Compactação em obra de terraplenagem pede atenção com umidade

O início do processo de compactação deve considerar fundamentalmente as peculiaridades do solo e as especificações do material a ser utilizado na obra

Publicado em: 21/10/2013Atualizado em: 18/02/2020

Texto: Redação PE

As intempéries climáticas são extremamente nocivas para os trabalhos de compactação e, em terraplenagem, os dias úteis são os praticáveis, ou seja, quando não chove. As empresas prestadoras desse serviço se vêem diante do desafio de cumprir os prazos durante os períodos de estiagem, minimizando os prejuízos em campo.

Um dos métodos é fazer a substituição de material. Se o cronograma estiver muito apertado e as chuvas não cessam, pode ser utilizada brita graduada ao invés de uma base de solo arenoso. Mas tudo isso depende das características da obra e de uma série de fatores, que envolvem parâmetros técnicos e financeiros.

A atividade de compactação pode ser definida como uma redução de vazios e, quanto mais se compacta um aterro, mais aumenta a resistência do solo na capacidade de suportar cargas pesadas. A regra básica para um bom início desse processo é levar em consideração as peculiaridades do solo a ser compactado. Os estudos em laboratório feitos antes de se começar o trabalho especificam a umidade ideal para determinada classificação de solo.

A partir desse pressuposto, deve-se dar mais umidade ao solo ou extraí-la fazendo gradeamento. O empreiteiro precisa orçar os trabalhos de aterro incluindo ensaios de laboratório, porque dessa forma garantirá a boa qualidade dos serviços e uma melhor previsão de gastos.

Como as características do solo são variadas em cada região brasileira, é necessário conhecer bem as especificações do material. Por ser um país de geologia antiga, a predominância é de solo coesivo, mas quando o local tem solos finos e de alta plasticidade – mais difíceis de serem compactados – é necessário fazer algumas misturas para diminuir essa plasticidade, adicionando um material granular e, quando o solo apresenta elevada granulação, pode ser misturado material fino.

Durante o trabalho, o cuidado com o “emborrachamento” na área é indispensável. Esse problema é evitado com um bom gradeamento e extraindo bem a umidade do solo. Há situações onde há necessidade de se fazer uma camada intermediária de material granular para estancar a umidade e prosseguir o aterro sem comprometer as camadas posteriores.

Caso o projeto tenha uma cota baixa de aterro e o terreno natural não suporte esse lançamento, uma opção é substituí-lo por um aterro compactado em camadas, fazendo a troca de solo. Nessas condições, normalmente são executadas as camadas intermediárias de sustentação e de drenagem utilizando areia ao invés de rachão.

Fontes:
Leônidas Alvarez Neto
Doutor em engenharia pela Poli/ USP
José Antônio Spinassé
Diretor da Satélite Terraplenagem
Rubens Brito
Gerente da divisão dos equipamentos Bomag na Brasif
Foto: Shutterstock