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Como fachadas automatizadas garantem eficiência energética?

Desempenho do sistema depende da solução escolhida – como brises, cortinas e persianas –, da boa integração com o edifício e do controle de qualidade adequado

Publicado em: 08/06/2009Atualizado em: 22/06/2020

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb

Automação de fachadas e a eficiência energética

Controlar os fluxos de luz e calor entre os ambientes externo e interno dos ambientes é ação que passa necessariamente pelas fachadas – a ‘pele’ dos edifícios modernos. São vários os recursos, desde os novos vidros, perfis e sistemas de montagem aos itens de proteção solar automatizados. Sérgio Paiva, diretor da Somfy – empresa francesa líder mundial em motorização e automatização – lembra que a gestão do movimento dos sistemas móveis das fachadas - brises, persianas, cortinas e as próprias janelas – desempenha papel essencial na otimização desses fluxos, reduzindo a necessidade de luz artificial.

Sérgio explica que as persianas ou cortinas podem se posicionar, automaticamente, quando o sol incide na fachada, de forma a otimizar a entrada de luz e calor. A partir daí, “sensores captarão a intensidade da luz solar e o sistema fará com que as peças se posicionem em função dos parâmetros desejados”, ensina e continua, sugerindo várias situações e soluções: “Se a proteção solar for constituída de persianas de lâminas orientáveis, o direcionamento das lâminas pode obedecer à posição do sol, através de um ajuste dinâmico que visa manter o fluxo de luz e calor dentro de parâmetros estabelecidos. As janelas podem abrir à noite, de forma a permitir a renovação do ar interior e entrada de ar exterior mais limpo - não saturado com a respiração das pessoas. A entrada de ar novo, mais frio, permitirá reduzir a carga térmica acumulada durante o dia. Se o dia estiver nublado, os sensores detectarão a baixa intensidade de sol e o sistema não acionará as persianas. No caso de vento e chuva, os sensores específicos vão detectar a intensidade excessiva de vento ou a presença indesejada de chuva e o sistema não permitirá que as janelas se abram”.

Ao gerir uma fachada de forma dinâmica, o edifício conta com alguns benefícios. “Em primeiro lugar, ao controlar e otimizar o fluxo de luz e calor na fachada reduzimos o custo do ar condicionado/aquecimento, diminuindo o consumo de energia. A luz natural pode também ser utilizada com maior intensidade, reduzindo o uso da luz artificial, o que também diminui o consumo de energia. A abertura noturna de janelas maxim-ar ou de tombar provoca a renovação do ar e a consequente redução da carga térmica acumulada durante o dia. Isso faz cair a temperatura nos ambientes internos, induzindo o ar condicionado a funcionar mais tarde do que o usual, economizando energia”, informa Sérgio Paiva.

Devem ser consideradas ainda, entre as vantagens da automação, a correta otimização dos fluxos de luz e calor entre o exterior e o interior, que permite, muitas vezes, a redução da capacidade instalada do sistema de ar condicionado/aquecimento, com economia de investimento no sistema. “Há, também, fatores menos tangíveis”, ressalta, citando como exemplo a maior produtividade e menor absenteísmo nos ambientes de trabalho mais saudáveis e confortáveis, decorrentes do gerenciamento de fachadas dinâmicas.


Sistema
Um sistema de gerenciamento de fachadas dinâmicas deve trabalhar integrado ao edifício durante muitos anos e ser confiável. O motor é o componente que realiza o movimento - em outras palavras, que faz força -, logo, é um elemento que deve oferecer garantias de durabilidade e confiabilidade para que o sistema funcione sem apresentar problemas para a empresa gestora do edifício. “Problemas significam intervenção interna ou externa na fachada, com eventuais desmontagens de persianas, cortinas ou brises. Isso implica em perturbações no dia-a-dia operacional do edifício e custos adicionais não previstos”, salienta Paiva.

Segundo o diretor, as características de funcionamento são determinadas pela inteligência do sistema, ou seja, a central de comando conta com a ajuda dos diversos sensores, que captam as informações climáticas necessárias para que ela tome as decisões. “A tecnologia é fator importante, pois dá ao usuário mais alternativas na gestão da fachada, otimizando o movimento dos elementos móveis, de forma a reduzir o consumo de energia do ar condicionado, aumentar o uso de luz natural, maximizar o conforto visual quando o usuário está presente e melhorar as condições ambientais internas, através da troca de ar com o exterior. Isso deve ser feito de forma automática, sem a necessidade de intervenção humana, em função de parâmetros programados”, esclarece o diretor.

Automação de fachadas e a eficiência energética

Especificação
Para adotar a melhor solução em automação é importante que o especificador saiba que, independente da sua decisão quanto aos elementos móveis de proteção solar que vão integrar o projeto, haverá sempre uma alternativa de automação para otimizar o seu funcionamento. Deve, ainda, inserir os sistemas de automação de fachadas dinâmicas na fase do projeto, já que necessitam de infraestrutura elétrica e de transmissão de dados para serem instalados.

Em caso de interrupção do fornecimento de energia, a maioria dos edifícios dotados da tecnologia de gestão de fachadas dinâmicas tem sistemas auxiliares de geração de energia que suprem estas eventualidades. “O sistema de gerenciamento de fachadas dinâmicas pode, perfeitamente, ser conectado e alimentado pelo gerador auxiliar, já que o uso dos motores é muito baixo. Normalmente, quando em uso, consomem menos do que uma lâmpada elétrica comum. Como funcionam de forma intermitente e durante pouco tempo, o consumo total para o edifício é inexpressivo”, finaliza Paiva.

Controle de qualidade
O diretor afirma que os motores e sensores de marcas consolidadas dispensam muita manutenção. “O mais importante é o arquiteto, construtor ou investidor se certificar de que as garantias do produto especificado são duráveis, que o importador é confiável e que dispõe de uma assessoria e assistência técnica local competente”. Ele aponta também que a arquitetura bioclimática e a tecnologia de gestão de fachadas dinâmicas já são realidades no setor da construção. “A procura por certificações e selos como o LEED e o AQUA, que atestam o nível de sustentabilidade dos empreendimentos, mostra que o mercado valoriza este conceito”, destaca.