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Como escolher revestimentos para fachadas ventiladas?

Segundo especialistas, há que se considerar questões como desempenho, segurança e vida útil de cada material disponível atualmente no mercado

Publicado em: 23/06/2021Atualizado em: 04/08/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Fachada ventilada
Entre os fatores a considerar na escolha do revestimento estão os custos e o tipo de junta do sistema
(Foto: Artem Yampolcev/Shutterstock)

Os materiais que compõem as fachadas ventiladas vão desde cerâmica e porcelanato até vidro, passando pela madeira e metal. A escolha é feita pelo arquiteto e pelo incorporador na etapa de concepção do projeto e exige critérios.

Segundo a consultora Tatiana Domingues, da ConTati Consultoria, o projeto de um sistema de fachada ventilada deve envolver tanto as necessidades técnicas quanto estéticas, que vão influenciar no custo final do projeto. Ela elenca alguns fatores construtivos importantes para a composição dos custos, a começar pelo tipo de estrutura base para o suporte e fixação do revestimento; a necessidade de material isolante térmico no interior da câmara; e o tipo de junta do sistema. Devem ser considerados, também, aspectos como a qualidade da placa de revestimento, o pé-direito, a altura total da edificação e a predefinição das etapas e métodos de execução.

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Materiais e desempenho

É básico em qualquer projeto de fachadas ventiladas, independentemente do material, seguir os requisitos da ABNT NBR 10821. “Essa é a ‘norma mãe’, que deve ser obedecida e remete, ainda, aos esforços preconizados na norma de ventos ABNT NBR 6123. Portanto, existe uma interligação entre os conceitos e base técnica”, diz o engenheiro Igor Alvim, diretor Técnico da QMD Consultoria e da Doutor Fachada.

O ideal é que as fachadas ventiladas sejam projetadas com materiais de baixa condutividade térmica, para não sobrecarregarem o sistema de ventilação tipo chaminé, previsto para a câmara entre o revestimento e a parede da edificação
Tatiana Domingues

Para ele, cada material tem suas próprias caraterísticas, como dilatação, facilidade de manuseio e processos de fixação nos substratos, entre outros. Consequentemente, cada um tem sua resistência e seu respectivo desempenho. “Assim, não existe receita de bolo pronta, precisamos trabalhar no projeto, calcular, detalhar cada item de forma diferente. Aí está o segredo de um bom projeto”, comenta.

Domingues acrescenta fatores como o estético que, no caso da cerâmica, madeira e chapa metálica sólida será opaco. E lembra que o peso do material de revestimento tem peso determinante para o tipo de fixação e espessura final do conjunto. A condutibilidade térmica de cada material é requisito de desempenho. “O ideal é que as fachadas ventiladas sejam projetadas com materiais de baixa condutividade térmica, para não sobrecarregarem o sistema de ventilação tipo chaminé, previsto para a câmara entre o revestimento e a parede da edificação”, diz a consultora, sugerindo a tabela ilustrativa (abaixo) com os valores de referência da condutividade térmica de quatro tipos de possíveis revestimentos de fachadas ventiladas:

Fachada ventilada

Critérios de escolha

Segundo Domingues, o uso de cada material em fachadas ventiladas deve observar as características climáticas do local onde será executada a obra, o tipo da edificação – comercial ou residencial – e a metragem da aplicação do sistema. “Normalmente, em prédios residenciais, onde os vãos são menores, predominam a madeira e a cerâmica – esta última também tem espaço em fachadas de prédios comerciais, por sua leveza e custo atrativo”, comenta ela.

Já o vidro e o ACM são usados em edificações comerciais mais altas e onde o design pretendido seja mais moderno e arrojado. “Atende também obras de retrofit, em que a composição de fachada visa modernizar o empreendimento e incorporar maior eficiência energética”, completa a consultora.

Cerâmica e porcelanato de grandes dimensões são relativamente novos na utilização em fachadas, e a madeira que, atualmente está sendo conceituada como um grande produto, é complicada pelas questões de manutenção e trabalho do material
Igor Alvim

Alvim diz que a decisão de não utilizar um material de revestimento de fachadas ventiladas ocorre quando existe a mínima possibilidade de perda de segurança e de desempenho da edificação. “É fundamental pensarmos na durabilidade e consequente vida útil dos produtos. Para isso, devemos pensar não só na obra, mas na região em que ela se situa, como topografia e proximidade com regiões marinhas”, destaca, apontando esses parâmetros como parte da análise e definição do melhor ou do pior produto.

Ele complementa dizendo que todos os materiais são tecnicamente exequíveis, porém cerâmica, porcelanato e madeira são os mais difíceis. “Cerâmica e porcelanato de grandes dimensões são relativamente novos na utilização em fachadas, e a madeira que, atualmente está sendo conceituada como um grande produto, é complicada pelas questões de manutenção e trabalho do material”, ressalva.

Domingues, por sua vez, considera que a fachada ventilada em cerâmica é o sistema de mais fácil execução na obra. “Por se tratar de peças pré-fabricadas, serem aplicadas sobre estrutura auxiliar esbelta e simples, composta de perfis tubulares e trilhos ou gancheiras de ancoragem das peças. A execução é rápida pela leveza e padronização das peças prontas”, conclui ela.

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Colaboração técnica

Tatiana Domingues
Tatiana Domingues – É formada em Matemática, Técnica em Edificações e Pós-Graduada em Consultoria Diagnóstica. Atuou por mais de 22 anos com consultoria em projetos de esquadrias e especificações de vidros na extinta Paulo Duarte Consultores. Em 2021, inicia uma nova trajetória com a ConTati Consultoria, em sociedade com o arquiteto e engenheiro Rodrigo Nogueira.
Igor Alvim
Igor Alvim – Engenheiro Mecânico, é diretor Técnico da QMD Consultoria e da Doutor Fachada. Atua nesse mercado desde 1981. Desde 1988, a QMD acumula 1980 obras nacionais e internacionais contratadas. Participa da maioria dos comitês de normas técnicas do setor.