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Como projetar grandes obras com coberturas de vidro? Saiba aqui

Com a ausência de uma norma técnica específica, o projeto com coberturas de vidro é baseado na experiência. Confira dicas com um dos maiores especialistas do assunto

Publicado em: 09/10/2008Atualizado em: 13/05/2019

Texto: Redação AECweb

Redação AECweb

Coberturas de vidros

“Vidros em coberturas não quebram sozinhos”, alerta Ricardo Macedo, engenheiro titular da Engevidros, empresa especializada em fachadas residenciais e coberturas de vidro, que já realizou mais de 100 mil m² de coberturas de vidro. Como ainda não há norma técnica específica para coberturas, os projetistas devem seguir o que determina a NBR 7.199 de vidros, no que se refere à utilização em telhados.  “Existe norma de esquadria, a NBR 10.821, que tem alguns princípios básicos, mas não aborda, especificamente, as coberturas. Portanto, o trabalho é realizado baseado na experiência”, constata.

“Desenvolvemos o projeto executivo em cima do projeto do arquiteto ou do consultor. Procuramos atender às exigências do arquiteto, como as condições do vidro, mais ou menos refletivos, questões de transparência e reflexão. Nosso foco se dirige a situações que exigem uma engenharia sofisticada, com soluções elaboradas e projetos especiais”, afirma. É o caso de diversos shopping centers em todo o país, a exemplo do Estação Plaza de Curitiba, a maior cobertura de vidro construída pela empresa, com 11 300 m² de skylight.

Projeto
Durante a fase do projeto o arquiteto deve consultar um profissional especialista em coberturas de vidro para evitar possíveis erros. “O projeto tem que nascer com tubulações bem pensadas. É comum o arquiteto criar um desenho bastante ousado e não consultar um profissional do ramo de cobertura para o detalhamento. Esse é o caminho para o desastre”, alerta Macedo, que há alguns anos se deparava, com freqüência, com obras em que a estrutura metálica estava pronta e teve que intervir, fazendo adaptações complexas para que a cobertura funcionasse. A primeira obra da Engevidros, a do shopping Ribeirão Preto, foi exatamente assim. “Um enorme desafio! A estrutura já estava pronta e os vidros eram muito irregulares. Foi trabalho intelectual e braçal chegar a uma solução geométrica”, recorda.

Solução de engenharia das mais sofisticadas foi desenvolvida por Macedo para a obra da fábrica da Cebrace, em Bananal. “A cobertura era um sistema com cabo de aço pendurado, quatro arcos segurando os vidros de 16 m X 16 m, unidos por silicone. Todos os vidros eram pendurados em uma região de vento fortíssimo. A obra foi executada há três anos e até agora não precisou de manutenção”, diz.

Dimensionamento
Para suportar um telhado de vidro, a estrutura metálica precisa ter deformação com flecha admissível menor que as de estruturas utilizadas para receber outros materiais, como as telhas de alumínio que não são suscetíveis à quebra. Por isso, muitas vezes, é preciso interferir no projeto. “Temos, em vários casos, que interferir ou desenvolver o projeto da estrutura metálica para evitar que o calculista venha a estabelecer uma flecha inaceitável de 1 para 175 – o ideal seria, por exemplo, de ser de 1 pra 350 para a cobertura de vidro. Isso muito pouca gente conhece”, comenta. A garantia dada pela empresa abrange desde as fixações até a impermeabilidade da cobertura. “E nós não podemos permitir que os vidros se quebrem. Os vidros não quebram espontaneamente. Se quebraram, é porque foram mal instalados, ou mal dimensionados, ou, quando o chegaram na obra já com uma lasca”, destaca.

Coberturas de vidros

Aço e alumínio
 “Para as grandes obras, a estrutura de apoio é a metálica, ou seja, em aço. Utilizamos, normalmente, o aço SAC 41, o 300, ou o Corten, que são chamados de aços patináveis, resistentes à corrosão, até mesmo à maresia”, conta. Ele oferece a garantia legal de 5 anos, porém, seu conhecimento e confiança na performance dos materiais, do projeto e instalação, já resultou em garantia de 10 anos. “Nada impediria que nós déssemos garantia de 20 anos, até porque os materiais são perenes. O aço patinado não tem fim, o alumínio bem tratado, bem anodizado ou bem pintado, também é um material eterno, o vidro então nem se fala. Mas é preciso utilizar materiais nobres, materiais com tecnologia”, avisa o engenheiro.

Ao unir dois materiais de potenciais elétricos diferentes, como o aço e o alumínio, é preciso ter cautela na fixação. “Se a fixação for feita com materiais que conduzem corrente elétrica, pode haver corrosão por detrítico. Por isso, é necessário ter sobre o aço uma fita eletricamente isolante para evitar que haja condução do par metálico, sendo que as fixações têm que ser feitas com parafusos de aço inox austenítico”, alerta. Além desses cuidados, deve constar no projeto o dimensionamento do silicone. “Até dez anos atrás, o silicone era um problema nessas vedações, hoje tem longa vida útil. Para colagem de vidro em fachada com silicone estrutural, esse material não pode ter uma durabilidade de dez ou 20 anos, senão começa cair vidro. Tem que ser um material que dure a vida inteira. Hoje, o silicone de vedação tem essas características”, afirma.

Vidros
De acordo com a NBR 7.199, o vidro para cobertura deve ser o laminado. “Muitas vezes especificamos o 10 mm, sendo que para algumas situações optamos por 11 mm ou 12 mm”, diz. A espessura depende do tamanho da chapa do vidro. Se a chapa for de até 1,10 m X 2,00 m, os vidros podem ser de 10 m. Todos esses cálculos são feitos conforme as condições da norma, pensando nas características da obras, posições e caimento do telhado”, comenta Ricardo Macedo que sugere aos clientes que as modulações dos vidros sejam sempre múltiplos de 3,20 m.

“Às vezes, o arquiteto faz uma modulação pouco eficiente, considerando o critério do aproveitamento do vidro. A maioria das chapas tem 3,20 m de largura, tanto os vidros nacionais como os importados. A exemplo de uma obra recente, o arquiteto fez uma modulação de vidro com 1,70 m, o que acarretaria em acréscimo no preço de 20% a 30%, por isso sugerimos uma repaginação”, conta. Em algumas obras, os arquitetos já não querem mais vidros refletivos tão escuros. Mas, há muitas alternativas inteligentes disponíveis, com diferentes características de transmissão luminosa e até autolimpantes. “O que se pode fazer, também, é adaptar a luminosidade de vidros, laminados ou duplos, à necessidade do cliente, como controle solar, transparência, mais ou menos reflexão”, finaliza Ricardo Macedo.