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Como especificar o piso certo para escritórios e hospitais?

Conforto, propriedades acústicas, assepsia, baixa manutenção...a escolha do piso deve obedecer a critérios técnicos. Veja os modelos indicados para cada projeto

Publicado em: 04/11/2009Atualizado em: 31/01/2020

Texto: Redação AECweb


Pisos de escritórios e hospitais, uma escolha técnica

Redação AECweb

Em projetos de interiores de edifícios corporativos e hospitalares, não se fala de tendências de materiais ou cores para o revestimento de piso. As escolhas seguem padrões técnicos e, na boa arquitetura, privilegiam produtos sustentáveis, desde o processo produtivo até sua composição e vida útil. A arquiteta Sonia Aquino, do escritório Edo Rocha Espaços Corporativos, elenca alguns requisitos e as soluções correspondentes adotadas em edifícios comerciais:

“A sensação de conforto, propriedade acústica e a facilidade de manutenção – condições fundamentais aos ambientes de trabalho - apontam para a escolha do carpete, ainda uma excelente solução. A grande quantidade de produtos inovadores surgidos no mercado nos últimos anos para as demais áreas do ambiente corporativo, fez crescer o uso de pisos frios, emborrachados e os vinílicos”. Segundo ela, houve uma grande evolução nos carpetes em placas com relação ao tratamento, resistência, tipos de fios, padrões e bases. O arquiteto Henrique Cambiaghi, da CFA - Cambiaghi Arquitetura -, acrescenta que o uso de carpetes em placa é inevitável, por se tratar da melhor solução no acesso ao piso elevado dos escritórios.

Pisos de escritórios e hospitais, uma escolha técnica

Porcelanato
“Tem crescido muito a opção pelo porcelanato, já concorrendo com as pedras, principalmente para o hall e banheiros dos edifícios corporativos. É um piso colado e que exige menos mão-de-obra para colocação, além de apresentar fácil limpeza e manutenção”, destaca Cambiaghi. Aqui, ele faz um parênteses para lembrar que até mesmo o segmento residencial vem adotando o material, muitas vezes em todo o apartamento quando se trata de regiões mais quentes, como o interior de São Paulo e litoral. Sonia Aquino concorda e vai além: “Há uma grande mudança no comportamento de mercado dos pisos frios nos edifícios corporativos. O porcelanato é um bom exemplo, tendo se tornado uma excelente alternativa para substituir as pedras - granitos e mármores -, com lançamentos frequentes, uma enorme variedade de coleções, dimensões, e cores. E os grandes fabricantes fornecem todos os laudos necessários com relação ao uso dos produtos”, diz Sonia Aquino.

Estética X Manutenção

Mesmo que a estética peça um piso que humanize o ambiente, o arquiteto esbarra na questão da manutenção, item bastante significativo para os clientes corporativos. Um piso que exige cuidados, não atende à grande maioria dos clientes corporativos. Daí, a primazia de revestimentos em granito ou porcelanato no lobby, respondendo por função e estética. “Afinal a recepção é área de grande tráfego, além de ser a primeira a receber as pessoas vindas do ambiente externo. Mas tem também a ver com uma certa ‘nobreza’, que normalmente o cliente quer imprimir a esse espaço”, acrescenta.

 Segundo Sonia, em áreas de permanência temporária, como circulação, café, recepção e até em salas de reunião, as cores mais alegres são bem-vindas. Porém, para áreas de permanência mais constante, é difícil a aceitação de elementos coloridos, exceto em detalhes ou situações muito controladas.

Sustentabilidade
 Com relação a sustentabilidade dos produtos, as grandes marcas internacionais foram as primeiras a apresentar o conceito para acabamentos de interiores corporativos. “Os clientes esperam de nós, profissionais, um grande compromisso com esta questão que, afinal, nos atinge a todos. Assim, cabe ao arquiteto uma pesquisa mais aprofundada com relação aos processos de fabricação, componentes, vida útil dos produtos e desempenho. Buscamos sempre os fornecedores que tenham, com seus produtos, o maior comprometimento possível com a sustentabilidade”, relata Sonia Aquino.

Pisos Hospitalares:
Assepsia, beleza e cores

A escolha do piso para ambientes hospitalares não responde a fórmulas. “Não há possibilidade de fórmula única num País tão grande. As cerâmicas, os epoxídicos e mesmo os pisos monolíticos fundidos ‘in loco’ - considerados ‘antigos’ - podem ser excelentes escolhas”, diz o arquiteto Lauro Miquelin, Gerente Executivo da L+M GETS - Gestão de Espaços e Tecnologias em Saúde.

Segundo ele, são diversos os fatores determinantes para a especificação do piso hospitalar. No topo da lista estão as características das atividades que o material deve suportar, como quantidade e tipo de tráfego; e os requisitos de higiene e limpeza - tipo de substância, método, instrumentos, freqüência - e características de superfície - densidade, profundidade de frestas, cantos, índices de permeabilidade. A facilidade de colocação e reposição e a estabilidade de oferta do material no mercado, vêm em seguida. O arquiteto deve considerar, ainda, aspectos como beleza e preço de investimento inicial, e projeção de ciclo de vida.

Para cada área do hospital, as exigências são bastante específicas. “Os ambientes de cirurgia requerem alto desempenho dos materiais quanto aos esforços de higiene e limpeza. Já os de ressonância pedem alto desempenho de flexibilidade para acomodação de sistemas de instalações”, ensina Miquelin. Num comparativo com os hospitais, onde além de ambientes para consultas e exames, esperas, circulações, as clínicas dispõem de menos áreas de apoio, como centrais de energia, unidades de produção de dietas, almoxarifados e farmácias de grande porte. “Assim, o que muda é a escala e não, necessariamente, a qualidade do problema: em qualquer caso, há sempre que fazer uma análise cuidadosa dos requisitos de desempenho e especificar para o sucesso do empreendimento e encantamento do usuário”, diz.

Pisos de escritórios e hospitais, uma escolha técnica

O caminho indicado por Miquelin para as cores e paginação do piso é a natureza da região em que se encontra a obra hospitalar. “A boa arquitetura deve buscar na natureza ou no entorno as referências visuais que estimulem uma determinada comunidade de usuários. No Centro Oeste, a cor do céu, a presença da água e a topografia podem comandar cores cujo impacto e significado seja completamente diverso das cores para os habitantes da Amazônia ou de São Paulo”, comenta. A adoção de produtos sustentáveis, segundo ele, independe do segmento: “de novo, a boa arquitetura sempre buscou e continuará a buscar materiais, cujas matérias-primas, processos de produção e métodos de colocação sejam coerentes com as boas práticas de utilização dos recursos da obra e do Planeta”.

Colaboraram para esta matéria:


Henrique Cambiaghi,
arquiteto formado em 1973 e pós-graduado em 1979 pela FAU/USP. Foi presidente da AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, no período 2002/2004 e membro do Conselho Deliberativo em 2002 e assessor da presidência em 2006. Professor Titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Santos de 1980 a 1996. É  sócio-presidente da CFA -  Cambiaghi Arquitetura Ltda desde 1981. Já elaborou cerca de 680 Projetos, perfazendo 6.500.000 m² representados por 350 obras.


Lauro Miquelin,
arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo e PhD em Arquitetura Hospitalar pela Universidade de Bristol da Inglaterra. É autor do livro “Anatomia dos Edifícios Hospitalares, premiado pelo IAB. Gerente Executivo da L+M GETS, atua há mais de 25 anos em projeto, montagem e manutenção de ambientes de saúde. A L+M GETS – Gestão de Espaços e Tecnologias em Saúde - tem 22 anos de experiência em ambientes de saúde e é a única na América Latina a integrar conhecimentos das áreas de Arquitetura, Montagem, Manutenção e Gestão de Infra-Estrutura numa só empresa. São mais de 1 milhão de m² de projetos desenvolvidos e 500 mil m² de ambientes de saúde entregues.

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