O que é Concreto Magro

Enquanto o concreto magro é empregado para preenchimento e nivelamento de piso e lastro para proteção mecânica das fundações diretas, as argamassas têm a função de aderência ao substrato

Publicado em: 05/07/2022Atualizado em: 14/10/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto mostrando trabalhador manipulando concreto
Foto: P.KASIPAT/Shutterstock)

Apesar de terem o cimento em sua composição, o concreto magro e as argamassas são materiais com características técnicas e usos distintos. “As propriedades desses materiais não podem ser definidas e apresentadas como únicas, por conta das várias possibilidades de produção, principalmente das argamassas”, aponta o doutor em Estruturas, Paulo de Souza Tavares Miranda, diretor Técnico da Paulo Filho Engenharia e Consultoria Estrutural.

“De uma forma geral, o concreto magro possui baixa trabalhabilidade devido à sua composição pouco argamassada e baixa resistência mecânica, resultante de seu baixo consumo de cimento. As argamassas devem ter boa trabalhabilidade e apresentar boa condição de aderência. Suas resistências mecânicas variam consideravelmente em função do tipo e uso específico”, complementa.

O pesquisador Rafael Francisco Cardoso dos Santos, do Laboratório de Materiais para Produtos de Construção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ressalta que o concreto magro não tem função estrutural. Portanto, não tem armadura de aço em seu interior. “Apresenta resistência mais baixa que os concretos convencionais e, consequentemente, maior porosidade e permeabilidade à água, o que resulta em concreto com menor durabilidade”, ensina.

“Este tipo de concreto, por ser não-estrutural, não tem seu controle baseado no conceito de resistência/FcK”, menciona Santos, lembrando que o material tem composição similar aos concretos convencionais: cimento Portland, areia, brita e água. Porém, em proporções diferentes, composto por traços mais pobres de cimento com relação aos agregados, geralmente da ordem de 1:10 – o equivalente ao consumo de cerca 120 kg de cimento Portland /m³ de concreto.

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Usos do concreto magro e das argamassas

De acordo com Miranda, as funções das argamassas são muito diversificadas, sendo as mais comuns o aumento de aderência com o substrato, a regularização de superfícies, o assentamento de tijolos e a colagem de revestimentos. O concreto magro, por sua vez, se destina, principalmente, ao preparo de valas de fundações, tornando as superfícies planas e criando uma certa proteção contra a umidade do solo.

“E, também, evita que o elemento de concreto estrutural tenha contato com agentes químicos do solo”, complementa Santos, acrescentando que, com essa função, o concreto magro garante melhor qualidade de execução e durabilidade do elemento estrutural.

O material é empregado como solução em etapas da obra, principalmente em pisos submetidos a pequenas cargas, no preenchimento, nivelamento ou como base de pavimento. “Em muitas obras de terra, é utilizado para facilitar o andamento das atividades, de forma mais limpa e sem interrupções por efeitos de chuvas, como berma e vias de acesso em barragens de terra, por exemplo. Em alguns casos, é removido conforme o andamento do cronograma das obras”, afirma Santos.

“Em termos de aplicação, concreto magro e argamassas não se complementam”, frisam os profissionais.

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Cuidados na especificação e utilização

De acordo com Paulo Miranda, é preciso adotar alguns cuidados na especificação das argamassas, em função do tipo e aplicação. “Nas argamassas de aderência (chapisco) e base (emboço), por exemplo, a atenção deve se voltar para a a aderência e a resistência. Já nas argamassas de acabamento (reboco), destacam-se a homogeneidade e a plasticidade”, indica.

Para Rafael Santos, a especificação de qualquer concreto depende muito do projeto a ser executado e das funções estratégicas concebidas para este material. No caso do concreto magro não é diferente. “Apesar de não ter função estrutural, ele por diversas vezes faz a função de regularizar terreno e de dar suporte ou proteção mecânica a elementos estruturais. Ainda que não seja um concreto de resistência elevada, ele precisa ter integridade e homogeneidade para exercer as suas funções. Portanto, como todo concreto, deve ser dosado e misturado de maneira a garantir a obtenção de um material com as propriedades pré-definidas em projeto”, alerta.

Além da falta de controle de quantidade de materiais durante a mistura, um erro comum é não executar a base de concreto magro com espessura suficiente para dar integridade à camada de concreto. “E, assim, provocar fraturas que podem resultar em falhas no elemento que este concreto irá proteger ou dar regularização e sustentação”, explica.

Miranda ressalta que, em geral, concretos e argamassas possuem como erros de especificação a utilização de agregados inadequados em natureza e/ou proporção. “E, como erros de uso, a não obediência aos tempos de cura e a falta de controle de produção”, finaliza.

Colaboração técnica

Rafael Francisco Cardoso dos Santos – Engenheiro Civil formado pela Universidade São Judas Tadeu, com mestrado em Habitação pelo IPT. Atua como pesquisador no Laboratório de Materiais para Produtos de Construção do IPT, desenvolvendo atividades de pesquisa e prestação de serviços tecnológicos na área de materiais de construção civil. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Materiais e Componentes de Construção.
Paulo de Souza Tavares Miranda – Graduação em Engenharia Civil na Universidade Federal do Ceará – UFC (1999); Especialista em Economia Empresarial pela Universidade Regional do Cariri - URCA; Mestre em Estruturas pela Universidade Federal do Ceará – UFC (2010); Doutor em Estruturas na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - FEUP (2021); Pós-doutoramento em andamento na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - FEUP. Autor do livro “Avaliação da Vulnerabilidade Sísmica na Realidade Predial Brasileira”. Membro de diversas entidades setoriais, como o Ibracon e a Abece. É fundador e diretor Técnico da Paulo Filho Engenharia e Consultoria Estrutural Ltda.