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Como evitar a queda de marquises com inspeções e manutenções periódicas?

Expostas às intempéries, estruturas em balanço precisam ser incluídas no programa de manutenção preventiva da edificação

Publicado em: 29/07/2020

Texto: Juliana Nakamura

marquises
Recomenda-se a inspeção anual das marquises (foto: Palatinate Stock/shutterstock)

De tempos em tempos, o noticiário retrata algum episódio trágico relacionado ao colapso parcial ou total de marquises. São acidentes que causam perdas financeiras e humanas, e que são fruto de falhas na execução ou na manutenção dessas estruturas, geralmente de concreto armado. Altamente associadas à arquitetura brasileira, criadas para proteger os usuários da chuva e criar sombreamento, as marquises têm como principal característica estarem em balanço e se projetarem sobre as calçadas. Esses elementos ficam em contato com a edificação principal apenas pela região de engastamento. Portanto, estão submetidas a esforços especiais.

“As falhas de projeto, que causam colapso, geralmente aparecem logo após a construção das marquises. Já os problemas de execução, como recobrimento insuficiente e posicionamento incorreto de armadura, podem demorar meses ou anos para levar ao colapso”, explica o engenheiro Luis Otávio Rosa, diretor do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape-SP).

Ainda mais comuns são os inconvenientes provocados pelo uso indevido da estrutura ao longo de sua vida útil, em especial a introdução de sobrecargas não previstas em projeto. É o caso, por exemplo, da construção de jardineiras, muretas e coberturas, e da instalação de outdoors, placas e equipamentos de ar condicionado. Em casos extremos, essas sobrecargas podem levar ao colapso repentino.

CUIDADOS COM A MANUTENÇÃO

As quedas de marquises estão associadas, muitas vezes, à manutenção inadequada da estrutura, exposta às intempéries. “As marquises precisam ser incluídas no programa de manutenção preventiva da edificação e fazer parte de toda inspeção predial, com a análise detalhada de seus elementos”, destaca Rosa.

Segundo ele, os procedimentos para a manutenção de marquises devem levar em conta os seus materiais construtivos e as orientações de projeto e do manual do proprietário. O ideal é a realização de inspeções anuais.

“Além disso, devem ser realizadas inspeções mais detalhadas a cada cinco anos em edificações com menos de vinte anos e a cada dois anos em estruturas com mais de vinte anos de idade, sempre de acordo com a legislação vigente em cada local”, comenta o diretor do Ibape-SP.

A inspeção deve identificar a existência de trincas e fissuras tanto na parte inferior como na parte superior da marquise. Também deve analisar a integridade do sistema de impermeabilização e se há corrosão da armadura, desplacamentos, carbonatação, formação de estalactites, entre outras manifestações patológicas. O trabalho pode contemplar, ainda, o desentupimento da drenagem e de ralos, a execução de uma nova impermeabilização, a recuperação de trincas e fissuras, além de pintura.

ESTRUTURAS DETERIORADAS

Como ocorre com outras estruturas, muitas vezes as marquises dão sinais de alerta que indicam a necessidade de intervenção urgente. Manchas de umidade, infiltrações de água visíveis quando chove, corrosão das armaduras e deterioração do concreto são alguns indicadores preocupantes. Além disso, trincas, fissuras, inclinação e deformações inadequadas, entre outros sinais físicos, mostram que a estrutura está perto do colapso, exigindo ação urgente", destaca o engenheiro Marcos Storte, diretor técnico da A2S Engenharia e Perícia. A depender da criticidade da situação estrutural da marquise pode ser preciso limitar a circulação e isolar totalmente a área, enquanto reparos emergenciais são programados e executados.

De acordo com o código de edificações da maioria das cidades brasileiras, é dever do proprietário, usuário ou síndico, se responsabilizar pela conservação do imóvel. "Caso as marquises não sejam inspecionadas regularmente, a pessoa responsável poderá responder criminalmente se houver danos a terceiros”, salienta Storte.

Leia também: Impermeabilização adequada ajuda a garantir durabilidade às marquises

Colaboração técnica

Luis Otavio Rosa – Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP, com especializações em administração contábil e planejamento estratégico. É diretor administrativo do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape-SP) e sócio de Tarobá Engenharia. Atua em arbitragem, perícias e avaliações desde 1980.
Marcos Storte – Engenheiro civil com mestrado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). É consultor nas áreas de patologias e impermeabilização nas construções e diretor técnico da A2S Engenharia e Perícia.