Como especificar e instalar sensores de movimento? Confira dicas

Os sensores ativos são indicados para uso externo. E os passivos para uso interno. Mas há exceções. Antes de escolher é preciso entender características do espaço e demandas dos usuários

Publicado em: 12/03/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Qualquer descuido tanto na especificação quanto na instalação pode comprometer o sistema de segurança (Foto: shutterstocko/Dmitry Kalinovsky)

Considerado equipamento indispensável para o correto funcionamento de sistemas de alarme, o sensor de movimento infravermelho é responsável pelo acionamento do circuito. Devido à sua importância, o aparelho deve ser especificado e instalado com o máximo de atenção. Afinal, qualquer descuido tem potencial de comprometer toda a segurança da edificação ou resultar em constantes sinais de alarmes falsos.

“Existe sempre a solução adequada para cada situação ou ambiente”, explica a engenheira Selma Crusco Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). O mercado oferece os mais variados tipos de produtos e cabe ao projetista analisar as características do empreendimento a fim de identificar a opção mais indicada para atender às expectativas dos ocupantes.

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PROJETANDO

Basicamente, é possível classificar os sensores de movimento dentro de dois grupos: os ativos e os passivos. No primeiro, estão os equipamentos que geram uma linha invisível para os olhos humanos e acionam o alarme quando esse feixe é interrompido. Já no segundo estão os aparelhos que medem a temperatura dentro do ambiente, disparando o sinal de alerta quando há aumento no nível de calor, gerado pelo corpo humano.

Em um galpão com telhas que aquecem bastante durante o dia e esfriam à noite, as soluções passivas podem não apresentar o desempenho esperado
Selma Crusco Migliori

Geralmente, os sensores ativos são indicados para uso externo e os passivos para ambientes internos. “No entanto, essa não é uma regra. Em um galpão com telhas que aquecem bastante durante o dia e esfriam à noite, as soluções passivas podem não apresentar o desempenho esperado”, exemplifica a especialista. Nesse caso, alternativa viável seria a instalação de sensores ativos nos pontos de entrada da edificação.

Por outro lado, sistema com sensor ativo pode ser erroneamente acionado em ambientes com uso constante de ar-condicionado. A movimentação de ar causada pela variação da amplitude térmica é suficiente para disparar equipamentos com sensibilidade alta. “A solução para essa edificação seriam os circuitos com dupla ou tripla tecnologia, mix de sensores ativos e passivos”, comenta Migliori, lembrando que cada sensor tem seu nível de sensibilidade, que deve ser definido pelo projetista.

A especificação do sensor infravermelho deve levar em consideração não somente a arquitetura da edificação, mas também o cotidiano dos moradores. Em casas com animais de estimação, por exemplo, o produto mais indicado é aquele com a função pet — que desconsidera movimentos próximos do piso realizados por animais que pesam até 20 kg.

OUTROS SENSORES

Os sensores infravermelhos de movimento não são os únicos equipamentos capazes de acionar o sistema de alarme. “As próprias cercas podem ser eletrônicas, e não elétricas, funcionando assim como um tipo de sensor”, fala a especialista. Essa é alternativa empregada sobre muros, pois sua fiada é capaz de elevar em até um metro a altura da parede. “Assim, há aumento da sensação de segurança”, complementa.

DIFERENTES APROVEITAMENTOS

Dependendo da situação, os sensores podem ser mais ‘inteligentes’. Em bancos, por exemplo, existem equipamentos que podem ser instalados em portas ou cofres, e que são acionados quando há tentativa de invasão. O aparelho envia alerta silencioso para a central de monitoramento 24 horas para que sejam tomadas as medidas de segurança previamente combinadas em contrato.

Em geral, o aproveitamento dos sensores não está restrito aos sistemas de alarme. É usado, também, para automatizar a iluminação, acendendo as luzes quando algum movimento é detectado. E, ainda, em sistemas de acionamento automático de irrigação do jardim; para ligar algum equipamento eletrônico, como o som ou a televisão; abrir ou fechar portões, entre outras possibilidades.

“As centrais de alarme têm saída específica, chamada de programável, que são personalizadas de acordo com a necessidade. Por exemplo, o sistema que faz a segurança de uma garagem pode ser ajustado para acender as lâmpadas e abrir o portão quando o automóvel precisa sair”, explica a engenheira. Esses projetos precisam de mais de um sensor, ou seja, um para acionar o alarme e outro responsável pela iluminação.

MANUTENÇÕES

Muitas vezes, o consumidor confunde a garantia do equipamento com a manutenção preventiva. “Qualquer problema apresentado pelo sensor, como falhas de fabricação, é resolvido com sua substituição, possibilidade coberta pela garantia oferecida pelo fornecedor”, explica a engenheira.

Já as manutenções preventivas cuidam de toda a tecnologia que envolve o sistema. “Logo após a implantação, o ideal é que esse serviço periódico seja contratado, sendo que sua frequência é definida com base nas características do projeto”, recomenda Migliori. O técnico responsável pela manutenção precisa verificar o estado de toda instalação, testar os aparelhos, além de realizar a limpeza dos sensores.

É muito importante checar se nenhuma impureza ou inseto entrou no equipamento. “Em aparelhos mais sensíveis, uma teia de aranha ou uma formiga pode causar o acionamento. Por isso, é fundamental mantê-los limpos e com a sensibilidade ajustada”, destaca a especialista.

NORMALIZAÇÃO

O Brasil ainda não tem normas técnicas específicas para os sensores. “No passado, a Abese acompanhou as discussões na ABNT para criação da norma de cercas elétricas. Agora, estamos trabalhando na elaboração de outras normas para sistemas de alarmes, de videomonitoramento e controle de acesso. A de alarme deve sair ainda em 2018”, fala a engenheira.

Na instalação dos sistemas, é importante seguir as diretrizes da ABNT NBR 5410 — Instalações elétricas de baixa tensão I — Proteção e segurança. “É fundamental estar em conformidade com os parâmetros do documento, pois o funcionamento do circuito está intimamente relacionado com a adequada instalação”, destaca a profissional.

Não basta simplesmente adquirir um produto e instalá-lo da maneira que bem entender. É preciso uma série de estudos prévios, realizados por especialistas do setor de segurança eletrônica
Selma Crusco Migliori

O consumidor deve sempre buscar empresas especializadas na elaboração do projeto, que analisará os riscos do ambiente para projetar a solução adequada, além de indicar produtos e fabricantes mais adequados para cada situação. “Principalmente, pelo fato de não haver lei específica para esse mercado”, fala a especialista, lembrando que a Abese vem trabalhando para a criação dessa regulamentação.

“Não basta simplesmente adquirir um produto e instalá-lo da maneira que bem entender. É preciso uma série de estudos prévios, realizados por especialistas do setor de segurança eletrônica”, finaliza Migliori.

Leia também: Como instalar cercas elétricas

Colaboração técnica

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Selma Crusco Migliori – presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE), é graduada em Engenharia Eletrônica. Fez diversos cursos profissionalizantes em gestão empresarial e segurança eletrônica, elaboração de projetos técnicos de segurança, destacando-se curso realizado na Universidade de Madri. Seu trabalho na entidade foi fundamental para a criação do CCPA (Centro de Capacitação Profissional ABESE), do Selo ABESE e da FENABESE (Federação Interestadual das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), da qual foi eleita também presidente. É diretora do Deseg (Departamento de Segurança) da FIESP e diretora da Fecomercio SP, por meio da Cecomercio.