao aquecimento a gás se paga pela economia mensal
Alexander Tenório

O especialista ainda ressalta que toda essa análise muda caso os aparelhos sejam utilizados apenas nos fins de semana. “Neste caso, o investimento adicional com a bomba de calor pode demorar até cinco anos para retornar com relação ao aquecimento a gás”, conclui.

MANUTENÇÃO

A manutenção preventiva dos aquecedores consiste basicamente na avaliação e limpeza do sistema. “Nos solares, a manutenção é feita nas bombas e nas placas coletoras. Já para a bomba de troca de calor e aquecedor a gás, é feita na parte elétrica, nas tubulações e nos componentes do sistema”, acrescenta Marchi.

É recomendado que o serviço seja feito a cada seis meses por uma mão de obra especializada. Caso contrário, há mais chances de aparecerem problemas que podem até inviabilizar o uso dos aparelhos, cujo custo de reparo é elevado.

NORMAS

Projetos de piscinas aquecidas devem levar em consideração algumas recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As principais são: NBR 5410 — Instalações elétricas de baixa tensão; NBR 13103 — Instalação de aparelhos a gás; NBR 15526 — Projeto e execução de redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais; NBR 7198 — Projeto e execução de instalações prediais de água quente; e NBR 5626 — Instalação predial de água fria.

Já as normas mais direcionadas para o sistema de aquecimento solar estão em revisão, atualmente em fase de consulta pública. “São as NBR 12269 — Execução de instalações de sistemas de energia solar que utilizam coletores solares planos para aquecimento de água; NBR 15569 — Projeto e instalação de sistema de aquecimento solar de água em circuito direto; e NBR 15747 — Sistemas solares térmicos e seus componentes”, informa Marchi.

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Colaboração técnica

 
Alexander Tenório – engenheiro eletricista pelo Mackenzie, mestre em sistemas de potência pela USP e MBA em finanças pelo IBMEC. Tem 20 anos de experiência em eficiência energética. Atuou por 10 anos em concessionária de energia e, há 10 anos, é diretor executivo-sócio da PowerEsco.
 
Moacir Marchi Filho – formado em administração de empresas, análise de sistemas e contabilidade, com mestrado em finanças. É especialista em engenharia da informação, direito tributário e projetos de energia solar térmica e fotovoltaica. Ocupa o cargo de controller na empresa Mondialle. É presidente do Dasol (Departamento Nacional de Aquecimento Solar) e vice-presidente do Conselho de Administração da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento).