Como fazer instalações hidráulicas provisórias no canteiro de obras?

Para não provocar atrasos na produção ou causar desperdícios, as instalações provisórias de água devem ser bem dimensionadas. Conheça medidas que ajudam a garantir um fornecimento contínuo e adequado

Publicado em: 16/09/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket


A água pode ser transportada pelo canteiro com o uso de caminhões pipas (foto: shutterstock.com / adwo)

Um canteiro de obras é um site industrial no qual se constroem edificações. Por isso mesmo deve ser concebido e montado de modo a maximizar a produtividade, garantir fluidez aos trabalhos e assegurar a segurança dos trabalhadores. Só que na prática isso nem sempre acontece.

No caso das instalações provisórias hidráulicas é comum encontrar precariedade e problemas de dimensionamento. Isso é um erro enorme. Primeiro porque a água é essencial à execução de uma série de atividades de produção e apoio à obra, desde a mistura de argamassas e concreto à limpeza do canteiro. Além disso, instalações mal projetadas induzem a gastos desnecessários com materiais, comprometem o desempenho do sistema, geram improdutividade e causam perdas financeiras e ambientais.

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INSTALAÇÕES RACIONAIS

As melhores práticas preconizam uma concepção cuidadosa das instalações hidráulicas nos canteiros. “Antes de qualquer execução, devemos definir os parâmetros básicos para um dimensionamento mais preciso, que garanta um fornecimento contínuo e adequado”, diz Cássio Henrique Costa, engenheiro do Grupo EPO. Segundo ele, mediante o layout da obra é possível definir um local de implantação no qual a instalação não sofrerá remanejamentos.

O objetivo deve visar sempre o dimensionamento e a execução da melhor solução na instalação, evitando gastos desnecessários com materiais e componentes e garantindo um bom desempenho do sistema. Não é porque a instalação terá uma vida de serviço curta que podem ser usados produtos de baixa qualidade ou que não servem para a execução das instalações definitivas. Da mesma forma, o fato de a instalação ser provisória não dispensa a necessidade de cuidados executivos, sob o risco de se criar pontos vulneráveis ao aparecimento de vazamentos.

Antes de qualquer execução, devemos definir os parâmetros básicos para um dimensionamento mais preciso, que garanta um fornecimento contínuo e adequado
Cássio Henrique Costa

ACESSO À REDE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

A concepção hidráulica em canteiros de obras depende, fundamentalmente, da disponibilidade de atendimento pela rede pública de abastecimento. Quando a concessionária oferece o serviço, é possível optar por executar as instalações de água de forma definitiva, criando a oportunidade de se aproveitar posteriormente os ramais de alimentação para a edificação pronta.

Canteiros em regiões sem abastecimento público precisam buscar alimentação de poços artesianos, semiartesianos, caminhões-pipa ou realizar a captação em um manancial próximo, quando possível. Em todos esses casos, dependendo da finalidade para a qual a água será utilizada, deve-se realizar o monitoramento da qualidade. Isso vale sobretudo para a água utilizada na produção de argamassas e na cura do concreto.

DIMENSIONAMENTO DE INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS

Segundo Cássio Henrique Costa, para o dimensionamento da rede, é preciso identificar previamente todas as instalações e equipamentos que usarão água, além dos serviços a serem executados e o número de pessoas que trabalham na obra. Com esses dados, é possível calcular o consumo diário de água da obra e, consequentemente, as instalações necessárias.

No cálculo devem ser considerados o pico de funcionários e as execuções simultâneas de frente de trabalho
Natália Arneiro

“No cálculo devem ser considerados o pico de funcionários e as execuções simultâneas de frente de trabalho”, acrescenta a engenheira Natália Arneiro, da Mbigucci, ressaltando que serviços como alvenaria, gesso, revestimento cerâmico e impermeabilização estão entre os que consomem maior volume de água.

A utilização de sistemas de reúso de águas pluvial e cinza, por exemplo, para a lavagem de rodas de caminhões, deve ser prevista no projeto de hidráulica do canteiro. “O projeto de hidráulica pode prever, por exemplo, a instalação de bombas para que a água da lavagem das rodas seja reaproveitada”, comenta o engenheiro Victor Henrique da Silva Dias, coordenador de sustentabilidade da construtora Trisul.

A escolha dos sistemas construtivos exerce impacto na demanda de água no canteiro e, consequentemente, no dimensionamento das instalações hidráulicas. A construção de um prédio com revestimento argamassado produzido na obra tende a consumir mais água no canteiro do que uma obra com painéis pré-fabricados. Um projeto executado com alvenarias também exige maior oferta de água do que um equivalente com vedações em drywall.

USO RACIONAL DE ÁGUA NO CANTEIRO

A definição dos equipamentos que compõem as instalações hidráulicas do canteiro tem grande influência no desempenho da obra com relação à sustentabilidade. É o caso, por exemplo, de bacias sanitárias com controle de vazão e de torneiras equipadas com arejadores.

Outras práticas positivas que visam a racionalização de recursos é a instalação cuidadosa de um hidrômetro e o informe regular dos gastos com uso da água aos funcionários. Tais ações são importantes para identificar e sanar focos de desperdício mais rapidamente.

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Colaboração técnica

paulo-oscar
Cássio Henrique Costa – Engenheiro civil. Atua há 16 anos no Grupo EPO, em Belo Horizonte (MG)
Natália Arneiro – Engenheira civil na MBigucci
Victor Henrique da Silva Dias – Engenheiro civil. É coordenador de sustentabilidade da construtora Trisul