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Como escolher o tipo certo de andaime para cada obra

É preciso conhecer os detalhes técnicos de cada um dos quatro modelos, capacidade de carga e altura atingível, além de recomendações de uso

Publicado em: 10/02/2023Atualizado em: 13/02/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: Shutterstock)

Andaime não é tudo igual. Na verdade, cada modalidade tem suas características técnicas, funções e usos específicos. Alguns, inclusive, sequer devem ser utilizados em determinados tipos de obras. O engenheiro Jefferson Carlos da Silva, consultor Técnico da Associação Brasileira de Fôrmas, Escoramentos e Acesso (Abrasfe), detalha os quatro tipos disponíveis no mercado.

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1- Andaimes de tubo e braçadeiras ou tubo equipado

Esse andaime começou a ser fabricado por volta de 1930. É composto por tubos conectados por abraçadeiras e luvas. “As abraçadeiras envolvem os tubos e são fixadas com parafusos. As conexões são feitas com angulações retas ou variáveis. Este tipo de andaime permite diversas angulações, sendo bastante utilizado atualmente”, explica.

As abraçadeiras envolvem os tubos e são fixadas com parafusos. As conexões são feitas com angulações retas ou variáveis. Este tipo de andaime permite diversas angulações, sendo bastante utilizado atualmente
Jefferson Carlos da Silva

Com elevada capacidade de carga, o modelo é ideal para obras que precisam atingir grandes alturas. “Tem capacidade de carga de, aproximadamente, 30 KN por poste, quando contraventados a cada 2 m de altura. E pode chegar a 50 KN, quando contaventados a cada 1,5 m de altura e fazendo-se a dobra de poste”, ressalta.

É o andaime mais indicado, também, quando existem muitas interferências no local onde será instalado, como tubulações, instalações diversas e edificações. E, ainda, para o acesso a regiões em balanço e áreas confinadas.

O engenheiro ressalva que o modelo deve ser evitado para serviços mais leves, onde um andaime tubular seja suficiente, como a manutenção e pintura de fachadas de prédios residenciais.

2- Andaimes fachadeiro

Ele está no mercado desde os anos 1950. É constituído por elementos modulares, quadros, diagonais de travamento em X, diagonais horizontais para travamento (para evitar a torção), bases reguláveis, guarda-corpo, escadas de acesso, alçapão.

Atinge alturas de cerca de 20 m, podendo ser utilizados pisos para trabalhos em todos os níveis. Sua capacidade de carga é aproximadamente 15 KN por poste. “Caso haja necessidade de alturas maiores, deve ser feito o cálculo das cargas, o que pode levar à exigência de dobra dos postes”, ensina.

É recomendado para serviços de manutenção, reforma, construção, revestimento e pintura de fachadas de prédios e indústrias. “Esse tipo de andaime permite a montagem de vários níveis de trabalho independentes, facilitando o acesso à essas áreas para materiais e pessoas”, comenta Silva.

O andaime fachadeiro não serve para serviços internos industriais, pois são locais em que há muita interferência de tubulações, desníveis e espaços confinados, entre outras.

3- Andaime multidirecional

Desenvolvido na década de 1970, representa importante evolução em andaimes. É formado por postes verticais com modulação de 50 em 50 cm e altura variando de 50 cm a 300 cm. Possui travessas, diagonais, bases reguláveis, guarda-corpo, alçapão e escada para alçapão.

Pode atingir grandes alturas e suportar cargas de 28 KN. Para tanto, é necessário utilizar distância entre postes de cerca de 2,00 m. Caso necessite suportar cargas maiores, será preciso fazer a dobra de poste.

“O andaime multidirecional é um marco na história dos andaimes, pois, a partir desse novo segmento, tornou-se possível executar diversas obras com diferentes geometrias e desafios, como apoios irregulares, executando parte do andaime em balanço e em várias direções. É muito versátil e gera alta produtividade e economia”, fala.

Essa solução mais sofisticada é desnecessária para serviços mais simples, que podem ser atendidos por andaimes tubulares.

4- Andaime tubular

É composto basicamente por quadros, diagonais de travamento em X, bases reguláveis e pisos metálicos. Há, também, os modelos mais simples para o trabalho do dia a dia, montados somente com quadros que se invertem a cada altura servindo como travamento. Ambos podem ser montados sobre rodízios para facilitar o deslocamento, mas com altura limitada. Ou seja, sua altura não pode ser maior do que quatro vezes a menor dimensão, conforme ABNT NBR 6494. Por exemplo, um andaime com 1,50 x 1,50 m (em planta) deve ter altura máxima 6,00 m.

Por se tratar de equipamento relativamente leve, dispensa mão de obra especializada para montagem. O andaime tubular é o modelo mais utilizado e indicado para diversos tipos de obras, em serviços de execução de alvenaria e manutenção de fachadas como restauro, pintura e limpeza.

Assim como os andaimes fachadeiros, os tubulares não atendem a serviços em indústrias, por conta das interferências.

Custos

Os custos dos andaimes variam de acordo com o tipo. Os de tubo e braçadeira e os multidirecionais são orçados em R$/metro linear (ml)/mês; os fachadeiros em R$/m²/mês; e os tubulares em R$/peça/mês.

Montagem e segurança

Entre os quatro modelos, o andaime tubular é o mais fácil para montar, seguido pelo fachadeiro. “Já o tubo e braçadeira e o multidirecional necessitam de capacitação, pois são equipamentos mais robustos”, afirma Jefferson Silva, que recomenda a preparação de projeto de montagem dos andaimes. Ou, no caso de torre simples, ter no mínimo um manual do fornecedor ou fabricante. Os projetos devem ser executados por Profissional Legalmente Habilitado (PLH) ou por profissionais capacitados pelo PLH e sob a sua supervisão.

Nos últimos anos, a segurança tem sido um assunto abordado diariamente nos canteiros de obra. O engenheiro ressalta que a NR18 – Condições de segurança e saúde no trabalho na indústria da construção aborda, em sua Subseção 18.9, as medidas de proteção contra quedas de altura. Aliada à ABNT NBR 6494:1990 – Segurança nos andaimes, ambas detalham os principais assuntos sobre segurança em andaimes. “Temos, também, normas internacionais relacionadas à fabricação e utilização dos andaimes”, acrescenta.

Outro cuidado importante na montagem dos andaimes é o aterramento das estruturas para evitar acidentes com descargas elétricas, sejam ocasionadas pela proximidade com redes de alta tensão ou descargas atmosféricas. “Devemos redobrar nossa atenção para os andaimes, verificando o efeito do vento nas estruturas de acordo com a norma ABNT NBR 6123 - Forças do Vento em Edificações”, aponta.

Devemos redobrar nossa atenção para os andaimes, verificando o efeito do vento nas estruturas de acordo com a norma ABNT NBR 6123 - Forças do Vento em Edificações
Jefferson Carlos da Silva

Colaboração técnica

Jefferson Carlos da Silva – Engenheiro Civil pela Universidade Mogi das Cruzes – UMC (1996) com pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas pelo Centro Universitário Braz Cubas – UBC (2014). Experiência profissional de 28 anos, atuando na área de escoramento de fôrmas. É consultor de Engenharia na Abrasfe.