Como restaurar forros de gesso? Veja dicas e procure especialistas

Os danos causados ao elemento vão da infiltração de água às trincas. Os procedimentos de reparo são de baixa complexidade, mas devem ser feitos por quem conhece

Publicado em: 22/07/2021Atualizado em: 18/12/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Reparo forro de gesso
O forro de gesso pode ser atingido por diferentes problemas (Foto: flrwnx/Shutterstock)

Os forros de gesso são constituídos por placas quadradas e chapas de grandes dimensões, similares às utilizadas nas paredes de drywall. “O forro pode ser liso ou trabalhado, com ou sem sancas de gesso”, diz o engenheiro Gilmar Soares Terra, diretor da GRCTec Engenharia. A instalação das placas quadradas é feita através de encaixe macho e fêmea, sob estrutura de alumínio.

Para a instalação das chapas é feito, inicialmente, o cálculo estrutural dos perfis onde elas serão aparafusadas, considerando a carga do gesso mais uma tolerância de cerca de 10%, dependo dos recortes e detalhamento do forro
Gilmar Soares Terra

“Para a instalação das chapas é feito, inicialmente, o cálculo estrutural dos perfis onde elas serão aparafusadas, considerando a carga do gesso mais uma tolerância de cerca de 10%, dependo dos recortes e detalhamento do forro. O perfilado é preso na laje por tirantes ou arame – em geral, arame 18 galvanizado –, que contam com guias de ajuste, para garantir o prumo do forro”, explica.

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Aplicação de tendência atual e clean é a chamada tabica, com função técnica e estética. É o vão perimetral necessário entre a parede e a chapa de gesso, para evitar trincas e rachaduras no material provocadas pela dilatação própria das edificações. “Nesse espaço, os arquitetos optam, muitas vezes, por inserir sistema de iluminação indireta”, completa.

Infiltração e trincas

Basicamente, os danos ao forro de gesso são causados por infiltração de água e por rachaduras. Gilmar Soares Terra lembra que o gesso é material sensível à umidade. “No processo de industrialização, ele passa por calcinação (aquecimento), quando perde meia molécula de água. Daí que, na presença do líquido, ele absorve e mancha”, relata. Como o forro está situado sob tubulações hidráulicas, é preciso ter muito cuidado com eventuais infiltrações de água, independentemente de se tratar de placas ou chapas.

Se a massa empregada no tratamento das juntas não for adequada ou se as chapas estiverem encostadas nas paredes, automaticamente vão trincar
Gilmar Soares Terra

As trincas e rachaduras podem ocorrer no sistema de forro que utiliza chapas retangulares, sendo mais utilizadas as de 1,20 x 1,80 m, 1,20 x 2,40 m e 1,20 x 3,00 m, com espessuras de 6, 12,5 e 15 mm. “Se a massa empregada no tratamento das juntas não for adequada ou se as chapas estiverem encostadas nas paredes, automaticamente vão trincar”, expõe.

É comum que prestadores de serviços menos habilitados e que praticam preços baixos utilizem, nas juntas, uma pasta de pó de gesso misturado com água. Ela vai endurecer e trincar. O engenheiro recomenda o emprego de massa apropriada para drywall, à base de PVA ou acrílica. Com bom grau de elasticidade, ela acompanha a movimentação das chapas e não trinca.

Já as placas quadradas e de menor dimensão – as mais empregadas têm 0,60 x 0,60 m e 0,65 x 0,65 m – estão livres de juntas e trincas. Para o acabamento pedem apenas uso de massa corrida para nivelar, preparando para a pintura.

Molhou e manchou: o que fazer

A manutenção do forro em chapa pode ser prevista por procedimento adotado no momento da instalação. “Nos trechos em que o forro passa por baixo de tubulação de esgoto, de água fria e de água quente, ou rede de sprinkler, instalo um perfilado a mais, que servirá para parafusar o gesso, se for preciso fazer um recorte ao longo da área manchada”, explica.

Até porque, quando a água goteja sobre o gesso, forma-se uma mancha arredondada. No caso de pequenas áreas no forro, o restauro dispensa a substituição de toda a chapa. É possível apenas recortar e inserir um pedaço quadrado perfeito de gesso e aparafusar no perfilado. A restauração é finalizada com a massa e a pintura. “Mas, caso estoure a tubulação hidráulica sobre o forro de drywall, com grande vazamento, a única solução é refazer tudo”, indica.

Forros que utilizam placas pequenas que sofreram infiltração podem ter as peças substituídas pontualmente. O preço é praticamente o mesmo ao do trabalho de recortar apenas área manchada e colocar novo gesso. Segundo o engenheiro, o custo da mão de obra por metro quadrado tanto para instalar um forro de gesso quanto para a manutenção fica entre R$ 45 a R$ 75.

Para ambientes úmidos, a recomendação é utilizar as chamadas “placas verdes” de gesso, protegidas com impermeabilizante nas faces acartonadas. “Claro que não podem receber água em excesso, mas têm ótimo desempenho no forro de banheiros e cozinha”, diz, comentando que esse produto não deve ser empregado em teto de áreas públicas.

Porém, o produto é instalado em alguns locais, como shopping centers, para evitar que qualquer infiltração se torne visível. O resultado é desastroso, porque o gotejamento não infiltra, mas cria uma lâmina d’água que vai pesando sobre o forro de gesso. Por fim, toda a estrutura desaba. “O ideal é usar a chapa branca e, preferencialmente, proteger sua face superior com resina hidrofugante. As gotas de água de um eventual vazamento serão escoadas através de perfis instalados nas juntas e carreadas para canaleta específica, fora da área do forro de gesso”, orienta.

Restauração de trincas

Diante do surgimento de trinca ou rachadura, a primeira ação é verificar a causa. Caso o forro não tenha adotado o sistema de tabica, será preciso criar esse vão. “De nada adianta consertar a trinca, pois vai acontecer novamente”, alerta Gilmar Soares Terra. Outra origem de rachadura das chapas é o desalinhamento do forro, resultado de erro na instalação dos tirantes que seguram a estrutura metálica. “O centro de gravidade ficou deslocado, fazendo com que o peso recaia para um dos lados e surjam trincas”, ensina. A solução é abrir o forro e realinhar.

Em qualquer um dos casos, a restauração começa com a criação de uma abertura um pouco maior da rachadura, utilizando ferramenta específica. O passo seguinte é o fechamento com massa acrílica. “É preciso abrir um pouco, pois se passar massa na rachadura original, ela não vai penetrar por ser muito pequena”, afirma.

Podem ocorrer trincas nas juntas, sem afetar a chapa. O problema é comum quando o instalador utilizou massa de rejunte inadequada. O procedimento envolve a raspagem do material e colocação de massa acrílica.

Colaboração técnica


Gilmar Soares Terra – É Engenheiro de Telecomunicações pela Universidade Anhembi Morumbi, com pós-graduação em engenharia de telecomunicações pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi diretor de Projetos da Perspectiva Engenharia e da Equisysthem Engenharia, além de ter ocupado cargos na Universidade de Santo Amaro – Unisa e, também, em redes de comunicação. É sócio-diretor da GRCTec Engenharia.