Como reduzir conflitos entre obra e vizinhança? Conheça boas práticas

Controle de emissão de poeiras, da saída de sedimentos e de ruídos são condições para diminuir os impactos das obras no entorno e evitar reclamações

Publicado em: 20/09/2022

Texto: Juliana Nakamura

foto de duas pessoas em um sofá tampando os ouvidos com as mãos e olhando para cima
(Foto: Shutterstock)

Cada vez mais comum diante da escassez de bons terrenos, a construção em áreas urbanas densamente ocupadas exige uma série de cuidados especiais por parte das construtoras. O objetivo é reduzir os impactos nocivos das obras nas pessoas que vivem e trabalham no entorno. Mais do que uma política de boa vizinhança, tais ações são fundamentais para evitar conflitos, sanções judiciais e danos à imagem do construtor e do empreendimento, ainda mais em uma época em que as empresas são cobradas intensamente por responsabilidade ambiental e social.

“Considerando que toda obra de engenharia é um modificador natural da sociedade, é imprescindível manter os devidos cuidados com o meio”, destaca João Baggio, diretor de Engenharia e Operações da Construtora Baggio. “Com relação às poeiras e poluentes, por exemplo, a construção civil é responsável por quase 30% das emissões dos gases do efeito estufa. Portanto, é inadmissível que qualquer obra de engenharia não seja administrada de forma prudente e segura”, diz o engenheiro.

Poeiras e a saída de sedimentos

A emissão de poeira e de ruídos são transtornos inevitáveis durante a execução das obras, especialmente quando se trata de projetos de grande porte. Contudo, é possível amenizar esses incômodos com boas práticas de gestão e o uso de equipamentos adequados.

Para o controle de poeiras, Rodrigo Giacomazzi, coordenador de obras da Bidese, destaca três ações de grande impacto: a inserção de redes de retenção de pó nas fachadas em execução; a adoção de uma boa análise topográfica, compatibilizada ainda na fase de projeto visando racionalizar a movimentação de terra; e a instalação de um sistema lava-rodas desde a primeira etapa da obra, evitando a contaminação das ruas com solo. “Também é fundamental adotarmos cuidados no armazenamento de insumos e no descarte de materiais, evitando a dispersão de partículas ou contaminação”, continua o coordenador de obras da Bidese.

Leandro de Castro Melo, diretor de engenharia da HM Engenharia, ressalta que a área de compras da construtora também tem um papel importante para minimizar a emissão de poluentes. Afinal, “é possível dar preferência a materiais e insumos certificados, conforme as normas vigentes, com declarações ambientais que garantam a qualidade e segurança de trabalhadores e vizinhos”.

Como evitar problemas com ruídos?

Entre os problemas ambientais mais comuns em obras situadas em áreas urbanas, a emissão de ruídos está entre os mais recorrentes. Inevitáveis em algumas atividades, especialmente durante as etapas de demolição, movimentação de terra e fundações, essas vibrações sonoras são geradas, principalmente, por equipamentos como betoneiras, bate-estacas, serras-circulares, rompedores e compressores.

A emissão de ruídos nos canteiros deve estar dentro dos limites permitidos pela legislação. Olivio Guido dos Santos Silva, gerente de obras na MPD, explica que em dias úteis, as construtoras precisam respeitar o limite de emissão de até 85 decibéis (dB), entre 7h e 19h, e de 59 dB, das 19h às 7h.

“Aos sábados, o limite imposto é de 85 dB entre 8h e 14h e de 59 dB nos demais horários”, detalha Silva, ressaltando ser possível diminuir ruídos por meio de uma rígida fiscalização dos equipamentos que serão utilizados.

“Além de certificar-se da regulagem de todo o maquinário, uma recomendação é realizar um programa de conscientização interno no canteiro para que haja respeito com a vizinhança, evitando gritos e palavras de baixo calão”, sugere Giacomazzi, da Bidese.

Comunicação com a vizinhança

Uma ação que precisa estar inserida no planejamento das construtoras é a disponibilização de um canal de comunicação com a comunidade no entorno. “Na MPD, antes de iniciarmos a obra, produzimos um vídeo com informações sobre o processo de construção, explicando como serão as atividades e o cronograma. Também temos sempre em mãos o laudo de vizinhança e solicitamos a liberação dos proprietários para podermos analisar previamente o estado de cada edificação vizinha, para evitar transtornos no decorrer da obra”, cita Silva.

Na HM Engenharia, para aproximar a construtora da comunidade, é mantido um canal de atendimento para eventuais reclamações ou denúncias. “Além disso, interagimos diariamente nas redes sociais, respondendo dúvidas e eventuais reclamações”, diz Castro Melo, ressaltando que a boa comunicação é chave para evitar conflitos.

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Colaboração técnica

Rodrigo Giacomazzi – Formado em Engenharia Civil, especialista em Gestão de Projetos com MBA em Controladoria e Finanças, e Incorporações Imobiliárias. É Coordenador de Obras da Bidese Construtora
João Baggio – Engenheiro civil pós-graduado em finanças de mercado, com MBA em gestão empresarial, é Diretor de Engenharia e Operações. Também é master em programação neurolinguística e especialista em comunicação, além de coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching.
Leandro de Castro Melo – Engenheiro civil especializado em engenharia de produção com MBA em Gestão Empresarial. É diretor de engenharia da HM, onde além de ser responsável pelas obras, também faz a gestão das áreas de Projetos, Orçamento, Planejamento, Suprimentos, Qualidade e Assistência Técnica.
Olivio Guido dos Santos Silva – Engenheiro civil com 24 anos de experiência no mercado, é responsável pelo acompanhamento de projetos e construções na MPD Engenharia, onde atua como gerente de obras.