Banner AECweb
menu-iconPortal AECweb

Como o uso de robôs na construção pode gerar mais produtividade e segurança?

Equipamentos autônomos e acionados por controle remoto começam a se tornar mais acessíveis para as construtoras brasileiras. Saiba como

Publicado em: 06/05/2021

Texto: Juliana Nakamura

Uso de robôs na construção
O Spot Robot é desenhado para alcançar lugares de difícil acesso, além de contar com câmeras de alta resolução e laser scanner (Foto: Divulgação/Boston Dynamics)

A robotização, associada a tecnologias como machine learning e inteligência artificial, pode parecer muito distante da realidade dos canteiros de obras. Mas, ainda que com algum atraso em comparação a países desenvolvidos, ela já é realidade em obras realizadas no Brasil.

A robotização está associada a um amplo espectro de soluções, desde máquinas controladas por operários, até soluções autônomas, que dispensam intervenção humana. Em mercados mais desenvolvidos, chamam a atenção, por exemplo, desenvolvimentos como o da Nlink, empresa norueguesa que criou robôs para perfuração com alta precisão a partir de um modelo BIM (Building Information Modeling), assim como robôs para a execução de paredes de alvenaria da australiana Fastbrick Robotics (FBR).

EXEMPLOS PRÁTICOS

Na verdade, a robotização não vem para substituir pessoas, mas para potencializar e agregar valor ao trabalho delas
Diego Mendes

Por aqui, a robotização nos canteiros é muito incipiente. O assunto, aliás, desperta mais receio do que entusiasmo, por conta da potencialidade de substituição do trabalho humano. “Na verdade, a robotização não vem para substituir pessoas, mas para potencializar e agregar valor ao trabalho delas”, comenta Diego Mendes, diretor de operações da Trutec, hub de tecnologia que faz parte do Grupo Vedacit. Ele explica que nem toda robotização precisa ser completamente disruptiva. “É possível, inclusive, falarmos sobre a robotização invisível, que consiste na automatização de processos para agregar eficiência. Nesses casos, softwares inteligentes eliminam e racionalizam processos que não agregam valor ao negócio”, comenta Mendes.

Na área de demolições, máquinas gerenciadas por controle remoto são razoavelmente utilizadas em atividades de alto risco. Mais recentemente, passaram a ser empregados, também, equipamentos robotizados capazes de se integrar a um modelo BIM para avaliar áreas automaticamente. Nesse grupo está o Spot Robot, desenvolvido pela Boston Dynamics e disponibilizado no Brasil pela SKIC. Desenhado para alcançar lugares de difícil acesso e equipado com câmeras de alta resolução e laser scanner, o robô é indicado para medição automática do progresso das obras. “As imagens capturadas permitem ver e rever o progresso a partir de qualquer localização geográfica, e verificar algumas interferências que possam ocorrer, além de verificar visualmente o progresso, a existência de equipamento, instalações, entre outros”, explica Pablo Herrera, gerente de inovação e tecnologia da SKIC. Segundo ele, graças à nuvem de pontos obtida por meio do laser scanner é possível comparar a imagem obtida pelo robô com o modelo 3D. “Com isso, podemos verificar o progresso visual e também automaticamente, além de calcular o progresso do projeto por especialidades como, por exemplo, obras estruturais e civis”, comenta ele.

COMO IMPLANTAR INOVAÇÕES NO CANTEIRO?

A automatização da construção civil está relacionada a uma série de benefícios, a começar por ganhos de produtividade, possibilidade de acesso a locais remotos e redução de acidentes no trabalho.

Para que esses benefícios se concretizem, contudo, é necessário mais do que a simples substituição de um processo artesanal por outro mecanizado. Transformações no processo de projeto e execução são imprescindíveis, especialmente o desenvolvimento de projetos mais consistentes e precisos. A modelagem da informação, aliás, é uma condição importante para a introdução de muitas das soluções robotizadas.

Também é importante eliminar o preconceito de que o canteiro de obras não é um local capaz de absorver tecnologia. “O pessoal do canteiro já consome muita tecnologia. Nós só precisamos ser capazes de desenvolver soluções que se adaptem às necessidades deles”, diz Diego Mendes, da Trutec.

Por que digitalizar o gerenciamento de obras? Confira 4 motivos 
Como a digitalização da FVS pode acelerar a transformação digital?

Com objetivos claros e metas específicas, as empresas podem obter mais autonomia e precisão de informação e dados com a robotização
Pablo Herrera

“Com objetivos claros e metas específicas, as empresas podem obter mais autonomia e precisão de informação e dados com a robotização”, acredita Pablo Herrera. Ele recomenda o desenvolvimento de projetos-pilotos de baixo custo, que permitam testar as inovações a serem introduzidas. A partir daí a empresa pode tomar decisões mais ágeis e controlar melhor as variáveis do processo, que inevitavelmente, envolve erros e correções de rumo. “A análise que as empresas precisam fazer sobre a viabilidade dessas novas tecnologias deveria considerar não apenas as horas-homem que a robotização pode poupar, mas também a segurança dos trabalhadores e a qualidade da informação para processos internos e clientes”, conclui o gerente de inovação da SKIC.

Leia também: 

Dispositivos vestíveis elevam segurança e produtividade da construção civil
4 tecnologias que reduzem custos de operação e manutenção de elevadores

Colaboração técnica

Diego Mendes
Diego Mendes — Engenheiro civil e analista de sistemas, é diretor de Operações da Trutec.
Pablo Herrera
Pablo Herrera — Gerente de inovação e tecnologia da SKIC (Sigdo Koppers Ingieneria Y Construccion), empresa chilena líder na indústria da construção e montagem em larga escala, com operações também no Brasil, Peru e Colômbia.