Confira alguns cuidados na hora de selecionar materiais de construção ecológicos

Visão holística, abrangente e baseada em critérios técnicos é chave para evitar o greenwashing

Publicado em: 06/07/2021Atualizado em: 14/10/2022

Texto: Juliana Nakamura

Materiais de construção ecológicos
Um dos desafios é distinguir o que é verdadeiramente ecológico da maquiagem verde (Foto: Paitoon Pornsuksomboon/Shutterstock)

Responder à exigência da sociedade por edifícios que gerem menos impactos ao meio ambiente exige muito conhecimento e senso crítico dos profissionais da cadeia da construção. Tanto para arquitetos e projetistas, quanto para os construtores, um dos desafios impostos é selecionar materiais de construção mais sustentáveis. A oferta de soluções disponíveis é crescente, tornando ainda mais complicada a tarefa de distinguir o que é verdadeiramente ecológico da maquiagem verde (greenwashing, em inglês).

É necessário cuidado para escolher fornecedores que sejam capazes de fornecer informações detalhadas sobre os seus produtos contando, por exemplo, com Declaração Ambiental de Produto
Roberto Pastor Júnior

A situação torna-se ainda mais desafiadora porque há escassez de dados sobre muitos materiais. “É necessário cuidado para escolher fornecedores que sejam capazes de fornecer informações detalhadas sobre os seus produtos contando, por exemplo, com Declaração Ambiental de Produto”, afirma Roberto Júnior, diretor técnico da Trisul.

De modo geral, também falta conhecimento sobre a abrangência da especificação de produtos ambientais. “A capacitação através de cursos e a criação de cartilhas e materiais informativos pelos fabricantes é muito importante para a disseminação do conhecimento, assim como é fundamental incorporar conceitos de sustentabilidade relacionados à especificação na formação dos profissionais do setor”, argumenta o diretor da Trisul.

A especificação dos materiais com foco ambiental deve considerar o entorno onde será inserido e observar a função do ambiente. O profissional não pode, por exemplo, se deixar seduzir por adjetivos como “verde”, “ecológico” ou “reciclado”. Durabilidade, atendimento às normas técnicas, desempenho adequado e baixas taxas de emissão de CO2 associadas ao transporte são critérios que não podem ser negligenciados.

HOMOLOGAÇÃO CRITERIOSA

Nas construtoras, uma estratégia para evitar armadilhas ecológicas é ter um sólido processo de homologação de produtos que considere desde o atendimento a requisitos legais do fornecedor até uma análise técnica, além da realização de testes in loco quando necessário.

A avaliação sustentável se caracteriza por uma análise do ciclo de vida do material, desde sua concepção, transporte, instalação e possíveis resíduos que possam ser gerados, mapeando todos os aspectos e impactos
José Luiz Camarero Neto

“A avaliação sustentável se caracteriza por uma análise do ciclo de vida do material, desde sua concepção, transporte, instalação e possíveis resíduos que possam ser gerados, mapeando todos os aspectos e impactos”, comenta José Luiz Camarero Neto, sócio-diretor da Bild Desenvolvimento Imobiliário/Vitta Residencial. Segundo ele, a existência de uma certificação que ateste os atributos do material em questão é um diferencial para empresas que se preocupam com os impactos ambientais.

“Nesse sentido, o mercado oferece vários selos, como FSC (Forest Stewardship Council) que garante a origem da madeira e seu manejo adequado, e o Procel, que foca a eficiência energética”, acrescenta Mirela Máximo, coordenadora de meio ambiente na Bild/Vitta. Há, ainda, certificações como a Cradle to Cradle, ainda pouco utilizada no Brasil, e os programas de metas para redução de pegada de carbono.

Para Camarero Neto, a atenção das companhias quanto aos princípios ESG (sigla que traduzido do inglês significa Ambiental, Social e Governança) também impacta as contratações de materiais e a forma como as construtoras homologam seus parceiros. “O conceito ESG é uma tendência mundial irreversível. O investidor passou a considerar a forma como as empresas tratam as pessoas, o meio ambiente e a comunidade. Além disso, as novas gerações estão mais conscientes do impacto que podem causar no ambiente e nas comunidades onde vivem”, complementa Roberto Júnior.

ALÉM DA ESCOLHA DO MATERIAL

Como a sustentabilidade é um tema que requer uma abordagem ampla, a escolha criteriosa de materiais deve ser acompanhada de outras boas práticas visando a redução do impacto ambiental das obras e das edificações. Entre elas, estão a busca constante pelo uso racional de recursos naturais, sobretudo água e energia, e a atenção à gestão dos resíduos.

“Outras ações sustentáveis simples para canteiro de obras são aproveitar e proteger a vegetação existente, minimizando os danos à natureza, e manter um relacionamento e uma comunicação saudável com a vizinhança, atenuando os impactos no entorno”, conclui o diretor da Trisul.

5 cuidados elementares para escolher materiais sustentáveis

1) Exija dos fornecedores de materiais comprovações de sua qualidade (ensaios, selos de qualidade, etc.).
2) Exija a apresentação dos registros de procedência da extração dos recursos naturais (pedras, areia, gesso, etc.).
3) Priorize produtos que possuam selos ecológicos, quando existentes.
4) Dê preferência a materiais produzidos geograficamente perto da obra.
5) Avalie sempre a pertinência do material na obra/projeto em questão.

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Colaboração técnica

 
Roberto Pastor Júnior — Engenheiro civil, é diretor técnico da Trisul.
 
José Luiz Camarero Neto — Engenheiro civil, é sócio-diretor da Bild Desenvolvimento Imobiliário/Vitta Residencial.
 
Mirela Máximo — Engenheira ambiental, é coordenadora de Meio Ambiente na Bild Desenvolvimento Imobiliário/Vitta Residencial.