Concretagem: como selecionar fornecedor e checar a betoneira

Visitar obras em execução da concreteira, verificar lacre do caminhão e proceder o ‘corte verde’ no caso de interrupções são algumas das recomendações técnicas

Publicado em: 01/03/2021Atualizado em: 18/07/2023

Texto: Eric Cozza

caminhão betoneira
Selecionar um bom fornecedor de concreto é o primeiro passo para garantir a qualidade das estruturas (foto: oknesanofa/Pixabay)

Especialistas concordam que a qualidade de uma concretagem começa com um bom projeto estrutural. Mas os cuidados com a execução também são indispensáveis para evitar retrabalhos ou o aparecimento de patologias no futuro.

O engenheiro civil Paulo Beghelli Caracik é sócio fundador da PBC Engenharia, consultoria especializada em estruturas de concreto. Ele será um dos palestrantes da jornada online “Construção Etapa a Etapa – Cuidados Técnicos e Pontos Críticos no Gerenciamento de Empreendimentos”, que será realizada de 12 a 15 de abril de 2021, pelo Portal AECweb, com a curadoria da Cozza Comunicação.

Na entrevista a seguir, Caracik faz algumas recomendações técnicas que devem ser observadas pelas construtoras.

Quais são os principais quesitos a serem observados quando da seleção de uma empresa de serviços de concretagem?

É interessante solicitar ao fornecedor uma lista com três a quatro obras, em execução no momento, com os respectivos contatos, para uma filtragem inicial, observando o histórico de abastecimento. Verificar o tempo a ser percorrido da central dosadora até a obra também é importante, pois isso pode influenciar diretamente na sequência de concretagem. Outro ponto fundamental é fazer uma visita presencial à central dosadora que poderá abastecer a obra. Ali será possível observar o estado de conservação da frota, o número de caminhões disponíveis, a capacidade de fornecimento diária e até mesmo se aproximar da equipe de programação de dosagem do concreto.

Quais são as principais checagens a serem feitas na chegada do caminhão-betoneira que transporta o concreto?

Tão logo o caminhão betoneira chegue à obra, antes mesmo da realização do controle tecnológico, alguns itens simples devem ser verificados para a continuidade do processo. Iniciamos pela obra e endereço, pois já soubemos de misturas de caminhões entre duas obras, na mesma rua, com concretagens simultâneas. Para a parte técnica, é importante verificar se a classe de resistência está de acordo com o solicitado. Além disso, é fundamental controlar o tempo, desde a adição de água na central dosadora até o lançamento, pois o concreto tem ‘prazo de validade’. Deve ser reservado, inclusive, um tempo mínimo de 1 hora a ser consumido somente com o processo de lançamento. A inspeção e a verificação do lacre do caminhão, que fica na bica, são importantes também. Deve estar íntegro e de acordo com a numeração que consta na remessa.

Veja também: 5 Modelos de betoneira para usar na obra

O que fazer no caso de interrupções não planejadas na concretagem?

Interrupções podem ocorrer por vários motivos, desde a quebra de equipamento de lançamento de concreto, uma grande chuva, horário prolongado etc. Devemos sempre pensar em criar condições para que a continuidade da concretagem, em uma data posterior, seja realizada gerando o menor impacto técnico possível. Um procedimento simples de ser realizado, no momento da paralisação, é o “corte verde” na superfície que será continuada, ou seja, a passagem de água sob pressão aflorando a superfície do agregado graúdo, melhorando assim a aderência com a nova etapa de concreto. É importante informar ao projetista estrutural desse evento para que ele avalie a necessidade, pelo local da parada, de alguma providência adicional.

Mais informações sobre a jornada online “Construção Etapa a Etapa”

Colaboração técnica

Paulo Beghelli Caracik
Paulo Beghelli Caracik – Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia Mauá (1999) e pós-graduado pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Atuou como coordenador técnico e comercial da Ulma Brasil (2000 a 2007) e gerente técnico de estrutura de concreto na Gafisa de 2007 a 2014. Naquele ano, fundou o escritório PBC Engenharia, empresa de consultoria em estruturas de concreto convencional, nervuradas, planas, protendidas, alvenaria estrutural e paredes de concreto.